quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Diários de Motocicleta

Tal como gosto da estética da aviação do inicio do século passado, também gosto muito da estética do motociclismo (excluindo aquela dos motards das concentrações, como é óbvio). Talvez a questão seja mesmo gostar da estética do século passado, independentemente do meio de transporte, sei lá...

No entanto, apesar de gostar muito de andar de avião (à excepção do facto de não me deixarem fumar), tenho um medo completamente irracional de andar de mota. Aliás, não tenho medo de andar, a se, tenho medo de cair. Tanto que, não cheguei a experimentar andar na mota de corrida xpto que esteve estacionada à nossa porta durante mais de seis meses.

No entanto, essa mota foi trocada pela mota de sonho de qualquer viajante, uma aventureira amarela, muito mais segura, muito mais confortável e linda de morrer. Só não bate a Triumph, pelo que dizem os entendidos. Então, como prova do imenso amor que tenho pelo motoqueiro de serviço que, juntamente com a mota de sonho me comprou um capacete, obriguei-me a experimentar ser pendura em algumas trajectos das nossas férias.

Tudo começou numa noite, em que íamos à vila jantar. Caso não fosse de mota, teríamos de levar dois carros, e nos meio do pânico alicercei-me nas minha convicções ambientais intermitentes e disse que sim. Coloquei o capacete de uma forma bastante patética e subi. A viagem começava com uma descida, a pior coisa que me podem fazer e, por isso, respirei fundo e fechei os olhos e seja o que Deus quiser.

Como mantra repetia, és uma mochila, és uma mochila, como menina bem ensinada que sou. Dizem que o truque para ser um bom pendura e não provocar quedas desnecessárias é ser uma mochila, não fazer absolutamente nada, não contrariar nem reforçar as inclinações nas curvas, nada de nada, apenas e só, deixarmo-nos levar pelo condutor como se fossemos a sua mochila. Escusado será dizer qual é a minha nova alcunha. Para a minha tentativa de materialização e renúncia à mania de controlar tudo, ter os olhos fechados era totalmente imprescindível. Se não vir que vou entrar numa curva, mais facilmente perco o instinto imediato de me inclinar ou retrair.

E cortando o ar em curva e contra-curva, num abraço fechado em que quase me fundi com o condutor, mantinha a cabeça enrolada para a direita, como se fosse carapaça de uma tartaruga centenária ou mesmo um Koala on steroids. E à volta, na aceleração da recta, a caminho da bomba de gasolina onde abasteceríamos o nosso stock de Marlboro, olhei para o asfalto e a nossa sombra passava por nós, vezes e vezes sem conta, rapidamente, fugia e voltava, à medida que passávamos da luz de um candeeiro para o outro. Nesse momento, a nossa sombra era uma só. Sorri.

No dia seguinte, subimos pela costa e visitámos todas as praias, miradouros, penhascos, aldeias de beira de estrada, numa profusão de descidas íngremes e curvas fechadas e trânsito parado, tudo o que me poderia assustar. E de olhos fechados continuei, no abraço forte, confiando que me levassem a casa, sã e salva. E por fim, parámos à beira mar a comer farturas. Sorri.

Ainda estou longe de ser a pendura perfeita e de perder o medo de cair entre o asfalto e trezentos quilos de metal e acessórios, mas pelo menos já sei descer da mota e, de vez em quando, ainda consigo ver uns frames da paisagem. E sorrir.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

:D

Port-au-Prince, Haiti

Porque, em certos casos, uma imagem vale mais que mil palavras.

O dia do amor

Ontem, na nossa cama vazia de ti, voltei às insónias das noites de verão, insónias que tinha deixado para trás desde que te trago comigo. E nas voltas da cama e viragens de almofada, perdi-me na saudade da tua constelação de sinais que conheço tão bem por causa das festas solicitadas quotidianamente.
Cada sinal, sarda, mancha e pigmento é marca do destino que tens vindo a traçar para ti, dos dias de praia, das ondas apanhadas, das sestas estivais. É a tua estória e ponho-me a pensar, quantas sardas me pertencem... E no mapa das tuas costas, desenho, todos os dias, as sardas que hão-de vir e os planos da nossa viagem. E quando já cansada, na dormência do braço içado por entre o edredon, me viro para o lado de lá, adormeço profundamente, como nunca havia dormido antes de ti.
E as rugas que não queres ter, não são mais do que cicatrizes de choro e de riso e de dias bem passados e também de noites sem dormir. E por mais que te compre cremes e te diga para beberes água, sabes que amo cada ruga que se crava na tua pele, porque cada uma não é mais do que cicatriz provocada por cada um dos teus 7 sorrisos.
E os cabelos e fios de barba branca que teimam em aparecer ultimamente, e que vais arrancando com a teimosia de um adolescente, representam apenas as preocupações e o trabalho e todos os obstáculos que ultrapassas, e todas as responsabilidades que carregas mas que, apesar de tudo, fazem parte de quem tu és, e de quem eu amo.
E a barriga que alegas ter e na qual só reparo quando me chamas a atenção, não é mais do que todos os jantares com amigos no restaurante do costume, ou no rodísio, ou no jesus, ou em porto brandão; não é mais do que todos os jantares e pequenos almoços que crio para ti, para depois nos aninharmos no sofá; e os vodka tónicos e bloody marys; e as compotas de todos os sabores que te dou a provar dia sim dia não; não é mais do que a falta de tempo e forças para ir ao ginásio, que eu percebo tão bem. Essa alegada barriga que ignoro não é mais do que momentos bem passados ao lado dos que te amam e a vida que corre em redor.
E é de tudo isto que sinto falta nesta noite de insónia. E é esta a minha declaração de amor num dia como outro qualquer. E na cama vazia de ti, a nossa matilha mantém-se na vigília do teu regresso a casa, para poder voltar a dormir outra vez.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Invictus de William Ernest Henley

Out of the night that covers me, Black as the Pit from pole to pole, I thank whatever gods may be For my unconquerable soul. In the fell clutch of circumstance I have not winced nor cried aloud. Under the bludgeonings of chance My head is bloody, but unbowed. Beyond this place of wrath and tears Looms but the Horror of the shade, And yet the menace of the years Finds, and shall find, me unafraid. It matters not how strait the gate, How charged with punishments the scroll. I am the master of my fate: I am the captain of my soul.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

