quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Perspectivas - Física e Metafísica da Miopia


"Os olhos olham e por verem tão pouco procuram o que deve estar faltando e não encontram."

Quando li esta frase pela primeira vez, na minha primeira incursão por José Saramago, perdida no meio de frases com comprimento digno de um capítulo, parei, imediatamente, para a reler. Tinha 15 anos e estava a ler a Jangada de Pedra, e tudo daquela frase, naquele momento, fazia sentido. Provavelmente, será a frase mais pequena que José Saramago escreveu. E para mim é, sem dúvida, a melhor. Sempre a perspectivei no sentido metafísico da coisa, como o retrato de um busca incansável, apenas movida pela fé e pelo instinto, que se vai repetindo no tempo sem desistência, com a curiosidade de se querer saber o que raio se procura. Ou então, como representação daquelas pessoas que vivem com palas nos olhos e que de tão tacanhas nunca encontrarão a verdade.

Hoje, olho para esta frase num sentido físico, tout court. A minha miopia chegou a um nível impossível de suportar sem auxilio externo. Pareço uma toupeira, mal consigo conduzir à noite, power-points em apresentações nem vê-los, cães pretos à noite no jardim, onde é que eles estão?, e as rugas à volta dos olhos e na testa já começam a aparecer pelo esforço facial que faço para tentar ver melhor. Não dá mais!

Hoje, esta frase representa para mim a evidência de que tenho de ir tratar disto, porque sei que com estes olhos posso olhar o que quiser que  não vou encontrar coisíssima nenhuma. Depois de 9 anos de aparelho, queria estar mais uns tempos sem qualquer apetrecho mas parece que não vai dar. Daqui a duas semanas, o meu nome é caixa-de-óculos. O que vale é que o look Geek está na moda. Já não era sem tempo... 8)

Baldios





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Declaração de amor ou o Segundo Momento mais Embaraçoso da minha Vida

Há quatro anos atrás quando tudo começou nem queria acreditar na minha sorte. Era bom demais para ser verdade. Não que não achasse que não merecia, mas mesmo no amor é preciso sorte, e depois de tanto azar, chegou a minha vez. E a tua.
Hoje, depois da histeria da paixão e com a chegada do amor, da intimidade e da partilha, continuo sem acreditar na minha sorte. Continuo apaixonada pelo melhor amigo que já tive, partilho a minha vida com uma das melhores pessoas que já conheci.
E com a pressa em que vivemos, às vezes não o digo tantas vezes como queria mas sei que o sabes, mesmo quando estou em silêncio. E sei que no meu sonambulismo não sou propriamente criatura mais graciosa que se pode encontrar, mas sei também que sabes que só tenho mau feitio quando não estou em mim.
E por isso hoje, à volta do almoço, quando começou a tocar o Better Men, pensei em ti, cheia de orgulho e de alegria, porque sei que tenho sorte. Porque sei que és The Better Man. E nesta divagação, cantei a letra sem sentido e fiz a minha declaração de amor, ali no carro, à saída do eixo norte-sul. E continuei a cantar até chegar àquela parte em que entra a bateria com toda a força, (Talkin' to herself, there's no one else who needs to know...She tells herself, oh...-pumpumpumpumpumpumpum) momento em que bati com as mãos no volante a simular a grande baterista que podia ter sido, a abanar os ombros como costumamos fazer a dançar e continuei a cantar, concentradíssima, na declaração que te estava a fazer em voz alta, apesar de estar na privacidade do meu carro. Memories back when she was bold and strong And waiting for the world to come along...Swears she knew it, now she swears he's gone..
Ou então não!!!! Apercebi-me que já tinha saído da autoestrada, e estava parada no sinal fechado, local onde decorrem muitas das minhas histórias, a cantar aos altos berros, a fazer caretas e a dançar . Ok, respira fundo, pode ser que ninguém tenha visto. E nisto olho para o carro do lado para ter a certeza que saía incólume de mais um momento Bridget. Mas não tive essa sorte.. Ao meu lado estava um comercial, branco, igual a este:

(um dia hei-de perceber porque é que todos os comerciais são brancos)

Dentro dele, não estava um mas dois senhores que olhavam boquiabertos na direcção do meu carro, denunciando que tinha assistido a todas as minhas figuras. Quando me apercebi disto, desviei rapidamente o olhar, mas já não fui a tempo. Eles soltavam gargalhadas e eu, com as mãos a tapar a cara de vergonha, ri também. E ficámos os três, a rir das minhas figuras, não sabiam eles que era uma declaração de amor. E o sinal nunca mais abria. Até que vi a luz, e acelerei dali para fora, a rir, tal como agora. As coisas que uma pessoa faz por amor.

