Desde sempre somos confrontados com binómios antagónicos: O Bem e o Mal, o peso e a leveza do nosso amigo Kundera, o quente e o frio, o ser e o não ser... Mas toda a minha vida o binómio que se apresentou mais complicado de resolver foi o que opõe as diversas perspectivas de a encarar: o copo meio cheio ou meio vazio. Mas será que a escolha resolverá alguma coisa? É que, no fundo e apesar do livre arbítrio, a vida será sempre o meio copo que, incansavelmente, tentamos encher...
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Time time time
quarta-feira, 12 de março de 2008
Lisboa no Lusco-Fusco
Lisboa é linda a todas as horas, é um facto!
À noite com as luzes, com o burburinho das conversas que se acumulam nas ruas, com os brindes de copos cheios aos dias que hão-de vir melhores, com as festas que se sucedem e se misturam, com o dia de trabalho que ficou para trás, com olhares cheios de promessas...
Ao amanhecer com o cheiro a fresco da esperança de um novo dia, com o sol que insiste na repetição de nascer todos os dias, com a calma e silêncio e a paz que precede a tormenta, com aquela luz que faz tudo parecer melhor, com o chilrear dos pássaros em forma de despertador...
Mas ao entardecer, no lusco-fusco, esse momento tão efémero e difícil de agarrar, Lisboa transforma-se na cena de um filme vencedor do Óscar de melhor fotografia e certamente de melhor banda-sonora, aquela que passa na nossa cabeça (porque tudo o que é belo tem de ter música a acompanhar para ficar ainda melhor). Lisboa nestes cinco/sete minutos ganha uma cor que não se vê em mais nenhum momento do dia. O dia de trabalho acaba, a noite ainda não começou, a luz do sol ainda se vê mas as luzes da cidade já se acenderam e o céu veste-se de cores festivas antes do fato escuro, o dress code de todas as noites.
Se apanharem este momento parem por favor! Fiquem em silêncio e respirem fundo e tentem absorver com os olhos tudo o que a cidade tem para vos mostrar. Têm cinco/sete minutos... Aproveitem-os bem!
quarta-feira, 5 de março de 2008
Come Fly With me....
O dia acordou. Levantou-se na ponta dos pés e viu o mundo ainda deitado com os sonhos e encantações da noite. Subiu aos montes, deslizou pelas colinas e escorreu para a cidade apressado. Apagou os candeeiros das ruas, esganou sombras escondidas nos pátios e nas esquinas, e depois de repartir pelos humanos angústias e problemas encarregou-os de o levar até ao fim. Depois deu pela minha ausência (estava ainda no meio do sonhoa negociar uma felicidade), abriu a minha janela fechada e com todo o seu peso caiu sobre mim interrompendo as negociações.
(Kiki Dimoulá trad. do grego por Manuel Resende)
Hello Stranger... So I'm awake now and my window is already wide open... Come and get me then. I'm waiting for you to take me on a fly...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Só de Sacanagem...
Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.' Vamo pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quizer, vai dar pra mudar o final!
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
O Porquê do Feminismo (parte III)
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Happy Friday!
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Livre Trânsito...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Ser Feliz...
- Sair de casa de manhã cedo e sentir o cheiro do orvalho e da terra molhada;
- O cheiro do mar a qualquer hora do dia;
- O cheiro do café acabado de fazer;
- Fumar um cigarro debaixo de chuva miúda (aquela que me molha como parva que sou);
- Conduzir rápido mas sem pressas em direcção ao inesperado;
- Cantar (de preferência bem);
- Sentir um arrepio quando se ouve o uníssono num concerto;
- O calor do sol num dia claro de Inverno;
- Sentir o sal nos lábios e no cabelo quando acabo de sair do mar;
- Quando se riem à gargalhada de uma piada que eu contei;
- Um gelado do Santini (meloa, morango e noz);
- Beber uma coca-cola quando estou morta de sede;
- Quando num mergulho a onda me penteia o cabelo;
- As luzes da cidade;
- O brilho das bolas vermelhas de uma árvore de Natal;
- A simpatia de uma pessoa desconhecida;
- Aquele olhar;
- Aquele beijo;
- Aquele abraço...
