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quarta-feira, 8 de março de 2017

Às que desistiram e às que ainda estão na luta: Feliz dia da mulher!





Nunca te pedi flores, não foi isso que falhou. Pedi-te respeito, atenção, amor até, mas flores não.


Pedi-te que não me exigisses mais do que exiges a ti próprio, pedi-te que fosses equipa em vez de patrão, pedi-te que te lembrasses que dar valor às pequenas coisas do dia-a-dia que vou resolvendo por nós em vez de as tomares como algo adquirido e, bem vistas as coisas, sempre insuficiente.


Se não gosto de flores? Claro que gosto de fores, se não fossem usadas como contrição das tuas falhas. Se fossem apenas flores, claro que tinha gostado. Mas as flores perecem e daqui a duas semanas, depois de mortas, já não existirá mais nada para nos recordar desse teu grande gesto para equilibrar os pratos da balança ou para agradecer o esforço a mais que faço pela equipa.


Porque é que o faço? Bem, duas razões: a primeira é porque se não o fizer, tu não fazes e dás-te ao luxo de declarar a mulher incompetente que sou pelo facto da casa estar assim, a má mãe que sou porque me demorei mais tempo no trabalho, ou a desleixada que sou porque deixei de ir ao ginásio ou porque já nem me esforço para te agradar, que eu antes, no princípio, não era assim. A primeira razão é de facto já não querer mais discutir e ser mais uma vez criticada pelo facto de não preencher todos os critérios de ser uma boa mulher. Eu sou melhor mulher do que tu és homem e vens outra vez com esse ramo de flores como se apagasse todo um ano de críticas infundadas.


A segunda razão pela qual assumo o governo da casa e dos filhos quando esse trabalho deveria ser para uma aldeia inteira e não para uma pessoa sozinha que, no meio disso tudo, ainda tem de encontrar 10 a 12 horas livres para trabalhar, sem esperança de alguma vez ganhar o mesmo que tu, é porque eu fui educada exatamente da mesma forma que tu. Na minha casa também tudo aparecia feito, roupa lavada, comida deliciosa. Também tenho isso como ideal. Tudo impecável. E na minha casa, era uma mulher que tratava de tudo e eu sinto-me culpada por não conseguir fazer igual. Sinto-me estupidamente culpada. E tu que usas essa minha culpa contra mim e criticas, mesmo que silenciosamente, a minha insuficiência todos os dias, hoje que é dia da mulher, vens me com flores?


Logo hoje que me sinto tão culpada por me sentir culpada. Eu sei que não tenho qualquer culpa. O paradigma mudou. Ambos trabalhamos fora de casa desde que à mulher foi reconhecida a existência de cérebro, o que depois do reconhecimento da alma foi uma grande evolução civilizacional. Somos inteligentes, multifacetadas, muitas vezes até melhores que os homens que nos rodeiam, mas isso é melhor que não reparem, para não se sentirem ameaçados. Vivo rodeada de mulheres que se diminuem para não afastar os homens, porque ninguém quer estar ao lado de mulher com opiniões.


Tu fazes ideia o que eu já ouvi na vida pelo facto de ser mulher??? E eu nem sou das que mais padeço com esta condição. Talvez devesse deixar de resistir, eu sei, parar de lutar e resignar-me como a maioria. Tratar eu de tudo, prejudicar a minha progressão de carreira, já mais difícil à partida e faltar eu, mais uma vez, para levá-los ao médico. Talvez devesse deixar-me destas coisas de dizer que sou feminista. Até porque as mulheres, deste cantinho latino da Europa, ainda acham que as feministas ou são lésbicas ou cabras que não fazem a depilação.


Talvez devesse esquecer as meninas que à nascença são afogadas na Índia, ou as que são sujeitas a excisão genital na adolescência, as crianças que são obrigadas a casar, as mulheres que vivem sem possibilidade de decidir o seu destino sem autorização do marido, as meninas a quem não é permitido estudar. Talvez devesse esquecer-me de tudo isso e assumir de uma vez por todas o papel que esta sociedade escolheu para mim, resignar-me e dizer, como as outras, que não sou feminista, justificando com o facto de o feminismo já não ser necessário. Estou exausta e se calhar é o melhor que tenho a fazer...


Nunca te pedi flores, mas obrigada, as flores são lindas e agradeço o gesto, mas a sua insuficiência é de uma atrocidade tal que não me consegui calar. Desculpa lá ter explodido assim. Sim, se calhar são as hormonas ou outra coisa qualquer daquelas que só as mulheres têm de suportar. Deve ser isso. Deixa-te estar no sofá, vou buscar uma jarra.

 


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Dos homens e do casamento



Casamento: União, tendencialmente eterna, firmada através do compromisso, entre duas pessoas (homem-mulher, homem-homem, mulher-mulher), que pretendam constituir uma família, numa comunhão de amor e vida.  

Este é o meu conceito de casamento, independentemente de ser civil ou religioso. O religioso prende-se mais com a validação da união por Deus e perante a comunidade. O civil, mais contratual, centra-se nos efeitos sociais e patrimoniais, efeitos que coexistem no casamento religioso. Mas independente da forma escolhida o mais importante é o compromisso de amor e respeito assumido pela união subjacente, ou pelo menos devia ser.

Toda a gente quer um festa óptima, ninguém nega. Mas o fundamento para esse passo não pode ser a festa, ou o é suposto, é o que esperam de mim, ou é agora ou fico sozinha, entre outros motivos que não o fundamental. Se não se imaginarem o resto da vossa vida com a pessoa que agora está ao vosso lado, não se casem.Tudo bem que existe divórcio, mas os casamentos celebrados de ânimo leve contarão para as estatísticas que deprimem qualquer pessoa séria que esteja a pensar em casar-se e a culpa é de quem se casa só porque é giro.