E isto tudo porque sei que tenho sorte e sei que não encontro, neste mundo, a Better Man!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Lisboa saiu à rua ou a minha incursão pelos 80's

Ontem fomos "namorar" para o concerto de Simple Minds, com direito a um incursão pelos 80's à séria. Não tinha as minhas expectativas super elevadas, na medida em que só conhecia parte da discografia, e só sabia de cor dois ou três refrões. Saímos de casa, já atrasados (o costume) mas sem preocupações já que íamos de mota. No entanto, e surpreendentemente, o trânsito estava um inferno e nem de mota nos safámos, tendo demorado cerca de 20 minutos a chegar ao concerto e que moramos no centro de Lisboa.

O trânsito estava como costuma estar no dia 23 de Dezembro à hora de ponta, quando os carros apressados se amontoam numa marcha lenta a tentar ultimar os derradeiros preparativos. Havia pessoas nas ruas, casais, velhos e novos, grupos de amigos, famílias... Lisboa saiu à rua e nem o frio a impediu. Por isso, apesar do trânsito, enchi-me de uma alegria típica de romântica incurável ao aperceber-me o que o amor leva as pessoas a fazer. Elas só precisam de uma boa desculpa, do género: hoje é dia dos namorados! para quererem sair de casa, jantarem com os amigos, ou simplesmente passearem pelo parque. Os restaurantes estavam cheios e ouvia-se aquele burburinho das conversas e dos risos ao ritmo de uma música que tocava ao longe. Eram os Simple Minds. O concerto já tinha começado.

Apressadamente, entrámos no Coliseu, na sala cheia do Coliseu, como se entrássemos numa espécie de tele-transporte temporal directamente para os anos 80, sem passar pela casa partida. Não eram os penteados, não vi nem uma poupa. Nem os enchumaços, ou aquelas baggy pants, com a cintura por baixo dos ombros, que não ficavam bem a ninguém. A média de idades devia rondar os 40 anos mas em idade mental estavam todos de regresso à adolescência. Dançavam e cantavam exactamente como se vê nos filmes (sim porque nos 80's era nova de mais para ver pessoas dançar). E todos cantavam e aplaudiam enquanto bebiam uma cerveja e passeavam na nostalgia com o sorriso embasbacado de quem se lembra o que era dançar nos 80's.

O Jim Kerr estava no mesmo estado. Apesar do concerto ter tido um intervalo a meio que a idade já não perdoa, o escocês extaseado ainda nos presenteou com um encore. Foi fenomenal. Com os seus "tipical moves" a rodar o microfone sobre a cabeça, a fazer olhinhos e a mandar beijinhos pelo ar às "meninas", moveu as ancas como nenhum homem movia desde 1989. E eu tentei acompanhar e abanei a cabeça e as ancas até ao limiar da dor, ao som de I promised you a miracle, e aplaudi com os braços no ar e assobiei, promises promises. Simplesmente inesquecível. Jim Kerr ganhou mais uma fã.





terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Do amor



O Amor é, para muitos, difícil de descrever e, por vezes, mais difícil de expressar. Esta é a minha tentativa, neste dia que devia ser celebração disto mesmo. Alguma dúvida sobre o que possa ser esta coisa que nos persegue e nos empurra a vida toda, vejam o vídeo.

Have a great Valentine's Day!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Crónica da Almofada

Desde pequena que dorme de cabeça tapada, quer seja Inverno ou Verão. Sempre precisou de se sentir protegida do mundo que existe do lado de fora da cama. As orelhas tapadas para os bichos não entrarem e a boca também, apesar de dormir a fazer biquinho. De olhos fechados para que quem entrasse no seu quarto não soubesse se estava a dormir ou acordada, sendo que normalmente estava acordada, que as insónias sempre foram suas amigas. No entanto sempre sonhou, sempre fez planos, sempre imaginou mundos paralelos do lado de fora da cama em que pudesse ser livre e feliz. E como ainda não era crescida o suficiente para ultrapassar os obstáculos desde sempre visíveis, sonhava então com formas de o fazer, e fazia projectos. A única coisa que a interrompia eram os passos que ouvia a cada vez que encostava a cabeça na almofada, já que a cabeceira da cama estava encostada à janela. pum pum pum pum, ressoavam os passos na gravilha  do caminho enquanto ela indagava quem passeava naquela rua àquelas horas. Seria o homem do saco? Um polícia ou um ladrão? Não sabia e por isso continuava no seu casulo de cobertores e edredons em redor da sua cabeça.