Entre outras coisas a que mais tarde voltarei. Mas já viram?!... Eu até sou feliz!
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
UNINSPIRED....
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Jazz it up Ella!
Ultimamente, tenho ocupado muitas horas da minha desocupação a ouvir jazz. Ou é no Lux às quartas, ou no Hot às quintas, ou mesmo no meu mp3 a qualquer disa da semana. Apesar de estar a diversificar o tipo de jazz que oiço Ella continua a ser a minha preferida. Eu costumo dizer que tudo o que eu queria na vida era ter um décimo da voz da rainha do scat. Como isso não é possivel, até inventarem cirurgias plásticas às cordas vocais, resta me ouvir, que já não é pouco. Porque enquanto que há vozes que são um instrumento, há quem tenha orquestras dentro da voz. Obrigada Ella
terça-feira, 9 de outubro de 2007
A insustentável leveza do ser!

"En nuestra vida como en la paleta de pintor sólo hay un color que dá sentido a la vida y la arte: el color del amor" Marc Chagall
Quanto à cor do amor não sei...
Mas sei que as cores que Chagall utiliza em cada devaneio pictórico me fazem sorrir e que o seu surrealismo naif me faz acreditar, mesmo que por pouco tempo.
E gosto da ideia de poder voar, de ter asas, de ser leve... mesmo que a longo prazo seja insustentável.
Porque até os pássaros têm de ter um ninho ao qual possam regressar... Porque não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe!
Between...
I'm between wanting love and giving up
Yes, suddenly, I'm thinking about it too much
The problem is all hope is fading away
And I don't know if that road isn't the best way
'Cause, if I believe I'm sure I'm going to be hurted
But if I don't I miss the chance of ever Know
What is all about...
There is no right or wrong
I just can't choose at all
It's not about not wanting to be loved
But I just can't be in love again with somebody who's not
It's easiar to live my life without the wait
That I suspect could be in vain
'Cause if I believe I sure I'm going to regret
But if I don't I'll miss the joy I've never had
Oh tell me, what it's all about
There is no right or wrong
I just can't choose at all
I am in between
I crave a thing I can't believe
And every time I hear a song
My heart doesn't know which way to go
Like in a crossroad
That doesn't appear in the map
Left or right, right or wrong
I think I'm going front
Without knowing what it's all about
There is no right or wrong
I just can't choose at all
Don't know which way to choose
But in between I'll loose
sábado, 29 de setembro de 2007
O porquê do feminismo (parte II)
Warren Jeffs, chefe de um culto religioso poligamico no Utah, foi condenado por cumplicidade numa violação na medida em que obrigou uma menor de 14 anos a casar com o seu primo direito de 19.
A vítima, actualmente com 21 anos, fez uma declaração onde postulou a igualdade entre os homens e as mulheres, apelando a que estas não deixassem subjugar a sua liberdade pessoal à vontade de um homem.
Apesar se não ter conseguido obter o filme da mesma declaração, deixo-vos aqui a notícia, em segunda mão, de modo a reiterar a necessidade de ainda actualmente ser indespensável o feminismo, agradecendo à vítima em causa por ter feito ouvir a sua voz!
“I became a feminist as an alternative to becoming a masochist.” Não foi dito pela vitima mas bem o podia ter sido. Se quiserem saber mais sobre o feminismo vão a http://www.vencidaseultrajadas.blogspot.com/
domingo, 23 de setembro de 2007
Jamie Cullum London Skies, Warehouse Version: A Música!
Ah... Há que referir que o último post não foi pura especulação, nem baseado em boatos de sites de groupies! Foi o Próprio JC que contou a história no concerto dele do cool Jazz Fest do ano passado, na cidadela de Cascais. Grande Concerto...
Jamie Cullum London Skies: Warehouse Version ou Como as divergências climatéricas afectam uma relação!
Paint a picture Clear cut and pale on a cold winters day Shapes and cool light wonder the streets like an army of strays On a cold winters day
Will you let me romanticize The beauty in our London skies You know the sunlight always shines Behind the clouds of London skies
Patient moments chill to the bone under infinite grey Vision hindered mist settling low like a ghostly ballet On a cold winter's day
Will you let me romanticize The beauty in our London skies You know the sunlight always shines Behind the clouds of London skies
Nothing is certain except everything you know can change Worship the sun but now Can you fall for the rain
Will you let me romanticize The beauty in our London skies You know the sunlight always shines Behind the clouds of London skies
Nada melhor que esta música para falar sobre as diferentes perspectivas que as pessoas têm sobre a vida.