Normalmente, aplico a máxima sobre a amizade de Vinicius de Moraes  ao amor: os amigos não se fazem, reconhecem-se. E o que é a pessoa amada que não o melhor amigo? Não digo que o amor só aparece quando menos esperarem, e muito menos digo para deixarem de procurar. Procurem até reconhecer em outra pessoa o/a vosso(a) companheiro(a) de viagem. E após o reconhecimento mútuo, dêem graças pela vossa sorte, não se percam nunca e amem para sempre. E amem tudo porque se não amarem tudo não é amor. E sem amor a vida que se repete entre dias iguais e outras complicações é impossível de caminhar.  Sem amor é impossível que um casamento dure a vida toda, a não ser que vivam em continentes diferentes. Sem amor é impossível mudar fraldas ao outro. 

Apesar de acreditar que o casamento deverá ser uma união tendencialmente eterna, tenho como modelo de homem o próprio do Vinicius de Moraes, que casou nove vezes. No entanto, acreditou sempre que era para toda a vida, amando cada uma delas como se fosse a primeira e a última. Sem medo, tudo fez para viver a plenitude do amor.

Muitos meninos que me lêem dão-me, com certeza, razão: muitos homens têm problemas de compromisso e quando se fala em casamento, é vê-los correr na direcção oposta. Por outro lado,  qualquer mulher que caiba no estereótipo de mulher romântica, desde os cinco anos que planeia o seu casamento. Exageros à parte, esta disparidade de sentimentos entre sexos em relação ao mesmo assunto, sempre existiu. E foi preciso fazer 28 anos para descobrir uma estória (o que é um bocado chocante na medida em que o meu cérebro é uma manta de retalhos gigante de factos inúteis fora do contexto quiz), sobre essa mesma dificuldade dos homens, que terá ocorrido no século V, de acordo com Maria Guedes, do blog Stylista:



Segundo a tradição, na Irlanda do século V, Santa Brígida queixou-se a S. Patrício que as mulheres esperavam demasiado tempo para serem pedidas em casamento. Para remediar a situação, S. Patrício resolveu autorizar que as mulheres pedissem os homens em casamento, mas apenas nos dias 29 de Fevereiro, ou seja, de 4 em 4 anos.


O que se retira daqui, para além de também eu ler blogs de moda, é que esta dificuldade / demora dos homens sempre existiu. O que fazer em relação a isso? Será boa ideia aproveitar o dia 29 de Fevereiro e tratar do assunto do pedido, em vez de ficar à espera? O que fazer?

Se o vosso namorado é daqueles que tem medo do compromisso aconselho-vos a não pedir. Não é que eles fossem dizer que não. Provavelmente não o fariam. Mas anos mais tarde, iam sentir que tinham sido pressionados a fazê-lo, esquecendo-se que no momento do casamento também disseram que sim. Este tipo de homem, a casar, precisa de pedir a amada em casamento. Precisa de ponderar cada ponto, pôr em causa cada certeza e nesse processo de decisão apaixonar-se e ganhar coragem para dar esse passo. Se forem vocês a pedir ele vai julgar que foi empurrado. Se der o passo sozinho, terá a certeza que não foi e cada vez que quiser pôr tudo em causa, recordar-se-á desse processo que atravessou e de todas as razões para vos amar.

Por outro lado, se o vosso namorado nasceu para o compromisso, e acham que ainda não vos fez o pedido por falta de dinheiro, por precisar de tempo para organizar uma surpresa em grande ou por outra razão qualquer, não vejo razão para não o fazerem. A tradição não é razão suficiente para fazer esperar o casamento. Arrisquem ou esperem pelo próximo ano bissexto.


*Post dedicado aos nubentes de hoje e às corajosas de 29 de Fevereiro.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Come on baby light my fire (ou a fadinha dos isqueiros)






Disclaimer: Este post é só para fumadores (e alguns ex-fumadores que não sejam fanáticos). Os fanáticos da saúde, do politicamente correcto, médicos e afins que o leiam, por favor abstenham-se de fazer comentários. Eu sei que fumar mata, faz mal à pele, causa infertilidade, prejudica o feto, emagrece e relaxa. Não precisam de dizer outra vez. Enjoy!

Quem fuma (e quando eu digo quem fuma não me refiro a fumadores de fim-de-semana, fumadores sociais, fumadores de copos, fumadores de cigarros com nicotina inexistente, fumadores de cigarros fininhos que sabem a vento, entre outros que tais; aceito os fumadores de cigarros electrónicos, simplesmente, porque acho amoroso e porque sei que são verdadeiros fumadores em sofrimento) sabe ao que me refiro.

Há semanas assim..
Passo semanas em que compro isqueiros numa base quase diária, e chego a casa ao fim do dia e já não sei deles. Por vezes, de tão farta que estou de comprar isqueiros, chego a levar fósforos ou mesmo o isqueiro de cozinha. Pedir lume seria uma opção se os meus companheiros de fumo levassem isqueiro. Na maior parte das vezes, contam com o meu e quando eu não levo é o desespero. Uma vez disseram-me que a causa dos desaparecimentos cíclicos era uma personagem mítica chamada fadinha dos isqueiros, que por vezes escondia os referidos, para gozar com a nossa cara.

Mas hoje tudo mudou. Consegui contar cinco isqueiros na minha carteira, só hoje de manhã. Parece que a fadinha dos isqueiros se cansou por uns tempos de gozar com a minha cara e começou a devolvê-los, foi de férias ou foi gozar com outro. Cinco isqueiros.. Um estava no carro, outros dois, um em cada bolso de um casaco que não vestia há uns tempos, outro numa gaveta no escritório, e outro roubei lá em casa, de certeza.

Tenho-vos a dizer que nas últimas semanas da minha vida a fadinha esteve muito activa. Do género de estar a tentar acender um cigarro no carro (um dos meus hábitos favoritos) e o único isqueiro que tinha caiu-me da mão para aquele sítio, qual buraco negro, entre o banco do condutor e o travão de mão. É claro que tinha o isqueiro do carro avariado e fui sem fumar até casa. Cheguei a ponderar pedir lume ao carro do lado, nos semáforos, mas contive a minha veia doente.