A nova cama também tem a cabeceira encostada à janela mas já não se ouvem passos. Mais tarde descobriu que não eram passos que ouvia quando encostava a orelha na almofada, mas a batida do seu coração a bombear de sangue o seu corpo de menina, enquanto sonhava. Hoje, quando encosta a cabeça, por mais que tente, já não consegue ouvir essa batida. O burburinho das preocupações e das contas de cabeça sobrepõe-se ao silêncio calmo dos sonhos, que continua a sonhar. Já não consegue ouvir o bombear do sangue através do bocado mais sagrado do seu corpo, ouvindo, ao invés o seu respirar em uníssono com o respirar de quem está sempre ali ao lado. Hoje em dia ouve a batida do coração que também é seu, do lado de dentro da cama e já não tem insónias. No entanto, sem se saber porquê, mesmo crescida dorme de cabeça tapada, quer seja Inverno ou Verão.

Dia dos Namorados Low Cost ou Há coisas que não têm preço

Dizem que o Dia dos Namorados, é um dia meramente consumista e tendo a concordar. Não gosto particularmente deste dia. Mas, por outro lado, não me chateia celebrar S. Valentim, essa personagem histórica que punha o amor acima de tudo. E se este dia, é uma desculpa, tão boa como outra qualquer, para se ser romântico, só posso ser a favor. Portanto, se precisam desta desculpa, para darem azo a grandes gestos românticos, amanhã é o dia! Arrisquem, declarem o vosso amor, dêem mais um passo para a vossa felicidade.

Com o dia de São Valentim à porta, ainda há muita gente que não sabe como vai surpreender a cara metade. E em tempos de crise económica, por vezes, não há muito orçamento para programas luxuosos em hotéis e restaurantes de sushi e presentes caros.

Mas há coisas que não têm preço. Um post-it no frigorífico, sms durante o dia, um telefonema amoroso à hora de almoço, não custa mesmo nada. No que respeita à indumentaria, e se não tiveram "tempo" para comprar um kit de langerie novo, lembrem-se que less is more! Quanto ao jantar, deixo-vos com uma ideia simples, muito batida, mas sempre romântica e under € 5. Se a puderem repetir o romantismo durante o resto do ano melhor ainda. Enjoy!!





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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Come on baby light my fire (ou a fadinha dos isqueiros)






Disclaimer: Este post é só para fumadores (e alguns ex-fumadores que não sejam fanáticos). Os fanáticos da saúde, do politicamente correcto, médicos e afins que o leiam, por favor abstenham-se de fazer comentários. Eu sei que fumar mata, faz mal à pele, causa infertilidade, prejudica o feto, emagrece e relaxa. Não precisam de dizer outra vez. Enjoy!

Quem fuma (e quando eu digo quem fuma não me refiro a fumadores de fim-de-semana, fumadores sociais, fumadores de copos, fumadores de cigarros com nicotina inexistente, fumadores de cigarros fininhos que sabem a vento, entre outros que tais; aceito os fumadores de cigarros electrónicos, simplesmente, porque acho amoroso e porque sei que são verdadeiros fumadores em sofrimento) sabe ao que me refiro.

Há semanas assim..
Passo semanas em que compro isqueiros numa base quase diária, e chego a casa ao fim do dia e já não sei deles. Por vezes, de tão farta que estou de comprar isqueiros, chego a levar fósforos ou mesmo o isqueiro de cozinha. Pedir lume seria uma opção se os meus companheiros de fumo levassem isqueiro. Na maior parte das vezes, contam com o meu e quando eu não levo é o desespero. Uma vez disseram-me que a causa dos desaparecimentos cíclicos era uma personagem mítica chamada fadinha dos isqueiros, que por vezes escondia os referidos, para gozar com a nossa cara.

Mas hoje tudo mudou. Consegui contar cinco isqueiros na minha carteira, só hoje de manhã. Parece que a fadinha dos isqueiros se cansou por uns tempos de gozar com a minha cara e começou a devolvê-los, foi de férias ou foi gozar com outro. Cinco isqueiros.. Um estava no carro, outros dois, um em cada bolso de um casaco que não vestia há uns tempos, outro numa gaveta no escritório, e outro roubei lá em casa, de certeza.