I am such a Cliché ou Um Dia de David Nicholls

Toda a minha vida evitei clichés, estereótipos, o que lhe queiram chamar. Sempre quis ser-me, apenas, diferente ou não, tanto fazia, Desde que me fosse, em paz com a minha consciência e princípios, estava tudo bem.
Eu sei que sou a primeira a classificar as pessoas e dividi-las em gavetas. E tal como o direito, as pessoas não o são. Mas não deixam de ser caixas: coloridas ou cinzentonas, mais cheias ou menos vazias, desarrumadas, desgastadas, cheias de purpurinas... As pessoas são caixas que se vão enchendo com o que se apanha no caminho: um amigo que se faz, um livro que se lê, aquela sobremesa, a família, o trabalho, um filme que nos fez chorar ou a música que nos emociona...
Mas as caixas encaixam em prateleiras, e agrupam-se junto às que se parecem com elas, e fazem um esforço de aproximação para ficarem cada vez mais parecidas. E eu nunca tive vontade de ficar igual ou exactamente o contrário de qualquer caixa à minha volta. E sempre quis ter a minha própria prateleira. Ou seja, nunca fiz ou deixei de fazer algo por "ser giro" a não ser se achasse giro e meu achar normalmente é ligeiramente diferente. Muitos podem afirmar que pode ser esse o meu problema. Mas eu discordo.. Até porque se concordasse com eles, mudava (ou talvez não).
No entanto, isto tudo foi para vos dizer que, há uns dias atrás, me descobri numa prateleira cheia de caixinhas iguais à minha. É um facto: SOU UM CLICHÉ!!! Somos todos, diz a Sara, mas eu tinha mesmo a esperança vã de ser uma honrosa excepção.
Tudo começou quando iniciei a leitura de mais um livro para juntar à lista dos livros que iniciei de há dois anos para cá.. Já devem ascender a 20.. E nas primeiras páginas do livro deparei-me com a triste realidade de ser um cliché.. A descrição da personagem feminina e de tudo o que a rodeia parecia uma descrição minha e do meu quarto, há 4 anos atrás. E não estou a falar de uma descrição geral ao ponto de se poder aplicar a toda a gente que conhecem. A descrição era assertiva a este ponto:

"Nos últimos quatro anos, tinha visto um sem-número de quartos assim, semeados por toda a cidade como locais de um crime, quartos onde nunca se estava a mais de dois metros de distância de um álbum da Nina Simone (...)"

"Ela também tinha aquela paixão artística de rapariga pela fotomontagem; havia fotos tiradas com flash de amigas da universidade e da família numa confusão entre o Chagalls e os Vermeers e os Kandinsky, os Che Guevaras e os Woody Allens (...)."

"Tacteando à procura de um cinzeiro , encontrou um livro ao lado da cama. A insustentável leveza do ser, com vincos na lombada (...)"

"O cabelo ruivo-acastanhado estava quase propositadamente mal cortado, cortara-o sozinha, em frente ao espelho, provavelmente (...)"

Não é que me achasse "original" - aliás, sinto asco por essa palavra - porque, normalmente, a palavra original é utilizada em apenas duas situações:
(i) quando alguém se qualifica com esse adjectivo significa que está a fazer qualquer coisa deveras igual a muitas outras coisas que estão a ser feitas por outras pessoas (perdoem-me as PATAVABA mas envergarem todas umas t-shirts iguais a dizer "não sejas igual a toda a gente, o giro é ser diferente" é não só, mas também, um contrassenso); ou
(ii) quando alguém faz qualquer coisa profundamente estúpida ou sem sentido e a única forma de justificar é utilizar a palavra original.
Em todo caso, à excepção do anúncio da sumol que até estava inspirador, esta palavra encontra-se banida do meu vocabulário.
Mas também não julgava ser exactamente igual a um grupo gigantesco de mulheres. O que vale é que essas mulheres devem ter todas mais de cinquenta anos, actualmente. Eu sou um cliché, with bad timing!!! Mas de todos os clichés, este é um dos quais não me importo de ser.

One hundredth message with style!

Besides her voice, here's the five reasons why I totally love her!!

Amor cão...

É o melhor do mundo. A Concha fez um ano ontem. Estas fotografias são de quando tinha um mês e chego à conclusão que passa rápido de mais.. Aos 4 meses já não conseguia pegá-la ao colo. Aos 6 meses destruiu um pouco mais o sofá, cuja destruição tinha sido iniciada pelo Zé, mais ou menos com a mesma idade. Aos 10 meses teve o primeiro cio e deu a pata.
Actualmente, abalroa-me, cada vez que chego a casa, na sofreguidão de me dar beijinhos. E o Zé faz o mesmo que é um ciumento. Anteontem, vi o filme Hachiko que me provocou um dilúvio, nos olhos e na alma, como não tinha há muito. No dia seguinte fui para o escritório com os olhos inchados. O amor cão é, sem sobra de dúvida, o melhor do mundo. O mais fiel, o mais companheiro, o mais sincero e o mais abnegado.
Espero que durem muitos anos, meus bebés.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Matematicando...

...Era o nome do meu livro de matemática da primeira ou segunda classe (sim, sou velha o suficiente para ainda ter andado na primária (hoje em dia, primeiro ciclo do ensino básico). Mas num determinado momento da história deve-se ter achado que dividir as pessoas por "classes" parecia mal e podia ser considerado discriminatório e mudou-se o nome. Mas não era nada disto que eu vinha falar aqui hoje.

Mas realmente, o facto de eu me lembrar do nome do meu livro de matemática de há 20 anos atrás e não me lembrar de onde guardo a maior parte das coisas deixa-me bastante frustrada. Sabem quando escolhem um sítio mesmo bom para arrumar alguma coisa e pensam "aqui não me esqueço de certeza" ou "aqui vai estar sempre à mão" ou "aqui não o vou perder" e esse sítio é tão bom, mas tão bom que quando precisam da coisa que guardaram tão bem não se lembram onde está? Acontece-me diariamente, já para não dizer, várias vezes ao dia, mas neste momento o que me preocupa mais é o carregador da máquina fotográfica, que eu estou farta de tirar fotografias com o Nokia, cujo o cabo de transferência de dados encontrei enquanto procurava o carregador. E no entanto, lembro-me da merda do nome do livro de matemática. Mas não era nada disto que eu queria dizer aqui.

Bem, talvez seja melhor começar outra vez...

terça-feira, 19 de julho de 2011

E Deus criou as mulheres - Tomo II As Equilibradas

Disclaimer: Sim, é possível que esteja a fazer uma descrição de todas as mulheres que admiro, as minhas amigas, a minha avózinha, etc.. Sim, sou tendenciosa. So what?