Longe vão os tempos onde bastava uma senhora remexer na sua carteira que vinham dez cavalheiros de isqueiro em punho. Uma senhora nunca precisava sequer de pedir lume, este era-lhe oferecido de uma forma encantadora e paternalista. É verdade que pedir lume é sempre uma óptima forma de iniciar uma conversa com um desconhecido. Acredito que o acto de fumar, principalmente, nos últimos tempos, em que somos obrigados a encarneirar à porta dos edifícios e restaurantes para o fazer, deve ter sido motor, ou pelo menos ignição, de bastantes relações duradouras.

Um homem a fumar pode ser sexy, mas uma mulher a fumar, é ainda mais. Há qualquer coisa de rebeldia e de estatuto que se juntam num cigarro. Obviamente, que não não comecei a fumar para o estilo, sem travar, nas festas de liceu. Comprei um maço e comecei a fumar às escondidas, dos meus amigos, dentro do próprio liceu. E travava e sabia-me tão bem.. Ainda hoje sabe. Cada cigarro que fumo sabe-me quase tão bem como o primeiro, o melhor de todos, aquele que nos chega a arranhar a alma. As minhas amigas dizem-me que lhes dou vontade de fumar, porque fumo sempre com prazer. É um facto. Um para acordar, dois a seguir a cada café, a conduzir, a seguir ao almoço, ao jantar, 10 em cada conversa, dois a seguir a cada momento especial. Tenho sempre a necessidade de aliar os prazeres da vida com um cigarro. Para ficarem ainda melhores. E os momentos difíceis também. E fumar enquanto ando debaixo de chuva miudinha, tão bom (mesmo sabendo que uma senhora não fuma a andar, ou por isso mesmo).

A verdade é só uma: o sonho de um verdadeiro fumador não é conseguir deixar de fumar, é que fumar não mate! E se não nos levar à falência, entretanto, ainda melhor!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Como esquecer alguém (Parte II)

3. Fazer uma fogueira e queimar os despojos: Não dá para viver rodeada das coisas que ele deixou, dos bilhetinhos ou sms que nos escreveu, das fotografias, emolduradas na nossa alma, parede ou telemovel. Enquanto não conseguimos tirar a imagem embutida na alma, há que arrancar das paredes todas as marcar e premir a tecla delete as vezes que forem necessárias. Faça-se um magusto e salte-se a fogueira desses despojos. Eu levo isqueiro. Prometo comparecer e festejar. E depois até podemos arranjar um lugar bonito para depositar as cinzas (talvez um fossa, ou coisa do género). Queime-se tudo, rasgue-se mais. Só custa mesmo começar mas depois o alívio é maior. E com as lágrimas que caiem, caiem também os sonhos despedaçados que insistíamos em guardar... Esta medida é dura, das mais duras mas é também, a mais eficaz.




4. Emigrar: Se tiverem possibilidade de o fazer, não pensem duas vezes. Emigrar é fugir com classe porque temos sempre uma óptima desculpa, como um mestrado ou um emprego importantíssimo. "Estás a ver como não preciso de ti para nada? Estás a ver o quão independente e livre sou?" Oh yeah, é esse o sentimento. E se puderem escolher, vão para longe, sendo que longe é o suficientemente afastado para necessitarmos de um voo intercontinental para chegar lá. Conheçam novas pessoas por forma a relembrarem o que já não sabiam: há tanta gente no mundo espectacular: homens e mulheres que valem a pena conhecer e que não vão desperdiçar o nosso tempo, mas sim, dar-nos instrumentos para a vida. É claro que se for para um sitio quentinho e paradisíaco, ajuda ainda mais! E eu vou ficar ainda mais contente quando vos fizer uma visita.




(to be continued...)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Como esquecer alguém (Parte I)

Este texto já foi escrito por Miguel Esteves Cardoso e não tenho pretensões de fazer melhor. Tenho apenas ideias a acrescentar, que penso poderem ajudar those in need (vocês sabem quem são: os de coração apertado e lágrima fácil, nos últimos tempos). Como daquelas pessoas que choram por osmose, por não aguentar ver mais tristeza nos olhos de quem é meu, tenho todo o interesse em que sigam estes conselhos não solicitados.
O MEC diz com razão que se tem de esquecer devagar, não há outra forma, que isto do esquecer depressa não funciona e, normalmente, dá mau resultado. Portanto, os conselhos de amiga que aqui deixo são para se manterem no tempo, na lentidão dos dias que passam ainda mais devagar para os que sofrem de saudade e incompreensão. São para ir fazendo, sem desistência, todos os dias, durante muito tempo, até que se esqueçam porque o fazem.

Tudo isto ajuda, evita que piore, eu sei lá.. Nunca tive jeito para esquecer quem amo e por isso sei pelo que passam agora, na incredulidade de quem não sabe como vão conseguir. Mas sei que estes conselhos me ajudaram, e tornaram o caminho mais fácil, quando foi preciso. Assim, desejo-vos toda a força do mundo, sabendo que estou à distância de um telefonema. This too shall pass é um bom mantra para entoarem mentalmente nesta maratona. Agora, só falta porem-se ao caminho.

1.   Mudar a discografia: É imprescindivel! Não dá para continuar a ouvir os cds que ambos partilharam e não dá para arriscar ouvir rádio e apanhar a vossa música pelo caminho.. é logo um dia que fica todo estragado. Portanto, falem com vossos amigos e perguntem o que é que eles andam a ouvir. Experimentem música nova, mas que estejam dispostos a perder durante uns tempos. Nestas alturas, não dá para ouvir o CD preferido porque vão perder as suas músicas durante muito tempo. Já todos perdemos músicas, músicas que foram nossas e que agora já não conseguimos ouvir... Umas são recuperáveis mas outras, pela impenetrável conexão que têm com as memórias que não se querem ter, perdem-se para sempre.. E por isto, música étnica é, para mim, a melhor opção. Traz-nos o calor de lugares distantes, num ritmo animado e numa língua imperceptível.. ideal para não começarmos a fazer conexões entre a letra e a nossa vida.