Tenho-vos a dizer que nas últimas semanas da minha vida a fadinha esteve muito activa. Do género de estar a tentar acender um cigarro no carro (um dos meus hábitos favoritos) e o único isqueiro que tinha caiu-me da mão para aquele sítio, qual buraco negro, entre o banco do condutor e o travão de mão. É claro que tinha o isqueiro do carro avariado e fui sem fumar até casa. Cheguei a ponderar pedir lume ao carro do lado, nos semáforos, mas contive a minha veia doente.

Longe vão os tempos onde bastava uma senhora remexer na sua carteira que vinham dez cavalheiros de isqueiro em punho. Uma senhora nunca precisava sequer de pedir lume, este era-lhe oferecido de uma forma encantadora e paternalista. É verdade que pedir lume é sempre uma óptima forma de iniciar uma conversa com um desconhecido. Acredito que o acto de fumar, principalmente, nos últimos tempos, em que somos obrigados a encarneirar à porta dos edifícios e restaurantes para o fazer, deve ter sido motor, ou pelo menos ignição, de bastantes relações duradouras.

Um homem a fumar pode ser sexy, mas uma mulher a fumar, é ainda mais. Há qualquer coisa de rebeldia e de estatuto que se juntam num cigarro. Obviamente, que não não comecei a fumar para o estilo, sem travar, nas festas de liceu. Comprei um maço e comecei a fumar às escondidas, dos meus amigos, dentro do próprio liceu. E travava e sabia-me tão bem.. Ainda hoje sabe. Cada cigarro que fumo sabe-me quase tão bem como o primeiro, o melhor de todos, aquele que nos chega a arranhar a alma. As minhas amigas dizem-me que lhes dou vontade de fumar, porque fumo sempre com prazer. É um facto. Um para acordar, dois a seguir a cada café, a conduzir, a seguir ao almoço, ao jantar, 10 em cada conversa, dois a seguir a cada momento especial. Tenho sempre a necessidade de aliar os prazeres da vida com um cigarro. Para ficarem ainda melhores. E os momentos difíceis também. E fumar enquanto ando debaixo de chuva miudinha, tão bom (mesmo sabendo que uma senhora não fuma a andar, ou por isso mesmo).

A verdade é só uma: o sonho de um verdadeiro fumador não é conseguir deixar de fumar, é que fumar não mate! E se não nos levar à falência, entretanto, ainda melhor!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Momento Bridget ou como chegar atrasada a um concerto imperdível

Hoje à noite, no programa Palcos, da RTP2, passa o concerto do Jamie Cullum no Hipódromo de Cascais. Cheguei a esse concerto, já ia a meio, porque jantei pouco sossegada no restaurante da moda a confiar que a primeira parte de Luísa Sobral, começava à hora indicada no bilhete, e não uma hora e meia antes. Mas tive um pressentimento, e deixei o meu namorado a jantar com os nossos amigos, não comi sobremesa (para verem o que gosto de Jamie Cullum) e fiz-me ao caminho.



Cheguei à entrada, e mostrei o bilhete ao segurança que me diz em forma de gracejo: Está quase a acabar! Ia morrendo. Até hoje só faltei a um concerto de Jamie Cullum em Portugal (o de Albufeira). Não podia perder aquele. Eram onze e um quarto da noite e o concerto tinha começado às dez. Comecei a correr. Quando finalmente cheguei, e apesar de os meus bilhetes serem para um óptimo lugar, não quis estar a incomodar ninguém. A adrenalina não me permitia sentar. Então fiquei do lado esquerdo, em pé no relvado, em frente ao ecrã gigante. E o concerto durou até à meia-noite e meia.



Quando as pessoas começaram a levantar-se e a juntar-se ao palco, corri e fiz o mesmo. Conclusão: o jamie sentou-se no palco com as suas perninhas curtas, mesmo à minha frente. Acabou por ser um concerto maravilhoso.



Em suma, hoje vou ver a RTP2 para presenciar a 1.ª parte do concerto que perdi. Com sorte (ou não) pode ser que apareça e que fique com o registo histórico de um dos nossos encontros. Um dia conto-vos o outro.