Na senda do capítulo anterior, aqui vem mais um grande grupo de mulheres, As Equilibradas. No meu rascunho, onde delineei a estratégia e dividi em grupos os tipos de mulheres, tinha pensado deixar este para o fim, como o "grand finale" do sexo feminino. Mas realmente, sendo que começámos pelo pior grupo de todos, há uma necessidade instintiva de contra-balançar e demonstrar-vos que também existem mulheres espectaculares.

As Equilibradas:

Pois é homens, elas existem! Amigas queridas (mas só as queridas) este é o vosso grupo. Este é o grupo de mulheres que admiro e parecendo que não elas são bastantes. Podem até não reparar nelas à primeira ou não virar todo o vosso pescoço e visão em túnel na sua direcção. Mas mal reparem, mal se concentrem, não vão conseguir desgrudar. E quando eu digo isto, tal não significa que estou a descrevê-las como "simpáticas" (ou na linguagem feminina "feias que nem um trovão" - gostaria saber de onde nasceu esta expressão até porque os trovões não se vêem o que se vê são os relâmpagos; se alguém souber de alguma coisa, faça o favor de me explicar.)

Mas voltando às Equilibradas. Podem crer que elas são giras, mesmo mulherões! Mas por vezes, algumas delas não são tão vistosas como podiam ser, e passam (intencionalmente ou não) despercebidas. Têm qualquer idade e um olhar que prende. Riem com os olhos e por essa razão têm rugas de expressão. Independentemente da actividade a que se dediquem, são mulheres de armas.

Estas mulheres não têm medo de estar sozinhas. Fazem amigos com facilidade e não precisam de um homem ao lado para se sentirem válidas, apesar disso não significar que não busquem o amor. Apesar de quererem casar-se, essencialmente, porque estas mulheres nasceram para ser mães, o casamento significará apenas a cereja no topo do bolo da felicidade e não um objectivo a se. Se encontrarem um homem que amem e que as ame também, o mais provável é que essa relação seja uma relação estável e duradoura.

São mulheres muito trabalhadoras e inteligentes quer no trabalho, quer na gestão da casa, quer na própria relação. Normalmente, cozinham bem, apesar de existirem várias excepções honrosas.

Quanto às relações, quando se aperceberem que têm à frente uma mulher deste tipo, e estiverem compradores, não a deixam escapar. As equilibradas gostam de ser conquistadas, mimadas e sentirem-se amadas. Se conseguirem isso elas nunca vos abandonaram. Têm ciumes, como todas as outras, mas tentem ser racionais em relação a falar sobre o assunto.

Existem fases em que estas mulheres não estão disponíveis para ter relacionamentos sérios, na medida em que ainda estão na ressaca de alguma relação dolorosa ou quando estão demasiadamente concentradas noutros projectos e não estão nem aí para vocês. Nessas alturas, não vale a pena insistir. Alguns sub-tipos são capazes de querer um "amigo" com que contar, mas dificilmente, passará daí, até elas se encantarem outra vez.

Ela é a vossa mãe e a mãe dos vossos filhos. Tratem-na bem que ela merece:

As Independentes: São as vossas melhores amigas, companheiras de vida, apaixonadas, que tanto bebem minis como vos aparecem com o vestidinho mais sexy do mercado. São conversadoras, cultas e gostam de ler. É capaz de ser o sub-tipo de mulher que mais gosta de ler e dos que tem menos tempo para o fazer. Tem um bom trabalho e é boa no que faz. Tem imensos projectos e é ambiciosa e por essa razão às vezes vos possa parecer um bocadinho insatisfeita. Mas são simpáticas por natureza e os vossos amigos adoram-na. She's one of the guys.

As Bonus Mater Familiae: Apesar de poder trabalhar fora de casa, ela é a verdadeira fada do lar. Ela cozinha melhor que a vossa mãe, costura melhor que a vossa avó e limpa melhor do que qualquer russa que possam ter conhecido. Só pensa em ter filhos e com razão. A missão mais importante da sua vida é educar e criar uma grande família. Apesar de actual, é bastante tradicional e seguir-vos à até ao fim do mundo. Organizada e poupada, ela vai fazer com que vocês andem na linha. Bastante afectuosa e sorridente, só ficando com mau feitio quando deixam tudo desarrumado, mas mesmo assim isso passa-lhe.

As Super-Alpha: Acorda às seis da manhã, vai para o ginásio, volta toma banho e põe-se linda, acorda as crianças, prepara o pequeno almoço, acorda-vos, leva as crianças à escola, vai trabalhar, à hora de almoço vai buscar as vossas camisas à engomadoria e vai ao cabeleireiro, volta para o trabalho, sai do trabalho, vai buscar as crianças, faz os trabalhos de casa com elas, dá-lhes banho, prepara o jantar, janta, arruma a cozinha, toma um banho e fica linda de morrer para se encostar a vocês no sofá e talvez mais tarde, fazer mais qualquer coisinha. Se conhecerem alguma que trabalhe fora de casa, num trabalho exigente e sem horários que consiga fazer tudo o que eu acabei de dizer, todos os dias, de todos os meses, de todos os anos, encontraram uma super-alpha. Ela é o Yeti das mulheres, é aquela que vocês todos procuram e não encontram. Porquê? Porque ninguém consegue fazer tudo sozinho. No entanto, se pegarem numa das mulheres dos dois tipos anteriores e não se importarem de dar uma mãozinha de vez em quando, aí sim, ela terá forças para ser a vossa super-mulher.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Como poupar ou a lista de coisas que eu devia fazer

Dia 20 de Junho de 2011, no decorrer da crise financeira mundial e no apogeu da crise financeira pós vinda da Troika (que para quem não sabe era uma espécie de carro russo puxado por 3 cavalos), o Sr. José António Saraiva teve a bondade e o desplante de publicar a sua opinião num artigo do jornal Sol, sobre como poupar, cortando as despesas até metade.
Este artigo intitulado "fazer a mesma vida gastando metade", supostamente dirigido à classe média, tinha conselhos tão sábios como os seguintes:

"A propósito de carro, por que não escolher sempre um modelo abaixo daquele que ‘normalmente’ iríamos comprar. Em vez de um Mercedes E, um Mercedes C; em vez de um Audi 6, um Audi 4; e assim sucessivamente. E só falo de carros caros pois é onde se pode poupar mais dinheiro. (ou então comprar um skoda em 2.ª mão) Se formos para o hotel, por que não experimentar um de três ou quatro estrelas em vez de escolher às cegas um de cinco? (ou então um hostel ou até acampar) E, se teimarmos em ir de avião, não custará nada viajar em turística em vez de 1.ª ou Executiva, pelo menos nos voos de duração inferior a três horas. Chega-se ao mesmo tempo e paga-se metade. (também se chega ao mesmo tempo em low cost)"