2.   Cortar o cabelo: Esta é, normalmente, a primeira medida a tomar quando desejamos mudar de vida, ser diferentes do que somos e, por isso, é das coisas mais adequadas para fazer em época de sofrimento. Nesta época, não nos reconhecemos, nem reconhecemos a nossa vida, portanto uma mudança razoavelmente radical pode ser um óptimo alicerce para o desconhecimento instalado. A mudança na aparência traz consigo uma aparência de mudança, e de fora para dentro, a mudança vai acontecer. Tudo começa com um bom corte de cabelo.. Sim, tem de ser bom.. Cortes de cabelo auto-destrutivos estão proibidos nesta fase (nada de rapar ou pintar de azul). Por isso, larguem a tesoura de cozinha que já estava na vossa mão e vão-se por bonitas.




(To be continued)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Das dores de Alma

Disclaimer: Não estou a insinuar que os homens não tenham dores de alma, mas este post é dirigido especificamente às mulheres da minha vida, minhas amigas e outras que tais, que sofrem, neste momento por amor. Minhas queridas, venho aqui hoje tentar animar-vos, por um lado, e dar-vos um bocadinho mais na cabeça, por outro.

Sobre as dores de Alma, tão profundas como as que se instalaram há uns tempos no vosso peito, há muito para dizer. Dizer-vos: I've been there, I've done that, não vos ajuda em nada, mas credencia-me para o que vou dizer a seguir.

Este tipo de dor é a pior de todas as dores que alguém pode ter. Não tem uma cura óbvia ou milagrosa e não vai lá com comprimidos. A única coisa que ajuda a amenizar essa dor é o tempo, que escolhe, nessas alturas, correr estupidamente devagar.

Mas antes de a dor ser passível de desvanecer com o tempo tem de haver a aceitação da situação, a desistência, o ignorar a sua existência, dependendo de cada caso. E até lá, o peso que há no peito é cada vez maior e apertado, e a garganta fecha-se por dentro, expulsando o ar  apenas através de convulsões de choro tidas entre rápidos percursos de carro ou na almofada escondida nos lençóis.

Até que a dor seja passível de desvanecer com o tempo, há que obrigar o corpo a sair da cama, todos os dias, de volta para um mundo que já não faz sentido. Por enquanto. Porque vai voltar a fazer.

Esta dor invisível que quase mata é provocada por desapontamento, incredulidade, atordoamento e perda. E a perda é a que provoca maiores dores. Ao princípio, como qualquer amputado, não acreditamos na perda, negamo-la porque a perda não é justa e não faz sentido. A raiva só vem depois, como rede que leva tudo por arrastão, e por fim leva a dor também e desvanece-se.

Porquê eu? O que é que preciso fazer para o ter e volta? O que é que eu fiz de errado? As respostas tardam sempre porque não há respostas dessas no amor. O amor não se escolhe, não é o que costumam dizer? Eles também não escolheram. Simplesmente a paixão passou e não revelou o amor na sua passagem. Não é pessoal, não tem nada a ver com vocês. It's not you it's them. O problema não está em vocês, não há nada de errado convosco. Simplesmente, o amor não aconteceu ou desvaneceu-se de forma aleatória, fora do vosso controlo. A única solução é por os pés aos caminho e seguir viagem para um local ameno, onde nos acolham e recebam de braços abertos.

Uma amiga minha falava-me numa associação de apoio a mulheres que amam de mais, porque caiem vezes e vezes sem conta no erro de amar alguém errado.  Mas só o conceito de amar de mais me apoquenta. Não se ama mais nem menos, que o amor não tem medida. Ou se ama tudo ou não se ama, de todo. O problema não está na entrega de corpo e alma. Está no receptor dessa entrega preciosa, que não teve discernimento para reparar no valor da carga.

Meninas, o nosso grande problema é um meio-copo de auto-estima. Falta de auto-estima, por um lado, porque acham que não merecem ser felizes, porque homens porreiros nem pensar. São uma seca, não dão pica, já ouvi de tudo. Sabem qual a minha resposta para isso: querem adrenalina façam desportos radicais, não brinquem com a vossa vida. Por outro lado, excesso de auto-estima porque acham sempre que vão ser vocês a mudá-lo. Os filhos da puta, são filhos da puta toda a vida. Os cabrões têm remédio, mas têm de ser eles a ser curados. Este tipo de meio-copo de auto-estima é uma mistura explosiva que vos faz cair no mesmo erro, over and over again.

Todas mulheres já amaram alguém errado. É um mal comum, é um defeito que nos persegue e contra o qual temos lutar com todas as nossas forças. Há que gostar de quem nos faz bem, de quem nos faz feliz. Não interessa gostar de alguém que cumpre os requisitos da nossa ideia de felicidade, corrompida por critérios aleatórios e comédias românticas, e depois passamos a vida numa sucessão de momentos infelizes atrás do cumprimento daquele ideal.

Serem "betos", ou baixos, ou mais novos é um obstáculo mental que têm de ultrapassar. Não se esqueçam que o preconceito que têm para os outros, pode virar-se contra vós e podem ser afastadas por critérios tão falíveis como, não gosto das tuas orelhas. O que é que o amor tem que ver com alturas ou com idades, ou com formas de vestir. Tirem as palas e vejam as oportunidades que se vos apresentam todos os dias, e façam por ser felizes.

E agora, para conclusão do motivational speech, oiçam a música da Carminho, que canta no tom certo, a atitude a manter nesta época de dores de alma.
 