P.S.: Dedico este post à minha querida amiga Iva, que sempre me acompanhou nesta idolatria, e que hoje está mesmo a precisar. Um beijo gigante amiga! E ainda um agradecimento muito especial à APR que que informou da programação.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Top 5: Les meilleurs chansons Française

Porque não um Top 5 de música francesa? Melhor, de música francófona, não vá nenhum dos compositores das músicas escolhidas ter nascido na Argélia. Existem os clássicos e as mais recentes e as reinterpretações de músicas que não nos saem dos ouvidos e de letras que não nos entram na cabeça. Não gosto particularmente dos Franceses, não são propriamente o povo mais afável, apesar de serem dos povos mais românticos. Mas a língua deles é magnifica e o país também. Lembro-me sempre das paisagens lilases da Provença no verão com muito mais rapidez e carinho do que a luminosidade cinzenta de Paris. Deve ser porque Paris tem mais franceses por metro quadrado. Mas é de realçar que se faz muito boa música, por lá, de vez em quando e por isso decidi fazer este Top 5. Espero não deixar nenhuma música importante de fora, mas aviso já que não vou incluir o "tous les garcons" apesar de ser, provavelmente, a única música francesa que sei de cor, de uma ponta à outra. Viva os dias do francês do ciclo preparatório de Caxias! Bem, vamos a isto: 


1# Ne me quites pas - Jacques Brel
(e todas as outras cantadas por ele)

2# La Javanaise -  Serge Gainsbourg - por Madeleine Peyroux
(esta senhora é canadiana mas a música é francesa)

3# Dans ma rue - Edith Piaf - por ZAZ
(a menina das rastas tem futuro)

4# Je ne veux pas travailler- Edith Piaf
(idem idem, aspas aspas do que foi dito no 1#)

5# Quelqu'un m'a dit - Primeira dama Carla Bruni
(a música institucional)





O nosso kit sobrevivência à Bancarrota



E se o nosso sistema financeiro desabasse? E se os bancos congelassem o nosso dinheiro por tempo indeterminado? Como é que comprariam comida ou abasteceriam o carro? Será que o desespero levaria a assaltos nos supermercados, violência nas ruas, paralisia total da produção, racionamento, fome?  Já pensaram nisso?

Será que este cenário será assim tão impossível? Não sou pessimista, e não querendo ser alarmista, mas já o sendo, apresento-vos o nosso Kit Bancarrota:

- Poupar o máximo antes que chegue a calamidade;
- Ter dinheiro em casa (para o caso de o dinheiro, nessa altura ainda valer alguma coisa, sempre dá para sobreviver nos primeiros tempos);
- Fazer um stach de mercearias para ter comida em casa durante uns tempos;
- Para quem fume, um stach de volumes de cigarros;
- Não andar com o carro na reserva (lembram-se das filas nas bombas de gasolina aquando daquela greve de poucos dias na refinaria de Sines?).

Mulher prevenida vale por duas :)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Talvez seja por isto que a palavra "original" me encanita...



"Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic.

Authenticity is invaluable; originality is non-existent. And don't bother concealing your thievery - celabrate it if you feel like it. In any case, always remember what Jean-Luc Godard said: "It's not where you take things from - it's whereyou take them to""



- Jim Jarmusch

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Last Weekend Movies or the Couple to be





Foi com grande alegria que soube, há uns meses, que Rachel e Craig tinham casado. Ambos britânicos, ambos excelentes actores, ambos de uma beleza discreta assustadora. Às vezes tudo parece fazer sentido, e cada vez mais me convenço disso.

Sábado à noite fui ao cinema ver Millenium 1 - The girl with the dragon tatto, com Daniel Craig e no domingo vimos, finalmente, o Ágora, com Rachel Weisz, que já estava gravado na box há não sei quantos meses. E dado que foi um fim-de-semana Weisz-Craig pareceu-me o momento apropriado para fazer o meu elogio a ambos.

A Rachel Weisz sempre foi a minha actriz preferida. Não sei bem explicar porquê, ou talvez saiba. Se antes de eu nascer, Deus me tivesse perguntado: Inês, Inês (na bíblia Deus chama sempre duas vezes) que cara queres para ti? - eu tinha escolhido a dela. Mas ninguém me perguntou nada e aqui estou eu cheia de inveja boa em relação a esta senhora. Para além disso, em todos os papeis que interpreta, ela consegue sempre transmitir uma serenidade e força com o seu olhar, ao mesmo tempo que nos presentei com o seu sorriso sempre meigo. Londrina, descendente de judeus, austro-hungaros (leia-se: mãe Austriaca e pai Hungaro), sempre foi encorajada a seguir a sua arte. Começou como modelo, mas durante o seu curso universitário, de Literatura Inglesa em Cambridge, descobriu o teatro. Eu olho para ela e só vejo uma mulher inteligente, bonita, perfeita, um pouco à imagem da personagem que interpreta no filme Ágora, de uma mulher, filósofa num mundo de homens, independente nos seus ideais. Espero nunca conhecê-la porque a realidade nunca poderá chegar aos calcanhares da Rachel que criei na minha cabeça.