Como podem concluir, este senhor não faz ideia do que está a falar, muito menos sabe o que é viver com um orçamento de verdadeira classe média. E na sequência da minha indignação, resolvi discorrer sobre o assunto na medida em que é preciso alguém com noção do que é verdadeiramente necessário para gerir um orçamento com ordenados de classe média e contas para pagar. É claro que tenho a noção que, mesmo assim, sou uma privilegiada, tendo em conta que existem muitas famílias que nem orçamento têm para alimentar os filhos. No entanto, e com a ressalva de alguns conselhos poderem ser da mesma forma desadequados a essas famílias, eis minhas medidas para fazer face à crise:

  • Fazer um orçamento e fazer contas ao que se gasta: Muitas vezes, os maiores descontrolos nos orçamentos domésticos decorrem do facto de não sabermos a quantas andamos. A quem já não aconteceu, não querer o talão do multibanco para nem sequer ver a desgraça do saldo e poder viver mais uns tempos na feliz e santa ignorância? Malta, ignorar os problemas não faz com que eles desapareçam. Portanto, toca a pensar e a falar sobre as despesas lá de casa. Se não vivem sozinhos, não contem só com a outra pessoa para tratar de tudo, porque às vezes pode correr mal.
  • Reduzir despesas fixas: Depois de identificadas todas as despesas, é tempo de tentar cortar nas despesas fixas e fazer a distinção do que é verdadeiramente essencial. Não estou a dizer para ficarem apenas com o Pacote Básico da Zon. Se a vossa situação não for trágica ou se os vossos objectivos de poupança não forem elevados, não vos digo para cortarem a Sport Tv ou os Canais de cinema. Porém, se tiverem na iminência da bancarrota acabem já com isso. Liguem para os vossos serviços de televisão, telefone e Internet para negociar um pacote mais barato. Ameacem mudar de operador. Façam qualquer coisa. No meu caso, mudei para a Iris e passei a pagar menos dez euros por mês, para não falar do facto de já não haver Sport Tv lá em casa. Quanto à electricidade, não há nada melhor do que a tarifa bi-horária e fazer máquinas de lavar ao domingo. Também se pode cortar exorbitâncias no seguro do carro. Contacte uma seguradora que não a sua para lhe fazerem uma simulação e vai ver a redução a acontecer. Depois destes cortes vai ver a diferença mensal no orçamento. Mais importante, não gaste a diferença em porcarias, ponha de lado.
  • Não ao crédito: Não contrair créditos, especialmente, quando se tratam de créditos aos consumo, com taxas de juro elevadíssimas. A mesma coisa se aplica a cartões de crédito. Viver com o que não se têm não é vida e os juros são ridículos. Por exemplo, por cada cem euros que levantar a crédito com o seu cartão, paga cerca de 25 euros. Ou seja, se levantar € 400 a crédito, terá de devolver ao banco €500, o que significa 100 euros muito mal gastos. Se já vou tarde demais e já se encontra endividado até ao tutano ainda há solução. Dirija-se ao seu banco e proponha uma consolidação de créditos. O mais provável é que neguem o seu pedido, porque para eles é bem mais rentável cobrarem várias taxas de juros de diferentes empréstimos. E aí dirige-se a outro banco que terá todo o prazer em receber um novo cliente. Das duas uma ou o seu banco se arrepende para não perder o cliente, ou consolida os seus créditos num só banco, mas o resultado será sempre o mesmo, reduzir as suas prestações a metade.

  • Comer bem e barato: Se estão à beira do abismo, não dêem um passo em frente. Isto é, acabaram-se as refeições fora de casa: pequeno almoço, almoço, lanche, jantar e ceia. E encomendar para comer em casa também está proibido. Para os que não estão à beira do abismo, recomendo um passo atrás, isto é, recomendo que também não façam refeições fora de casa e que limitem os jantares em restaurantes a um número pré-definido, um por semana, um por mês, conforme as vossas prioridades e agenda social. Só os cafés, pasteis de nata, rissóis, merendas e croissants aos pequenos-almoços e lanche vão fazer toda a diferença. Não dá muito trabalho ter comida em casa para lá tomar o pequeno-almoço ou fazer uma sandwish para levar para o escritório. Para além de ser mais saudável do que recorrer aos dispensadores automáticos de junk food que permanecem nas copas dos nossos escritórios. No que respeita a almoços, vá almoçar a casa, se tiver oportunidade, ou leve almoço para o escritório. Não tem de se envergonhar. É mais vergonhoso não ter dinheiro para pagar as contas. Relativamente a jantares com amigos, faça-os em casa. Combine com os seus amigos o que é que cada um traz e fica muito mais barato, para além de ser bastante mais intimista e divertido. Quanto à alimentação diária, planeie com antecedência ementas semanais por forma a preparar uma dieta equilibrada composta por refeições económicas e facilitar a preparação listas de compras, que explicaremos a seguir como fazer.

  • Comprar bem e barato: É possível comprar bem e barato. No que diz respeito a detergentes aproveite as promoções (oferta de mais 20 doses ou de mais 30% do produto) e nos produtos mais indiferenciados (detergente para o chão, lixívia, etc) compre marcas brancas. Quanto aos produtos de higiene faça o mesmo e não se esqueça de, sempre que possa, dar preferência ao que é português. Guardanapos e papel higiénico da Renova ou de marca branca se não se puder dar ao luxo (mas marca branca se portuguesa - nisso o Pingo Doce é melhor porque a maior parte dos seus produtos tem código de barra 560). Sabonetes da Feno, Patti e Ach Brito - por muitos considerado um dos melhores do mundo. Tem sempre hipóteses de ajudar a produção nacional, ao mesmo tempo que melhora a sua economia doméstica. Na alimentação passa-se o mesmo. Produtos portugueses ou marca branca Pingo Doce, que é mais barata, os produtos são melhores e maioritariamente portugueses. Se compararmos com o Lidl podemos verificar que os produtos são basicamente do mesmo preço, com a diferença que os produtos de marca branca do Lidl não são portugueses, e a qualidade fica-se, essencialmente, pelos iogurtes. Compre fruta, legumes e outros frescos na época correspondente e a granel. Faça refeições baratas. Dê preferência a carnes brancas que, para além de mais saudáveis, são mais baratas. Aproveite o pão que não come fresco fazendo tostas (no forno), açordas, migas e ensopados. Coma sopa todos os dias, porque dessa forma as refeições principais não precisam de ser em grandes quantidades. Faça massas e arrozes como pratos principais. Receitas de forno, como por exemplo, lombo de porco assado, são baratas e dão para mais de uma refeição. Deixe de beber sumos e refrigerantes. Troque por sumos naturais ou concentrados de fruta. Existem muitas ideias para encher a sua dispensa e alimentar-se de uma forma mais saudável, reduzindo o seu orçamento em metade. Comece a ser racional nas suas compras, use listas e pague em dinheiro. Vai ver que vai notar a diferença.