(A foto montagem é péssima mas não encontrei melhor. Para ouvir de olhos fechados)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mas enquanto não começo a estudar... Mais uma fútil: Uma questão de estilo

Já ouvi críticas ao meu estilo de vestir.. e quem não ouviu que atire a primeira pedra. Mas é o meu estilo, é a minha cara e dificilmente o mudarei sem sentir que estou mascarada. Pode dizer-se que é um estilo ecléctico e descontraído. Principalmente, descontraído, como eu.
Por vezes tenho uma ponta de inveja das fashionistas deste mundo. Adoraria andar sempre sem um cabelo fora do sítio, só vestir roupa da última estação, com os kits todos preparados e sem falhas, as mãos sempre perfeitas. Aprecio o facto de estarem sempre impecáveis, e isso tem de lhes ser reconhecido. É claro que nem todas acertam no bom gosto mas não se pode ter tudo. Mas falta-me tempo, dinheiro, disponibilidade mental e paciência, portanto, de vez em quando ando despenteada, sem maquilhagem, com as calças com pelo de cão.. e no entanto, sinto-me bem assim.. Mas mais que tudo, odeio o facto o de que o ar clean que tanto almejo implique tantas camadas de cosmética.
Não gosto de modas/pragas tipo pandoras, elettas de todas as cores, pulseiras do equilíbrio, dos anjos da guarda, anéis da ck, etc. Não é que sejam feios, mas irrita-me andar igual à manada só porque há a teoria de se não andarmos não somos de bem. Não me podia estar mais a marimbar para isso.
Eu gosto de básicos, prefiro lisos aos estampados, cores neutras misturadas com um toque de outra cor qualquer, mas primordialmente, neutros! Gosto da Chanel. Gosto de vestir preto, branco, bege e caqui. Gosto do estilo aviador da Amelia, e do náutico do Corto Maltese, e o colonial/safari da Pandora e de animal prints e cornucópias. Algum étnico à mistura de um hippie chic a dar para o surfista. Gosto de havaianas no verão, botas no inverno, ugg (das básicas), saltos altos compensados porque meço 1,6m, de calções e calças de ganga. Gosto de mini saias e vestidos clássicos como os da Audrie ou da Jackie. Gosto de clássicos. E misturo tudo isto num certo desalinho que me é. Tudo isto sou eu, não sei ser outra forma. Quem gosta adora, quem não gosta destesta. É a vida. Mas não vou mudar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Mulheres e carros ou à procura de um buraco onde me enfiar

Tudo começou num momento Bridget há uns tempos atrás, quando parada no sinal fechado, o condutor do carro vizinho começou a tentar meter conversa, o que ignorei olimpicamente, como qualquer senhora de bom tom. Porém, o senhor queria apenas avisar-me que tinha os pneus da frente bastante vazios. Agradeci a insistência, envergonhada por tê-lo ignorado durante tantos segundos. Desse momento Bridget para o momento de hoje passaram-se cerca de dois meses, mas dado que tenho de fazer uma viagem grande nos próximos tempos, resolvi encher os pneus.

No que respeita a carros, nem me costumo incluir no estereótipo de mulher que nem pôr gasolina sabe, mas obviamente que chamo a assistência se for preciso mudar um pneu. Mas sei o que é um relanti, um alternador, um disco, entre outros. Nada como ter conduzido um clássico (ou chaço para os amigos) durante 5 anos. E sempre que não sei, pergunto. Mesmo no outro dia disse ao meu namorado que o carburador estava a fazer um barulho estranho, tal como o meu carro antigo fazia. Porém, o meu carro novo é a gasóleo. Shame on me! (para as mulheres e homens que não perceberam fica a informação que os carros a gasóleo não têm carburador!)

Mas não era isto que vinha aqui contar. Ora bem, encher os pneus... Não tem nada que saber:

  • Abre-se a tampinha do depósito, onde aparece a informação sobre a pressão dos pneus [2.3 nos da frente e 2.1 nos de trás, tendo em conta que o carro vai meio cheio]: Check!
  • Marcar a referida pressão na maquineta: Check!
  • Tirar a tampinha do pipo (pareço uma deficiente a falar, credo) dos pneus e sujar as mãos todas porque não nos apercebemos no facto de existirem luvas fornecidas para o desempenho desta tarefa: Check!
  • Pegar num dos tubos à disposição colocá-lo no pipo: Check!!

E eis que não quando, o ar não sai! Volto a olhar para a maquineta que continua impávida e serena, espeto melhor o tubo e não acontece nada!! E antes de ter tempo de poder formular qualquer raciocínio que me levasse a uma conclusão sobre o que é que se estava a passar, aproxima-se de mim, mais uma alma caridosa desta vida que me diz com muita calma: Não é esse tubo..ãh.. isso é o tubo da água... a mangueira..

Atrapalhada lá agradeci e desempenhei a tarefa de olhos no chão (à procura de um lugar para me esconder), e de cócoras em cima dos saltos e de vestido tigresse, desempenhei a tarefa o mais rápido que pude e saí dali. Não sei se a figura mais triste que fiz foi enfiar a mangueira no pipo ou foi ter ataques de riso (daqueles em que até se chora) em espasmos, no caminho de volta ao escritório, sozinha no carro.

Os agradecimentos àquela alma caridosa nunca são de mais, principalmente, porque a alma caridosa era um homem, que não rolou no chão a rir enquanto me dava a informação preciosa sobre a troca dos tubos. Sim, é possível.. Saravá alminha da bomba da Galp de Queijas.

Os espasmos continuam, e ainda tenho resquícios de óleo nas mãos.. Vou-me lembrar desta durante muito tempo...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

E Deus criou as mulheres - Tomo III: As Encalhadas

Disclaimer: Generalizações, mais uma vez (sim, eu sei) e não quero ofender ninguém, pelo menos neste caso. Conheço muitas, já fui uma delas.. Eu sei que muitas estão sozinhas por escolha e vivem muito bem assim. "Spinster" is just a word, ok?

Continuando a descrição e classificação exaustiva de todos os tipos de mulheres, segue abaixo a enciclopédia sobre mais um grande grupo de mulheres, As Encalhadas. Estando em plena wedding season, penso ser esta a época ideal para explicar aos homens os vários tipos de encalhadas e desmistificar o preconceito. E explicar às mulheres, maxime às encalhadas, o que é que andam a fazer de errado. Ou não.

As Encalhadas

So much too say, so little time... Em primeiro lugar, impõem-se informar: ser encalhada é diferente de estar solteira. Ser encalhada é uma questão de espírito, estar solteira é uma fase de transição. Homens, tenham atenção a estas mulheres porque muitas delas são verdadeiros tesouros a descobrir e vocês devem estar mortinhos para descobrir o ouro. Para as encontrarem é muito fácil: num casamento, são aquelas que nem vão tentar apanhar o bouquet dirigindo-se subtilmente para a mesa dos brigadeiros ou colocam-se estrategicamente no fim da multidão de mulheres aos saltos ao ritmo de "all the single ladies" de Beyonce. Eu também não costumo ir, é um facto.. but old habbits die hard.