Neste caso, JC tinha uma namorada brazileira descontente com o clima cinzento de Londres. JC, o romântico do costume pedia-lhe que reparasse no sol que brilha por trás das nuvens.
Aqui temos o exemplo de um copo meio vazio (a miuda que estando com o JC reclama do tempo) e o copo meio cheio (o JC que acredita no amor e pede-lhe o impossivel- ver o sol através do fog londrino).
O meio copo é que divergências climatéricas e distâncias inter continentais não são boas para uma relação!
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Sonhar...
Entenda-se que me refiro ao sonhar dormindo, porque o sonhar acordado, apesar de ser um bom entretenimento, traz sempre o dissabor agridoce de saber que o fazemos, precisamente, porque o nosso desejo dificilmente se cumprirá...
Mas o sonhar dormindo é o motivo que me leva a tentar dormir noite após noite.
Em primeiro, porque só somos verdadeiramente livres quando estamos a sonhar. Sem imposições, sem restrições, sem culpa e sem comando vamos navegando num mundo paralelo onde a realidade se mistura com o surrealismo formando uma mescla muitas vezes injustificável à luz do nosso consciente.
Em segundo, porque o dissabor da improbabilidade do cumprimento não nos assombra. Como não tivemos escolha, gostamos de pensar que esse sonho pode ser augúrio de algo bom que está para vir, como se se tratasse de uma espécie de premonição.
Por último, pelo acordar feliz que se segue a um sonho bom porque pelo menos por umas horas ou uns minutos fomos felizes.
Quanto aos pesadelos... Bem, esses servem para nos recordar que não podemos dormir para sempre!
domingo, 16 de setembro de 2007
Simpsoniza-te!
Isto de não ter nada que fazer tem muito que se lhe diga... Quando o dia tem horas a mais para preencher é sinal que algo está errado.
Então, para matar o tédio procuramos o que fazer com ânsias de nos sentirmos uteis ou pelo menos para não nos sentirmos aborrecidos. Nestas alturas dorme-se demais, come-se demais, joga-se solitarie spider como se nos preparassemos para o campeonato mundial dos tristes, vê-se fox life como se não houvesse amanhã. E o tédio não passa...
Por isso, aqui deixo o link http://www.simpsonizeme.com para os que como eu procuram o que fazer no longo decurso das horas do dia e também para os que apesar de quase não terem tempo gostam de sorrir de vez em quando. Basta carregar uma fotografia vossa fazendo os ajustes necessários para entrar no mundo fantástico dos simpsons com a vossa própria personagem.
Quem é que não quer um alter ego amarelo?
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Vanessa da Mata ft Ben Harper: Boa Sorte/ Good Luck
Para acabar com a falta de inspiração que forçou um intervalo neste blog nada melhor que esta música. Sim, porque no final de contas toda a gente precisa de meio copo de boa sorte!
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Todos os dias são de partida para o lugar onde nunca me vejo chegar...
Vou-me dividir em partes... A parte do que sou no agora, que fica para trás, e a parte do que serei nos dias que se aproximam, já que nunca somos os mesmos em cada lugar. No regresso (sim, porque toda a partida implica um regresso) da soma das duas partes resultará um eu diferente que um dia também será parcela da soma de um regresso qualquer.
Vou-me quebrar... O caco de mim que não interessa vai ficar na gaveta à espera da reconstrução. E com a liberdade de estar aos pedaços parto leve em busca de peças alternativas que possam cá encaixar.
Vou sair... Porque a casa tem tempo para esperar por mim e eu não tenho tempo para ficar à espera. Vou deixar o que conheço em direcção ao inesperado porque a monotonia cansa e o trabalho doi.
Mas vou voltar... Porque tanto a partida como o regresso fazem parte do eterno retorno que é a vida (ou que devia ser). E Porque uma sem a outra deixava de fazer sentido e perder-se-ia a doçura do dia de amanhã.