  • Lazer em versão low cost: Não ter orçamento ou um orçamento para lazer não implica ficar fechados em casa a sete chaves. Hoje em dia, existem várias formas de lazer a custo reduzido ou mesmo a custo zero. Faça o que fizer, não se enfie num centro comercial para passar o tempo, dá sempre mau resultado. Hoje em dia existem iniciativas que promovem os museus da cidade havendo sempre um dia escolhido ou um horário (museus à noite) em que as entradas são gratuitas. Concertos a mesma coisa. Por exemplo, durante o Verão, todos os Domingos, em certos jardins da cidade de Lisboa, realiza-se o Out Jazz com concertos de jazz a custo zero. Como estas existem muitas outras iniciativas do municípios que promovem a cultura a custo zero. Já para não falar das bibliotecas. Pode ainda aproveitar os parque e jardins da sua cidade: faça pic-nics, jogue à bola, faça caminhadas, leve bicicleta ou sente-se à sombra e leia um livro. Ande a pé ou de transportes. Leve comida para a praia e afaste-se dos bares onde os preços são exorbitantes. Deixe de comprar revistas; a maior parte delas têm edições online. Se tiver orçamento para comprar cultura de vez em quando, faça o cartão Fnac, não para usar como cartão de crédito, mas porque com os pontos atribuídos recebe cheques para comprar mais cultura, para além dos descontos constantes em livros, bilheteira e fotografia.

  • Bonita a custo reduzido: Mais uma vez, se está à beira do abismo, vai mesmo ter de deixar de comprar roupa, e sapatos, e carteiras, e restantes acessórios. Caso precise mesmo comprar, dê preferência aos clássicos e às cores neutras - nunca passam de moda e as peças ficam bem umas com as outras. Prefira lojas de roupa baratas - H&M, Primark, Modalfa, Berska, Stradivarius, Blanco, entre outras. Se tiver bom gosto e paciência para procurar ficará igualmente gira a uma miúda vestida na Loja das Meias ou El Corte Inglés. Prefira os saldos e outlets. Aproveite os saldos de fim da estação para comprar artigos que são, normalmente, caros no início, mesmo que só os vá usar no ano seguinte (botas, casacos, gabardines, etc). Aproveite os saldos de verão para comprar presentes de Natal (molduras por exemplo) ou faça os próprios presentes (desde bijutaria a compotas, vale tudo e é bem mais personalizado). Em tempo de crise ninguém se ofende. Voltando à beleza: penteie-se em casa, compre vernizes e arranje as mãos e os pés sozinha, deixe passar mais um mês entre os seus cortes de cabelo regulares, faça a sua própria depilação ou, se puder, invista na depilação definitiva que, a longo prazo, compensa.

  • No poupar está o ganho: Se não tiver hábitos de poupança, está em boa altura para começar. Depois de fazer o seu novo orçamento aplicando algumas das medidas acima definidas, estabeleça um valor que porá de parte todos os meses (sejam € 20 sejam € 200, no fim do ano faz imensa diferença). Para além deste montante, junte tudo o que conseguir poupar no dia a dia, grão a grão.. Não deixe o dinheiro que pôs de parte na mesma conta bancária, porque mais cedo ou mais tarde acaba sempre por desaparecer. Se não tiver o suficiente para fazer uma conta a prazo, ou enquanto espera pelo prazo de reforço, junte o dinheiro em envelopes na gaveta das meias, debaixo do colchão ou no mealheiro. Nos primeiros tempos, o que conseguir poupar não deverá ser utilizado em viagens, roupa ou carros novos. Crie primeiro um fundo de emergência que deverá ter o valor de oito vezes o seu rendimento mensal, que só deverá ser utilizado em caso de doença grave ou despedimento. Este fundo é essencial em tempos de crise em que nada é certo. É claro que poderá fazer mais poupanças paralelas enquanto não atinge o valor desejado no fundo de emergência, mas nunca através da redução do valor que deverá ser posto de parte para esse fim. Depois de criados hábitos de poupança, e de garantida a sua sobrevivência em tempo de crise, comece a poupar cada vez mais para comprar uma casa, para investir, para uma casa de férias, para um carro novo, para um projecto antigo, etc. Tudo será mais fácil e verá os envelopes multiplicarem-se a um ritmo inacreditável.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Balada do Mar Salgado

You may talk the talk Corto, but can you do the walk? No, you certainly cannot...

Qual é a tua palavra?

Já vi o filme e continuo a ler ao livro, aos bocadinhos, para que não acabe já, para poder saborear aos poucos os pedaços de verdadeira sabedoria que a autora transpôs para o papel. Numa passagem do livro Comer, Orar, Amar, a autora indaga sobre qual a palavra que a descreve? Qual a palavra que consegue reunir todas as suas características, que a inspira, que a fascina pela sua sonoridade? Qual é a sua palavra? E chegou à conclusão que a sua palavra era "attraversiamo", do italiano atravessamos. E a escolha não podia ser melhor.

Consequentemente, há vário meses que penso em qual será a minha palavra, qual o vocábulo que me definia há vinte anos, me define hoje, e me definirá daqui a quarenta? E lembrei-me do momento em que, com oito ou nove anos, tive de escolher um totem, nos escuteiros, composto por um animal e uma característica que tivesse a ver comigo. Na altura escolhi "Arara Persistente", arara porque não me calo e é um anagrama e persistente por que sim, porque sou.

Porém, 20 anos mais tarde, concluo que a minha palavra não é persistência, mas Perseverança (dita em português, definida em inglês). Porque, no fundo, é uma persistência com um travo de esperança, com um pedaço de "conseguiste" à mistura. É um "we shall overcame" numa só palavra, é a hortelã de beira de auto-estrada. É nela que penso quando em dificuldades, é isso que repito quando, vezes e vezes sem conta, caio uma e outra vez, da prancha e sou inundada de dúvidas sobre o que sou capaz. Perseverança!! É isso mesmo.