Encalhada não é sinónimo de feia. Algumas delas são, certo, mas definitivamente não são sinónimos. Muitas delas, simplesmente, continuam à espera do príncipe encantado, e esquecem-se de ver que o Rei está ao lado delas. Muitas delas, são tão exigentes nos critérios que criaram nas suas cabeças, que nunca encontrarão ninguém. Muitas delas não procuram. Limitam-se a lamentar o seu triste fado de tia, num grupo de amigos fechado, onde nunca se conhece ninguém de novo, encarnando e aceitando tranquilamente que será assim para sempre.

Muitas têm um óptimo sentido de humor, são óptimas com crianças e são péssimas, mas péssimas na arte do flirt. Como não estão habituadas, nem sabem o que está a acontecer e quando se apercebem ou é tarde de mais ou ficam tão histéricas que estragam tudo. Muitas delas estão um farrapo, escondidas por baixo de gordura, sapatos rasos, franjas cortadas em casa, óculos enormes, gorros, casacos larguíssimos, aparelhos dos dentes, etc. A auto-estima é inexistente ao ponto de se convencerem que não merecem mesmo ser amadas.

Estas mulheres não têm medo de estar sozinhas, mas já estão um bocadinho fartas. Têm, sim, medo de morrer sozinhas, quando na realidade já deviam saber que todos morrem sozinhos. Têm o mesmo grupo de amigos desde sempre, normalmente constituído por casais, ou homens que só vêem nelas um amigo.

Quanto às relações, ao princípio serão descrentes passando rapidamente para uma fase muito carente de querer estar sempre com a outra pessoa. Para as conquistar terão de ir com calma, paciência e sobretudo, devem demonstrar quais são as vossas intenções de forma explicita, não vá ela achar que se trata apenas de um amigo. Estas mulheres encaram o amor como uma coisa séria, por isso tratem-as bem:

A Aluada: Quer muito um namorado, melhor, quer muito ser amada e até sai muitas vezes de casa para estar com o mesmo grupo de amigos de sempre. Não é nada feia, muitas vezes pode ser das miúdas mais giras do grupo mas nem faz ideia. Não se arranja muito. Muitos de vós já tentaram fazer-se a elas e elas simplesmente desprezaram-vos, agindo como se nada fosse, por acharem que vocês estavam só a tentar ser simpáticos. Nestes casos têm de demonstrar com clareza que estão interessados, mas sem uma atitude agressiva ou pick-up line foleira senão elas vão achar que vocês são um otários. Mas atenção, a distracção natural destas mulheres agrava-se a partir do meio da noite, porque enquanto se divertem com os amigos têm tendência a beber como um hooligan e a agir como um. Se ela já tiver neste estado, tentem outra vez na noite seguinte.

A Feia: É um caso sério para desencalhar, porque apesar de as aparências não serem tudo, há que haver o mínimo de atracção, eu percebo. E elas também percebem porque, normalmente, para sua grande infelicidade, as sacanas têm muito bom gosto. Sabem aquele miúdo, o mais giro de todos, que todas querem? É esse que ela quer também. Cria na sua cabeça todo um amor platónico, e fica a bater com a cabeça nas paredes durante uns tempos. O desencalhe das feias só depende delas: Em primeiro lugar, têm de ser boas: se perderem uns quilos e ficarem com um corpo espectacular, muitos homens conseguem abstrair-se da cara feia e apaixonar-se por vocês. Em segundo: ficarem o menos feias possível, isto é, usarem lentes em vez de óculos, vestirem-se bem, terem um corte de cabelo decente, etc. Por fim e mais importante: esqueçam os Brad Pitts da vida e invistam num homem que, mais do que ser giro, seja aquele que vos trate bem e que vos ame just the way you are.

As Sem auto-estima: The girl next door escondida debaixo de tudo o que não a favorece: óculos, roupas largas, franjas, ténis. O que interessa é que seja confortável e prático e esconda as gordurinhas. Não é que ela não se queira arranjar mas, tendo em conta que mesmo arranjada não chega nem perto das giras, magras e fashion (julga ela) prefere adoptar um estilo mais intelectual e underground. Ela é a palhaça do grupo, principalmente, quando goza consigo própria, por forma a evitar ser gozada por terceiro. O seu sentido de humor nasceu da necessidade de arrancar sorrisos, coisa que não conseguia fazer simplesmente por ser gira. Se lhe derem uma oportunidade, a auto-estima vai subir, e ela vai ganhar confiança para vos mostrar a brasa que tem escondida. Gira, inteligente e com sentido de humor.. vai parecer que vos saiu o Jackpot.

A Sofrega: É aquela que num primeiro date afirma aos quatro ventos que quer mesmo é casar e pergunta se estás a pensar ter filhos. Ela quer tanto, mas tanto amar e ter a família feliz e é tão honesta que não se apercebe que os homens fogem a sete pés quando se fala em alguma coisa que possa interferir com as idas à bola ou com as horas de playstation. Para estas tenho um conselho: não há nada que os homens gostem mais que uma mulher que não esteja interessada. Melhor, que esteja interessada mas sem dar muita importância. Para os homens que evitam estas mulheres só tenho uma coisa a dizer: todas as mulheres pensam em casamento e em filhos. A diferença é que estas são as únicas que vos dizem.

terça-feira, 19 de julho de 2011

E Deus criou as mulheres - Tomo II As Equilibradas

Disclaimer: Sim, é possível que esteja a fazer uma descrição de todas as mulheres que admiro, as minhas amigas, a minha avózinha, etc.. Sim, sou tendenciosa. So what?

Na senda do capítulo anterior, aqui vem mais um grande grupo de mulheres, As Equilibradas. No meu rascunho, onde delineei a estratégia e dividi em grupos os tipos de mulheres, tinha pensado deixar este para o fim, como o "grand finale" do sexo feminino. Mas realmente, sendo que começámos pelo pior grupo de todos, há uma necessidade instintiva de contra-balançar e demonstrar-vos que também existem mulheres espectaculares.