O Daniel Craig é o James Bond! E podíamos ficar por aqui, mas não. Comecei por estranhar mas, certamente, já entranhei a ideia do Daniel Craig como James Bond. Ao mesmo tempo que tem um ar  duro, podia perfeitamente, passar por príncipe da Dinamarca, ou país nórdico afim. E casou com a Rachel, portanto, burro não é de certeza. Pais de origem galesa, jogador de rugby por uns tempos, Criag também iniciou a sua vida artística no teatro. E depois de o ter visto a interpretar o jornalista sueco, personagem principal do Millenium 1 - The girl with the dragon tatto, ele conseguiu crescer ainda mais na minha consideração. Para além das suas qualidades interpretivas, mais fáceis de apurar do que nas interpretações do James Bond, ele é mesmo lindo de morrer. Mesmo o meu género. Na maior parte das cenas, Craig ostenta um ar doente, pálido, com olheiras, despenteado e com barba por fazer, acabado de sair da cama, cenário que podia ser trágico para qualquer um. Mas este senhor consegue ostentar o seu charme mesmo com a aparência de ter saído do degredo.
  
Mas o melhor desta match-made-in-heaven, é que eles não são o típico casal Hollywodesco. Nada contra os Brandgelinas e Tomcats desta vida. Mas estes senhores têm classe. Vivem a sua vidinha, com uns looks sempre super descontraídos mas sem descurar no estilo. São recatados e levam a sua vida pessoal de forma simples (para o género de vida que podiam ter) fora dos ecrãs e evitando as luzes e o escândalo de quem vive na ribalta. Without a doubt, the couple to be. Or at least, to envy.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Momento Bridget ou tentativa falhada de interrupção de cópula canina


(Fotografia de há um ano atrás. Que o meu Zé não é pedófilo)

Era mais uma sexta feira, daquelas sextas feiras com tanto trabalho que desejamos que fosse quinta. Tinha acordado mais cedo para chegar mais cedo ao escritório que no dia anterior tinha saído de lá às onze e não estava com vontade de repetir. Assim, dei água aos cães, dei-lhes comida, tomei banho rapidamente, vesti-me, sequei o cabelo e até me maquilhei. Eram nove da manhã e estava pronta para sair de casa.

De repente, ouvi o rugido da Concha, seguido de um ganir assustado, que me fez olhar para trás. Era o Zé a tentar (julgava eu) fazer meninos, como tem tentado, sem sucesso, desde há muito tempo. Chamei-o, para ver se ele parava com aquilo, mas desta vez ele não parou. Então, dirige-me a ele para o "educar", mas ele continuou. Decidi passar à acção. Enquanto puxava o Zé, por um lado, tentava afastar a Concha com um dos meus pés, por outro. Mas sem resultado. Comecei aos berros na esperança que os meus guinchos histéricos surtissem efeito. Mas nada. O único efeito foi o namorado, que saiu da casa de banho para saber quem estava a matar quem.

Quando chegou ao pé de mim a indagar o porquê da histeria expliquei-lhe que não conseguia separá-los e pedi-lhe ajuda. Ao que ele respondeu qualquer coisa como "mas ele já conseguiu?" ao que eu respondi sem certeza, "penso que sim". "Então não há nada a fazer" retorquiu ele, "prepara-te para ter cachorrinhos". "Como assim não há nada a fazer?" perguntei eu incrédula.

E aí começou a aula de biologia canina. Diz que o órgão sexual dos cães incha a um ponto, que faz com que fiquem acoplados durante bastante tempo. E não há nada a fazer senão esperar que passe para os desacoplar. Eu que vejo National Geographic repetidamente, já conhecia esta prática, utilizada em várias espécies, mas nunca me passou pela cabeça que os canídeos fizessem parte desse grupo. Esta decorrência biológica do órgão masculino canídeo permite que, (i) se tenha a certeza (ou quase a certeza - ainda tenho alguma réstia de esperança) que a fêmea é fertilizada; e (ii) se tenha a certeza que os pequenos são dele. Isto é, enquanto ele está lá preso, impede outro macho de tentar fecundar a fêmea. 