Perseverance: continued steady belief or efforts, withstanding discouragement or difficulty; persistence; steady persistence in a course of action, a purpose, a state,etc., especially in spite of difficulties, obstacles, or discouragement.

Qual é a tua palavra?

Não vale responder no Facebook ou na pausa do(s) cigarro(s)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Crónica fútil ou O momento mais embaraçoso da minha vida

Disclaimer: Prometo que este blog não vai passar a dispôr de artigos sobre o kit que tenho vestido (olhem que gira que eu sou), nem sobre a roupa que comprei, vou comprar, ou quero comprar, como acontece actualmente nos blogs da moda (diga-se, nos blogs com mais visitantes do nosso país). Não vou vender a minha alma em troco de audiências! Mas esta tenho mesmo de contar. Aqui vai:

Como tinha a sensação que não ia ganhar o Euro Milhões dirigi-me, ontem à noite, aos arrabaldes de Lisboa, em busca de uns saldos catitas. Não tinha muito tempo e por isso decidi concentrar-me nas lojas low cost.

Comecei pela Modalfa, que adoro por ser portuguesa, barata e, principalmente, por ter roupa e calçado espectacularmente confortável e giro, não descurando nas tendências. Muito bem, depois de 2 vestidos, 3 tops, 2 pares de sandálias e, inacreditavelmente, apenas, 80 e poucos euros mais tarde, saí toda contente com as minha novas aquisições, e dirigi-me à Primark, pois ouvi dizer que estavam a dar roupa.

Saldos na Primark é das coisas mais inacreditáveis que pode haver. Umas calças de ganga que no começo de época custavam €8 (um balúrdio) em saldos passam a custar €3. Estavam mesmo a dar roupa. Mas é claro, que o meu olho de princesa conseguiu apaixonar-se pela peça mais cara de toda a loja: um vestidinho de couro género Pocahontas sem franjas. Tinha de ser meu!!!

Peguei num e dirige-me aos provadores, onde me apressei a despir o vestido que tinha para experimentar aquela obra prima. Porém, eis que não quando, o pior acontece.

Apesar do vestido não ter muita elasticidade, tinha um fecho eclair nas costas, na medida em que pressupus que tudo ia correr bem.. Errado! Adivinhem onde é que o vestido não passou!? É óbvio, não é? O mais engraçado é que nem sequer forcei.. Desisti imediatamente, com a intenção de trocar por um dois números acima. Porém, era tarde de mais.

Já me tinham contado histórias sobre o quão difícil é de remover uma peça de vestuário de pele, mas nunca tinha acreditado. E não é que com a pressa, correrias, calor, luzes dos provadores comecei a transpirar?.. E não é que a transpiração é tipo água?... E não é que, o vestido ficou preso debaixo dos braços entre as axilas e as maminhas.

Portanto, lá estava eu, no Dolce Vita Tejo, no meio de nenhures, sozinha, com um vestido entalado debaixo dos braços, em cuecas e de barriga à mostra, sem um par de calças que me permitisse sair para poder chamar alguém para me ajudar, a transpirar ainda mais e a hiperventilar, o que fazia com que o vestido se mexesse ainda menos...

MERDA!!!! SOU MESMO BRIDGET!!!!!

Pus a cabeça de fora do provador, enquanto me escondia atrás da cortina, à espera que alguém passasse e durante 30 segundos, que mais pareceram 4 horas e 58 minutos, pensei que teria mesmo de me dirigir à loja, para encontrar alguém que me socorresse. Vergonha alheia própria, aí está... Até que uma Santa Alma apareceu (muuuuuiiiito obrigada Sra. desconhecida mais simpática do mundo) e eu, mostrando apenas a minha cabecinha, pedi-lhe se me fazia o favor de me chamar uma funcionária. Ela chamou, mas a funcionária teria de aguardar que viesse alguém que a substituísse. E a Santa Alma olhou para mim, apercebeu-se do meu ar de pânico e perguntou-me: "mas precisa de ajuda?" Ao que respondi: "sim" ao mesmo tempo que saía de trás da cortina e lhe mostrava a minha triste figura.

Melhor do que me ter soltado do vestido que acabei por levar (dois tamanhos acima, não fosse o diabo tecê-las) o melhor gesto que aquela Santa Senhora fez na vida foi não se ter escangalhado a rir e rebolado no chão quando me viu. Muitttoooo obrigada mais uma vez!!!

E enquanto me dirijo à caixa penso,"não podia ser pior, que vergonha". E chego à caixa, e o cartão não passa. Moral da estória, pode sempre ser pior :)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Diego el Cigala

Ontem, numa noite maravilhosa de Cool Jazz Fest, tive o privilégio de presenciar, da segunda fila, a genialidade deste senhor.
Sempre achei que a banda sonora da minha vida deveria ser composta por músicas de Sting, Ella Fitzgerald, e outras melodias que nos transportam para imagens a preto e branco. E o filme devia ser filmado por Woody Allen, o grande mestre.
Porém, apesar de essa ser a realidade actual do meu filme, que tanto adoro interpretar, cheguei à conclusão que só não me enganei na cor. Descobri ontem que o Flamenco em forma de Tango é-me. Aquilo sou eu... E só com ele serei feliz, apesar de todas as letras que povoam os acordes da guitarra e os clamores da voz de Diego serem de uma tristeza tão profunda só igualável ao Ne me quite Pas. No entanto, a música é de uma alegria e de uma paixão à qual não consigo resistir. E perante este binómio, antagónico ou talvez não, chorei.
Descobri ontem que quero que a minha vida seja a Blanco y Negro, mas ao som de Diego el Cigala. E o realizador terá mesmo de ser Almodovar, que também me percebe tão bem. A pergunta que fica é a seguinte: como é que encaixo o beat do Jazz no salero do Tango e do Flamenco? Talvez tenha chorado por não saber a resposta.
Que te importa que te ame si tu no me quieres ya un amor que ya ha pasado no se debe recordar fui la ilusión de tu vida un dia muy lejano ya y represento un pasado no me puedo conformar si las cosas que uno quiere se pudieran alcanzar si me quisieras lo mismo que veinte años atrás con que tristeza miramos un amor que se nosvaaa es un pedazo del alma que te arrancan sin piedad que te importa que te ame si tu no me quieres ya un amor que ya ha pasado no se debe recordar fui la ilusión de tu vida un dia muy lejano ya y represento un pasado no me puedo conformar si las cosas que uno quiere se pudieran alcanzar si me quisieras lo mismo que veinte años atrás con que tristeza miramos un amor que se nosvaaa es un pedaaazo del alma que te arrancaaaan siiin pieeeeeeeedaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaad

segunda-feira, 4 de julho de 2011

E Deus criou a mulher...Tomo I - A Desesperada

Disclaimer: Este post destina-se a ajudar os homens a compreender mais facilmente a diversidade do sexo feminino. Meninas, o que vou escrever a seguir não tem qualquer intenção de ofender ninguém em particular.. Se se sentirem injuriadas pelas generalizações que vou fazer, paciência.
Como o prometido é devido, eis aqui, em estreia mundial, a minha primeira explicação do bicho mulher. Os homens dizem que não percebem as mulheres porque somos muito complicadas, ao contrário deles, bicho simples e previsível. O problema de falta de compreensão não nasce de sermos mais complicadas, o que não me atrevo a negar e ainda bem que o somos. O problema dos homens nasce na medida em que, ao contrário daqueles - todos farinha do mesmo saco, as mulheres são todas diferentes. Entre farinha integral, com fermento, sem sal, de milho, existem n tipos de mulheres.
Para mais facilmente compreendê-las, é então preciso saber identificar de que tipo de mulher estamos a falar. Para esse efeito, segue infra a descrição dos cinco grandes grupos de mulheres. Porém, há que ter em conta que, mesmo dentro de cada grupo, existem sub-tipos bastante diferentes. Aqui vai o primeiro grande grupo:
As desesperadas

Be afraid men, be very afraid... As desesperadas já foram anteriormente referidas no texto sobre os homens, como as que por vezes acabavam com os Nhós. Mas nem todas.. Traçar um perfil comum a todos os sub-tipos incluídos no grande grupo das desesperadas não é mesmo nada fácil... Qualquer mulher sabe identificar uma desesperada. Mas como é que eu hei-de explicá-las a um homem de forma a que este perceba?

Para começar, para mim, as desesperadas got that look in their eyes. Aquele olhar de quem anda à caça ou em busca de alguém to scavange (esta expressão só funciona em inglês). Passo a explicar:

Em termos estatísticos, por regra, as mulheres só entram em fase de desespero a partir dos 30 anos, apesar de alguns dos sub-tipos se iniciarem mais cedo na arte de caçar. Estas mulheres andam sempre arranjadíssimas, apesar de poderem ser feias. Mas quando à caça, os seus kits e postura ultrapassam as capas da Vogue.

Normalmente, encontram-se sempre a olhar em volta à procura da presa ideal, a que se adeqúe aos seus critérios. Seja a beleza, a conta bancária (por muitas apelidada de segurança), a "sensação" de se sentirem mais amadas (por outras tantas apelidada de estabilidade), logo identificada a característica, estas passam ao ataque.

Não interessa se a presa já tem a sua caçadora em casa à espera, não interessa mesmo nada. Elas não têm nada a ver com os compromissos assumidos pela presa. Portanto, começam o flirt até à exaustão, daquele muito agressivo ou completamente descarado até que a presa ceda, dê um passo em falso, deixe de resistir à tentação que possam representar por um segundo que seja.

Depois de derrubada a presa e a ex-caçadora afastada, é lançado um master-plan de afastamento dos amigos do homem. E é lançada a fase de aculturação. Começam a sair com amigos dela, principalmente, já casados e com filhos. Os encontros entre as famílias repetem-se e de repente, quando menos a presa espera, apesar de todas nós o prevermos, segue-se o momento Ups! Ah e tal.. a pílula não funcionou, o preservativo rompeu, etc, etc. O golpe da Barriga!

E o homem, se Nhó ou Cabrão apaixonado, vai, ajoelha-se e saca do anel como manda a tradição. O Momento de vitória para todas as desesperadas. Nem preciso explicar o que fazem os Filhos da Puta neste momento, pois não? É claro que existem homens normais, que assumem a criança mas que se recusam a casar por esse motivo. Melhor, era mesmo identificarem estas meninas antes de colocarem mais crianças no mundo sob a educação de mulheres que não olham a meios para atingir os fins. Mas pronto...

Dentro deste grande grupo das desesperadas incluíem-se os seguintes sub-tipos:

A Betta-católica: cuja única função na vida é arranjar marido para poder ter os seus piquenos e irem todos à missa aos domingos. Esta chega ao ponto de ir para a faculdade só para encontrar marido, o que não é muito trágico, na medida em que ao segundo filho, deixa de trabalhar. Este tipo de desesperadas normalmente procura alguém com "nome" mesmo que o dinheiro não abunde. Homens: se tiverem dois "éles" ou dois "tês" no nome, tenham mesmo muito cuidado.

A Sonsa: são, para mim, as piores de todas as desesperadas. Aliás, de todas as mulheres. Passam por meninas sérias, de bem. Nunca curtem ou têm one night stands porém, têm mais namorados na caderneta que o somatório de todas as mulheres independentes que conheço. De liana em liana, vão passando, até que consigam roubar o namorado a aguém e que os consigam arrastar ao altar. Têm um trabalho (pois sim, são muito independentes e tal) mas o que elas gostam mesmo é de ler revistas e blogs de moda. A inteligência e o interesse não abunda. Who cares? Mas a característica flagrante de uma sonsa, para além do sorriso amarelo e da voz melosa, é mesmo o facto de olharem de cima abaixo quando passa uma miúda gira e não resistirem a comentar qualquer coisinha.

A Pistoleira: Ora bem, a pistoleira é uma alpinista social. Não estou a falar de self made women, na medida em que não sobem à custa do seu trabalho. Estou a falar daquelas que não dão mesmo uma para a caixa, burras, burras, burras. Zona de ataque: Urban beach, Chafarix, Twins, ou outro qualquer lugar onde a faixa etária ronde os 35/40 anos. Profissão: de preferência nenhuma. MO: dirigem-se a qualquer homem de aliança ou que saibam ter namorada (porque esta é a forma que têm de saber que são "sérios" e são passíveis de compromisso. Chegam-se ao pé deles, abanam o cabelo e sorriem. Para meter conversa normalmente falam do que sabem: horóscopo e respectivas compatibilidades. Depois pedem boleia por estarem bêbadas de mais para conduzir. Logo que consigam caçar otário, arranjam maneira de ficarem de baixa ou serem despedidas para poderem desfrutar a vida de viver de sonho que é viver à conta.