As Equilibradas:

Pois é homens, elas existem! Amigas queridas (mas só as queridas) este é o vosso grupo. Este é o grupo de mulheres que admiro e parecendo que não elas são bastantes. Podem até não reparar nelas à primeira ou não virar todo o vosso pescoço e visão em túnel na sua direcção. Mas mal reparem, mal se concentrem, não vão conseguir desgrudar. E quando eu digo isto, tal não significa que estou a descrevê-las como "simpáticas" (ou na linguagem feminina "feias que nem um trovão" - gostaria saber de onde nasceu esta expressão até porque os trovões não se vêem o que se vê são os relâmpagos; se alguém souber de alguma coisa, faça o favor de me explicar.)

Mas voltando às Equilibradas. Podem crer que elas são giras, mesmo mulherões! Mas por vezes, algumas delas não são tão vistosas como podiam ser, e passam (intencionalmente ou não) despercebidas. Têm qualquer idade e um olhar que prende. Riem com os olhos e por essa razão têm rugas de expressão. Independentemente da actividade a que se dediquem, são mulheres de armas.

Estas mulheres não têm medo de estar sozinhas. Fazem amigos com facilidade e não precisam de um homem ao lado para se sentirem válidas, apesar disso não significar que não busquem o amor. Apesar de quererem casar-se, essencialmente, porque estas mulheres nasceram para ser mães, o casamento significará apenas a cereja no topo do bolo da felicidade e não um objectivo a se. Se encontrarem um homem que amem e que as ame também, o mais provável é que essa relação seja uma relação estável e duradoura.

São mulheres muito trabalhadoras e inteligentes quer no trabalho, quer na gestão da casa, quer na própria relação. Normalmente, cozinham bem, apesar de existirem várias excepções honrosas.

Quanto às relações, quando se aperceberem que têm à frente uma mulher deste tipo, e estiverem compradores, não a deixam escapar. As equilibradas gostam de ser conquistadas, mimadas e sentirem-se amadas. Se conseguirem isso elas nunca vos abandonaram. Têm ciumes, como todas as outras, mas tentem ser racionais em relação a falar sobre o assunto.

Existem fases em que estas mulheres não estão disponíveis para ter relacionamentos sérios, na medida em que ainda estão na ressaca de alguma relação dolorosa ou quando estão demasiadamente concentradas noutros projectos e não estão nem aí para vocês. Nessas alturas, não vale a pena insistir. Alguns sub-tipos são capazes de querer um "amigo" com que contar, mas dificilmente, passará daí, até elas se encantarem outra vez.

Ela é a vossa mãe e a mãe dos vossos filhos. Tratem-na bem que ela merece:

As Independentes: São as vossas melhores amigas, companheiras de vida, apaixonadas, que tanto bebem minis como vos aparecem com o vestidinho mais sexy do mercado. São conversadoras, cultas e gostam de ler. É capaz de ser o sub-tipo de mulher que mais gosta de ler e dos que tem menos tempo para o fazer. Tem um bom trabalho e é boa no que faz. Tem imensos projectos e é ambiciosa e por essa razão às vezes vos possa parecer um bocadinho insatisfeita. Mas são simpáticas por natureza e os vossos amigos adoram-na. She's one of the guys.

As Bonus Mater Familiae: Apesar de poder trabalhar fora de casa, ela é a verdadeira fada do lar. Ela cozinha melhor que a vossa mãe, costura melhor que a vossa avó e limpa melhor do que qualquer russa que possam ter conhecido. Só pensa em ter filhos e com razão. A missão mais importante da sua vida é educar e criar uma grande família. Apesar de actual, é bastante tradicional e seguir-vos à até ao fim do mundo. Organizada e poupada, ela vai fazer com que vocês andem na linha. Bastante afectuosa e sorridente, só ficando com mau feitio quando deixam tudo desarrumado, mas mesmo assim isso passa-lhe.

As Super-Alpha: Acorda às seis da manhã, vai para o ginásio, volta toma banho e põe-se linda, acorda as crianças, prepara o pequeno almoço, acorda-vos, leva as crianças à escola, vai trabalhar, à hora de almoço vai buscar as vossas camisas à engomadoria e vai ao cabeleireiro, volta para o trabalho, sai do trabalho, vai buscar as crianças, faz os trabalhos de casa com elas, dá-lhes banho, prepara o jantar, janta, arruma a cozinha, toma um banho e fica linda de morrer para se encostar a vocês no sofá e talvez mais tarde, fazer mais qualquer coisinha. Se conhecerem alguma que trabalhe fora de casa, num trabalho exigente e sem horários que consiga fazer tudo o que eu acabei de dizer, todos os dias, de todos os meses, de todos os anos, encontraram uma super-alpha. Ela é o Yeti das mulheres, é aquela que vocês todos procuram e não encontram. Porquê? Porque ninguém consegue fazer tudo sozinho. No entanto, se pegarem numa das mulheres dos dois tipos anteriores e não se importarem de dar uma mãozinha de vez em quando, aí sim, ela terá forças para ser a vossa super-mulher.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

E Deus criou a mulher...Tomo I - A Desesperada

Disclaimer: Este post destina-se a ajudar os homens a compreender mais facilmente a diversidade do sexo feminino. Meninas, o que vou escrever a seguir não tem qualquer intenção de ofender ninguém em particular.. Se se sentirem injuriadas pelas generalizações que vou fazer, paciência.
Como o prometido é devido, eis aqui, em estreia mundial, a minha primeira explicação do bicho mulher. Os homens dizem que não percebem as mulheres porque somos muito complicadas, ao contrário deles, bicho simples e previsível. O problema de falta de compreensão não nasce de sermos mais complicadas, o que não me atrevo a negar e ainda bem que o somos. O problema dos homens nasce na medida em que, ao contrário daqueles - todos farinha do mesmo saco, as mulheres são todas diferentes. Entre farinha integral, com fermento, sem sal, de milho, existem n tipos de mulheres.
Para mais facilmente compreendê-las, é então preciso saber identificar de que tipo de mulher estamos a falar. Para esse efeito, segue infra a descrição dos cinco grandes grupos de mulheres. Porém, há que ter em conta que, mesmo dentro de cada grupo, existem sub-tipos bastante diferentes. Aqui vai o primeiro grande grupo:
As desesperadas

Be afraid men, be very afraid... As desesperadas já foram anteriormente referidas no texto sobre os homens, como as que por vezes acabavam com os Nhós. Mas nem todas.. Traçar um perfil comum a todos os sub-tipos incluídos no grande grupo das desesperadas não é mesmo nada fácil... Qualquer mulher sabe identificar uma desesperada. Mas como é que eu hei-de explicá-las a um homem de forma a que este perceba?