Existe uma forma de provocar o desacoplamento: água. Tipo um balde de água ou mangueirada permitiria que o dito órgão desinchasse e que a minha querida cadela se conseguisse soltar. Porém, como estávamos no meio da sala, achei que não era a melhor das ideias.

Por isso a única solução era ficar à espera, impávida e serena, e presenciar a violação da minha ursinha, prepertada pelo meu querido cão. E enquanto ela olhava para mim com um ar de quem diz "por favor, tira-me daqui" e tentava fugir, o Zé seguia-a e continuava tudo na mesma. Na minha impotência fui tirar um café. E a cadela continuava a queixar-se de dores, já que já estavam virados rabo-com-rabo. O único acto de amor ali era o facto de as caudas estarem entrelaçadas. O resto era apenas dor e aflição. E nisto passou-se cerca de meia hora, durante a qual fiz o que pude para acalmar a malta. Cada vez que me movia, a Concha vinha atrás de mim, com o Zé a reboque. Portanto, ali fiquei, à espera que passasse.

Eis que não quando, a empregada entra em casa, e os cães desatam em histeria, como de costume, para a irem cumprimentar. Pareciam siameses unidos pelo rabo a tentarem ambos irem pelo mesmo lado. Nisto a Concha vira-se para o mesmo lado que o Zé, o que provocou um uivo de dor ao cão, que a atirou ao chão para que a dor parasse, mas a dor só piorou, à medida em que se entrelaçavam ainda mais. Até que, num esticão mais violento, desacoplaram-se finalmente.

Pormenores sórdidos à parte, separei os cães, expliquei o sucedido à empregada em pânico e saí de casa às dez para as dez a pensar o que irei fazer à ninhada que possivelmente nascerá em 60 dias. Conclusão, vou ser avó em dois meses, isto tudo porque me distraí por dois segundos. Há manhãs assim.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Top 5: Canções de "Engate"

Sabem quando vivem aquela histeria em que ainda nada aconteceu mas existe um mundo de possibilidades? Todos já passámos por isto.  A maior parte das vezes, não sei porquê, há música a passar. Talvez seja um síndrome de Cinderela, em que julgamos que os príncipes só podem ser encontrados num baile.

Ou se está num bar ou discoteca, num casamento, mesmo em casa depois de um jantar nervoso a dois. E chega aquele momento em que estamos em pé, a dançar ou não,e  em que pensamos que numa boa forma de facilitar / antecipar o beijo, e a conclusão é sempre a mesma: podia agora dar aquela música!

Em que música(s) pensaram? O que vos peço hoje, é que dêem o vosso melhor e partilhem connosco as músicas mais sexy de sempre, aquelas músicas perfeitas para aquele momento que antecede o clímax do primeiro beijo. Não vos peço que me contem as "vossas" músicas, que não pretendo devassar a vossa intimidade. Peço-vos apenas as músicas que poriam na cena de "engate" de um filme cuja banda sonora estivesse a vosso cargo.

Eis a escolha da casa:

1# Let's get it on - Marvin Gaye



 
2# Sexual healing - By Ben Harper

 

3# Please Don't Stop the music - By Jamie Cullum


 

4# I'm your man - Leonard Cohen



5# Señorita -  Justin Timberlake
(Eu pecadora me confesso - não gozar!)



Momento Bridget ou a minha vida dava um filme de Woody Allen




"Death doesn't really worry me that much, I'm not frightened about it... I just don't want to be there when it happens"

A semana passada foi um tanto ao quanto banal, com imenso trabalho, nada a assinalar. No entanto, a minha sexta-feira foi tirada de um filme de Woody Allen. Saí da cama ainda a dormir e fui alimentar os "meus" cães. Para mim, esse é um momento importante do dia dado que é a única altura em que eles dependem de mim para alguma coisa, porque nas outras alturas eu bem posso dizer senta cem vezes, e puxar a trela e dizer junto, que eles não estão nem aí. Dizem que é porque não sou o macho alfa da família. No entanto, nada que eu faça, desde falar com voz grossa a largar a depilação adianta. Até acho que os cães se riem de mim. Mas não era sobre o facto de não impor respeito aos meus cães que vinha aqui falar, apesar de eles serem o motor de muitos momentos Bridget assinaláveis.