A Puta: Esta é a mulher que não sabe estar sozinha, saltando de namorado em namorado, sem qualquer intervalo. Muitas vezes verifica-se até sobreposição. No início, parece a mulher dos vossos sonhos: linda de morrer, com estilo, não é um génio mas não vos faz passar vergonhas, educada, etc. E vocês apaixonam-se como nunca e decidem que é desta. Mas ela quer mais... Logo que identifica outra presa, que de acordo com os critérios dela seja melhor (mais giro, mais rico, menos exigente, mais enganável) iniciam a caça, enganam-vos, e quando a presa seguinte está assegurada (e só aí) saem da vossa vida como se nada fosse e ainda vos fazem sentir culpados.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

What else!?!

* DISCLAIMER: o conteúdo que se segue contém linguagem imprópria para menores de 18 ou meninas de bem

Neste momento da minha vida em que me encontro a fazer o "rerun" das primeiras temporadas do Lost, voltei a confrontar-me com um dos binómios mais importantes para a vida de qualquer mulher solteira: Homem Nhó v. Homem Cabrão. E a questão que decorre da solução que damos a este binómio também se impõe: Porque é que as mulheres preferem sempre os cabrões?
Quem alguma vez na vida me tenha indagado sobre se os homens são todos iguais ou não, teve a felicidade ou infelicidade de ouvir toda a minha construção teórica sobre o bicho-homem. Não seria uma verdadeira Bridget se não tivesse teoria sobre eles. E mesmo depois de ter já encontrado o meu Mark Darcy (apesar do meu bebé insistir que é o Daniel Cleaver) a minha teoria mantém-se. Passo a explicar:
Os homens são todos iguais. Sim, é um cliché e tal como a maior parte dos clichés, tem fundamento na verdade; eles não nascem por acaso. E ressalvo já que é uma generalização. Sim, eu sei, existem excepções. Porém, sem generalizações não se consegue conversar sobre um grupo ou conjunto de coisas.
Mas apesar de serem todos iguais, os homens dividem-se em três categorias:* o Nhó, o Cabrão e o Filho da Puta.
Ora bem.. O Nhó é aquele com o qual as mulheres se casam a partir do momento em que entram na casa do desespero (dos 30 em diante) ou antes disso, caso tenham tido O desgosto da vida com um cabrão ou filho da puta qualquer. Os Nhós numa relação gostam mais das mulheres do que elas deles. Elas preferem a estabilidade de serem amadas a terem de sofrer tudo outra vez. Eles fazem tudo por elas, adoram-nas, beijam o chão que elas pisam. São paus mandado(s). Isto porque, em regra, se sentem inferiores a elas, e por isso sentem que tiveram a sorte da vida por terem conseguido agarrar aquela mulher tão espectacular (ou não) e fazem tudo o que for preciso para manter o status quo.
Nenhuma mulher, salvo as que referi anteriormente e as nhós, prefere estes homens. A não ser que prefiram a estabilidade e o conforto ao verdadeiro amor. E normalmente são essas as ressabiadas que têm inveja das mulheres que arriscam e que, consequentemente, conseguem ser mais felizes. Mas voltando aos homens.
Passemos aos Filhos da Puta. Ora bem, os Filhos da Puta são os maiores crápulas que vocês podem conhecer. Se os conseguirem identificar (cuidado meninas, porque existem muitos Filhos da Puta disfarçados de Bonus Pater Familiae), afastam-se porque eles nem para ser amigos servem. São esses que dizem que nos amam para nos levarem para a cama e depois fingem não se lembrar sequer de nós quando se voltam a cruzar connosco. Mas entretanto, gabam-se a todos que fizeram e aconteceram. Os Filhos da Puta são os seres mais egocêntricos à face da terra. São aqueles que vos traem com meio mundo, sem qualquer ponta de escrúpulos ou remorsos ou motivo. Simplesmente, porque sim. Be afraid, be very afraid.
Por último, os Cabrões, my favourites. Segue infra o melhor exemplo do espécime em questão.
Joshua Lee Holloway, a.k.a. "Sawyer"
Just too fucking good to be true..
Os Cabrões são, no fundo, um nhó que quer fazer-se passar por filho da puta e não consegue :) São o meu género de Meio Copo, uma média desorientada de extremos antagónicos que, por alguma razão, faz sentido. O Cabrão é aquele que te diz que não quer nada sério contigo antes de te levar para a cama, e tu não acreditas e achas que vais convencê-lo a ficar e depois no fim chamas-lhe filho da puta. Mas nós queremos salvá-lo do sofrimento (sim, porque o Cabrão é sempre um traumatizado) e não resistimos a tentar dar uma de Madre Teresa de Calcutá. E perguntam os Nhós: Mas porquê??? Ao que respondo: Porque um Cabrão, quando se apaixona e te ama de verdade, é a melhor coisa do mundo. Porque ele consegue ser o Nhó que te dá festas e fala a bebé e o Filho da Puta que te sabe virar ao contrário. O pai dos teus filhos e o melhor amante. O que faz amor e o que faz sexo. Nós escolhemos os Cabrões porque, no fundo, para quê escolher quando se pode ter tudo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Meio Copo faz anos!!

Dia 27 de Junho de 2007, iniciei a viagem épica de relatar as minhas divagações, desabafos e teorias, neste lugar que transformei em minha casa. Tudo isto sou eu. Quem me conhece, verdadeiramente, sabe disso.
Mais ou menos assídua, inspirada ou talvez não, tenho vindo aqui, a este ponto de encontro comigo mesma, deixar a minha marca no mundo. Este legado que construo há quatro anos mostra que apesar das enormes mudanças que ocorreram nestes últimos quatro anos continuo a ser-me, inalterada.
Os motivos que inicialmente me levaram a construir esta casa, a ter a necessidade de passar para o papel as divagações que se passeavam na minha cabeça, são outros agora, mas a necessidade mantém-se.
Tudo mudou e tudo parece igual: Acabei o curso, comecei o estágio e já trabalho há três anos e meio, perdi as ilusões, encontrei o homem, saí de casa, perdi o meu avô, ganhei dois cães, perdi 15 quilos, ganhei confiança para ser o que não conseguia ser. Mas leio o meu primeiro post como se o tivesse escrito hoje porque, apesar de tudo sou a mesma que me lembro ser desde que, na minha cama de grades, comecei a encadear pensamentos dispersos e a ansiar o futuro e a desejar cada vez mais e melhor.
Talvez hoje seja mais céptica do que há quatro anos atrás.. Mas o optimismo do copo meio cheio mantém-se inerte, para contrabalaçar o que corre mal. Tenho a certeza que hoje sou muito mais feliz e completa, apesar de conseguir vislumbrar ainda um longo caminho a percorrer.
Obrigada a todos os que fazem ou fizeram parte desta viagem.