Para começar, para mim, as desesperadas got that look in their eyes. Aquele olhar de quem anda à caça ou em busca de alguém to scavange (esta expressão só funciona em inglês). Passo a explicar:

Em termos estatísticos, por regra, as mulheres só entram em fase de desespero a partir dos 30 anos, apesar de alguns dos sub-tipos se iniciarem mais cedo na arte de caçar. Estas mulheres andam sempre arranjadíssimas, apesar de poderem ser feias. Mas quando à caça, os seus kits e postura ultrapassam as capas da Vogue.

Normalmente, encontram-se sempre a olhar em volta à procura da presa ideal, a que se adeqúe aos seus critérios. Seja a beleza, a conta bancária (por muitas apelidada de segurança), a "sensação" de se sentirem mais amadas (por outras tantas apelidada de estabilidade), logo identificada a característica, estas passam ao ataque.

Não interessa se a presa já tem a sua caçadora em casa à espera, não interessa mesmo nada. Elas não têm nada a ver com os compromissos assumidos pela presa. Portanto, começam o flirt até à exaustão, daquele muito agressivo ou completamente descarado até que a presa ceda, dê um passo em falso, deixe de resistir à tentação que possam representar por um segundo que seja.

Depois de derrubada a presa e a ex-caçadora afastada, é lançado um master-plan de afastamento dos amigos do homem. E é lançada a fase de aculturação. Começam a sair com amigos dela, principalmente, já casados e com filhos. Os encontros entre as famílias repetem-se e de repente, quando menos a presa espera, apesar de todas nós o prevermos, segue-se o momento Ups! Ah e tal.. a pílula não funcionou, o preservativo rompeu, etc, etc. O golpe da Barriga!

E o homem, se Nhó ou Cabrão apaixonado, vai, ajoelha-se e saca do anel como manda a tradição. O Momento de vitória para todas as desesperadas. Nem preciso explicar o que fazem os Filhos da Puta neste momento, pois não? É claro que existem homens normais, que assumem a criança mas que se recusam a casar por esse motivo. Melhor, era mesmo identificarem estas meninas antes de colocarem mais crianças no mundo sob a educação de mulheres que não olham a meios para atingir os fins. Mas pronto...

Dentro deste grande grupo das desesperadas incluíem-se os seguintes sub-tipos:

A Betta-católica: cuja única função na vida é arranjar marido para poder ter os seus piquenos e irem todos à missa aos domingos. Esta chega ao ponto de ir para a faculdade só para encontrar marido, o que não é muito trágico, na medida em que ao segundo filho, deixa de trabalhar. Este tipo de desesperadas normalmente procura alguém com "nome" mesmo que o dinheiro não abunde. Homens: se tiverem dois "éles" ou dois "tês" no nome, tenham mesmo muito cuidado.

A Sonsa: são, para mim, as piores de todas as desesperadas. Aliás, de todas as mulheres. Passam por meninas sérias, de bem. Nunca curtem ou têm one night stands porém, têm mais namorados na caderneta que o somatório de todas as mulheres independentes que conheço. De liana em liana, vão passando, até que consigam roubar o namorado a aguém e que os consigam arrastar ao altar. Têm um trabalho (pois sim, são muito independentes e tal) mas o que elas gostam mesmo é de ler revistas e blogs de moda. A inteligência e o interesse não abunda. Who cares? Mas a característica flagrante de uma sonsa, para além do sorriso amarelo e da voz melosa, é mesmo o facto de olharem de cima abaixo quando passa uma miúda gira e não resistirem a comentar qualquer coisinha.

A Pistoleira: Ora bem, a pistoleira é uma alpinista social. Não estou a falar de self made women, na medida em que não sobem à custa do seu trabalho. Estou a falar daquelas que não dão mesmo uma para a caixa, burras, burras, burras. Zona de ataque: Urban beach, Chafarix, Twins, ou outro qualquer lugar onde a faixa etária ronde os 35/40 anos. Profissão: de preferência nenhuma. MO: dirigem-se a qualquer homem de aliança ou que saibam ter namorada (porque esta é a forma que têm de saber que são "sérios" e são passíveis de compromisso. Chegam-se ao pé deles, abanam o cabelo e sorriem. Para meter conversa normalmente falam do que sabem: horóscopo e respectivas compatibilidades. Depois pedem boleia por estarem bêbadas de mais para conduzir. Logo que consigam caçar otário, arranjam maneira de ficarem de baixa ou serem despedidas para poderem desfrutar a vida de viver de sonho que é viver à conta.

A Puta: Esta é a mulher que não sabe estar sozinha, saltando de namorado em namorado, sem qualquer intervalo. Muitas vezes verifica-se até sobreposição. No início, parece a mulher dos vossos sonhos: linda de morrer, com estilo, não é um génio mas não vos faz passar vergonhas, educada, etc. E vocês apaixonam-se como nunca e decidem que é desta. Mas ela quer mais... Logo que identifica outra presa, que de acordo com os critérios dela seja melhor (mais giro, mais rico, menos exigente, mais enganável) iniciam a caça, enganam-vos, e quando a presa seguinte está assegurada (e só aí) saem da vossa vida como se nada fosse e ainda vos fazem sentir culpados.