quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Das 12 badaladas ou as minhas resoluções para 2012



No fechar deste ano que foi bom e ao entrar em 2012 que certamente será melhor, sei que as 12 badaladas vão soar no nosso âmago enquanto gritamos uma contagem decrescente do 10 em diante, desencontrada das panelas que se começam a ouvir lá fora. Não sabendo onde vou estar nessa noite, se em cima de uma cadeira ou não, tenho a certeza que estarei no sítio certo, porque vou estar a teu lado, mais um ano, a olhar-te nos olhos enquanto engulo passas, apressadamente, ao ritmo das badaladas, desencontradas da contagem decrescente, em simultâneo com os desejos que se costumam pedir. E neste frenesim, sei que quando a contagem chegar ao zero, vou largar todos os pensamentos e vou deixar desejos por pedir, só para poder selar mais um ano com o beijo atrapalhado de quem tem a boca cheia de passas que custam sempre tanto a engolir. Mas fecham-se os olhos e tudo está bem. Os desejos que ficaram por pedir transformam-se em resoluções para cumprir e fica tudo bem. Porque acabam por ser a mesma coisa: a maior parte das vezes, a concretização dos desejos que pedimos, depende apenas de os querermos mesmo realizar. Assim, para não me esquecer de nada, e sem acreditar na superstição de que se contar não se realizam, resolvi anotar os meus desejos / resoluções, para este ano em que entramos:

Primeira badalada
BONG!

Desejo de Miss Universo: Paz mundial e fim da fome e da pobreza extrema. E ter a capacidade de fazer tudo o que está ao meu alcance para que isso se cumpra.

Segunda  badalada
BONG!

O desejo de ser mais e melhor mantém-se. O que muda é a vontade ser ainda mais forte. Mas a vontade de mudança também existe, noutras coisas, para ver se a vida fica mais fácil, para podermos aproveitar mais dias de sol.

Terceira badalada
BONG!

E tratar de ti e de mim melhor que a saúde é o mais importante. Comer bem, fumar menos, beber água, obrigar-te a vestir uma camisola quando está frio, essas coisas que todos sabemos. E não podemos dar as coisas como garantido.

Quarta badalada
BONG!

Viajar para longe. Este ano é que vai ser.. aquela viagem inesquecível. Enquanto houver estrada para andar, seguiremos em direcção ao oeste. E passear na praia, com os cães, naqueles dias frios que afugentam as pessoas.

Quinta badalada
BONG!

Euromilhões, Euromilhões, Euromilhões, seguida de uma mensagem por motivos de ausência por tempo indeterminado e uma mudança repentina de continente. Era tão bom!! Mas enquanto não me sai nada, contento-me com a ideia de conseguir poupar.

Sexta badalada
BONG!

Ser mais organizada e começar a fazer separação de lixo, que com vergonha assumo não fazer.

Sétima badalada
BONG!

Ter tempo e empenho para ler mais, escrever mais, ir mais ao cinema, pegar na prancha mais vezes. Fazer tudo o que quero que fazer. Preciso de tempo que é precioso para poder cumprir mais uns items da minha bucket list.

Oitava badalada
BONG!

Sucesso profissional e pessoal, para mim e para os meus.

Nona badalada
BONG!

Pela família, amigos, pelos que estão longe, pelos que estão perto, pelos que estão a passar um mau bocado, pelos que estão muito bem na vida, pelos que têm desafios pela frente.. que tudo o que desejam se realize. E para que os nossos inimigos emigrem para longe.

Décima badalada
BONG!

Que os nossos cães batam records de longevidade nunca vistos e vivam 40 anos.

Décima Primeira badalada
BONG!

Que o Sporting ganhe o campeonato. E a Taça. E as outras coisas todas que eu não sei o nome.

Décima Segunda badalada
BONG!

Estar contigo para o ano a pedir estes mesmos desejos, e outros ainda talvez. Porque sem amor o copo está sempre meio vazio.  O que implica que o mundo não acabe em 2012.