Onde é que eu ía.. ah, fui a dormir dar de comida aos cães. Ora, a comida está guardada na dispensa, no fundo da dispensa, onde o tecto é significativamente mais baixo. Porém, na sexta-feira, bati com a cabeça na parte da parede que desce, com toda a força, como se a parede nunca tivesse estado lá. Pura e simplesmente, não me baixei o suficiente. Normalmente, isto acontece-me quando estou de saltos, na medida em que a variação drástica de alturas não me permite aferir ao certo a distância das coisas ou quanto é que me tenho de baixar. Ser uma toupeira e precisar de mudar de óculos também não ajuda, eu sei. Mas desta vez, não tive desculpa. Estava mesmo só a dormir.

Ao bater com a cabeça, soltei um grito que assustou os meus cães que deram três passos para trás com medo de mim. Parece que só consigo ser o alfa quando grito de dor. A cabeça ganhou automaticamente um alto gigantesco. E pensei: ainda bem que não foi no occipital!

Resumindo, fiquei o dia inteiro cheia de dores, a avisar toda a gente o que me tinha acontecido, para poderem avisar o INEM do que se tinha passado, caso caísse inanimada no chão. E de hora a hora, nasciam-me sintomas, que apesar de saber serem psicosomáticos, não havia maneira de passarem. Desde náuseas a tonturas, tive tudo.

Quando finalmente o galo já cantava baixinho, ao ponto de já não ouvir mais do que um pequeno murmurar, cheguei a casa ao fim do dia, cheia de fome e comecei a fazer o jantar. Decidi fazer o meu risotto de limão. Comecei por raspar a casca do limão, espremê-lo, e depois de vários processos a explicar num blog à parte, provei o risotto, para poder acertar os temperos. O risotto estava amargo!! Não sei se do tipo de limão ou do facto de ter juntado limão a mais, estava amargo ao ponto do quase insuportável. Resolvi juntar açúcar e mais sal e pimenta. E umas ervas. Continuava amargo. Voltei a juntar açúcar, uma e outra vez. Transformei o risotto em qualquer coisa indescritível. Não comemos o risotto de tão mau que estava e eu estou proibida de fazer risotto de limão até para o ano. O meu querido risotto de limão, acompanhamento perfeito de vieiras saltadas em cama de legumes ou mesmo de uns simples rissóis de camarão. Tive vontade de chorar.

E assim, apesar de ser uma semana sem nada de especial a assinalar, a minha banal sexta-feira teve todos os pormenores de uma Bridget, num filme de Woody Allen, à excepção de não se passar em Nove Iorque. Teria tido muito mais graça. Há dias assim...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Top 5: Recent male Singer-songwriters

Na senda do filme Alta Fidelidade, e dado o meu amor à música, inicio hoje, perante vós meus caros 12 leitores diários, uma nova rúbrica em que escolho os meus Fab-5 de uma dada categoria. Podia ter começado pelo Top 5 de Love Songs ou pelo Top 5 Jazz Standards, mas não era a mesma coisa, e preciso de mais tempo para catalogar e classificar as músicas nesses tops, que o Mack the Knife ainda anda à bulha com L-o-v-e, em busca de um lugar ao sol.

Escolhi este tipo musical na sequência de mais uma preciosidade que descobri anteontem* , em mais uma banda-sonora. Preciosidade essa que inseri, imediatamente, na gaveta dos Cantores / Compositores. Apesar desta gaveta poder abarcar todos os géneros musicais, normalmente fica-se pelo folk, indie, soul, country e rock, sendo que só abarca música anglófona. Sim, porque se o compositor vier do Brasil nunca entrará nesta gaveta. Irá, em vez disso, para a gaveta da bossa ou do mpb, forró, choro ou mesmo para recycle bin, entre outros, mas nunca para a gaveta dos Singer-songwriters, que a sonoridade é outra.

Deste modo, e caracterizada a gaveta de hoje, eis o meu TOP 5 dos mais recentes Singer-songwriters do sexo masculino (os da velha escola, tipo Cohen ou Cash, ou os clássicos tipo Jeff Buckley terão uma categoria à parte):

Damien Rice


Eddie Vedder



Ben Howard


Xavier Rudd


Ray Lamontagne*



Já agora, peço gentilmente à minha dúzia de leitores diários que comentem, deixem a vossa opinião, dêem ideias para outros Top's ou contem-me o vosso próprio Top 5 de Male Singer-songwriters. (Pelo menos tu, Verne ;)). Através do Meio-copo, não do FB, para ficar perpetuado. Desde já agradecida. Yours Truly