Balanço 2011



"Este ano vou ser mais, muito mais e bastante melhor. Vou ser tudo o que quero ser, já que não posso fazer tudo o que quero a todas as horas. E irei mais longe do que alguma vez fui e voarei mais alto.. Este ano vou viajar mais e trazer comigo mais pedaços deste mundo ainda estrangeiro de mim, mas não por muito tempo. Vou fazê-lo meu. E vou partilhar mais, prometo. E se falhar podem cobrar. Este ano vou trabalhar mais e melhor e ultrapassar os obstáculos que ainda me restam para ser plena na profissão que me escolheu. E vou ler mais, muito mais, porque o tempo foge de nós e a memória também e saber é preciso. Este ano vou cuidar mais de mim... Vou beber mais água e comer melhor e exercitar o corpo que é casa desta alma que quer viver muito e bem. Vou comer mais fruta e vegetais e fugir das batatas fritas e da Coca-Cola como se fugisse da lava de um vulcão. Este ano vou dançar e cantar mais e mais alto... Este ano vou amar-te ainda mais (como se fosse possível) e melhor (isso sei que é) e vou continuar a cuidar de ti e dos nossos, melhor do que no ano anterior. E vou ser mais arrumada e vou lavar mais vezes o carro. Este ano vou passear os cães logo de manhã cedo, antes mesmo de acordares com esse teu sorriso quente de almofada em resposta ao meu “bom-dia querido, está na hora”.Este ano vou estar mais com os amigos, tantos e tão bons e que hoje pouco vejo mas dos quais sinto tanta, mas tanta falta (se não fosse o Facebook já não os reconhecia – Salvé o Facebook!) Este ano vou poupar mais: dinheiro, energia, água, tristezas. E vou deixar de me preocupar com o que não interessa e de remoer obsessivamente nas subtilezas que capto nos sorrisos disfarçados dos outros ou nas frases encobertas de simpatia. Este ano vou dormir mais (sim querido, ainda mais) e melhor. Este ano vou ser mais feliz! E vou repetir este manifesto como mantra da minha alegria não me vá eu desviar do caminho certo."

Foi isto que eu disse o ano passado e eis o que consegui cumprir (quase tudo):

  • Viajei. Não tanto como queria mas para o ano será melhor;
  • Ultrapassei obstáculos: exame de agregação Check;
  • Dancei e cantei mais alto;
  • Cuidei de mim;
  • Amei-te melhor;
  • Fui mais arrumada e lavei o carro mais vezes (e no entanto o carro continua sem grelha);
  • Passeio os cães todas as manhãs;
  • Estive com os amigos (pouco, ainda, mesmo assim);
  • Poupei tristezas e substitui as lâmpadas lá de casa por LED para poupar energia;
  • Este ano fui mais feliz!

O que ficou por cumprir (e passa para a lista de resoluções de 2012, a qual protesto juntar):
  • Aquela viagem, só nós dois;
  • Beber água e deixar a Coca-cola (apesar das batatas fritas terem sofrido uma redução substancial);
  • Ler mais livros; e
  • Poupar dinheiro (tenho cá para mim que este no é que vou conseguir).
Um dos exercícios que gosto de fazer quando estou cansada ou acho que tudo corre mal é contabilizar, através de listas, as coisas boas e os momentos inesquecíveis que tenho passado, para não me esquecer que a vida me sorri. E fazendo uma incursão pela máquina fotográfica, este ano foi um ano notável e tenho muitos momentos para mais tarde recordar:
  • Passei fins-de-semana deliciosos;
  • Fui a festivais e concertos (Donavon - Ericeira Summer Fest, Jamie Cullum, Diego el Cigala, Cold Play - Optimus Alive, Gipsy Kings, Caetano Veloso e Maria Gadu, Bon Jovi, entre outros);
  • Fui a dois casamentos e dois baptizados;
  • A Maria nasceu e a Luísa vem a caminho;
  • Cantei no Rock in Law;
  • Andei a cavalo (montei) pela primeira vez;
  • Andei de barco;
  • Fiz milhares de compotas e biscoitos;
  • Tornei-me sócia do Sporting e comprei lugar de época;
  • Fui a Amesterdão mais uma vez;
  • Tive cerca de 6000 visualizações do blog só este ano (o que pode parecer rídiculo para que tenha este número de visualizações por dia, mas para mim foi um passo importante abrir o blog ao mundo);
  • Fui madrinha e fui à festa de Natal na Casa dos Rapazes; e
  • Comecei a andar de mota (à pendura - mas já foi um grande passo).
Em suma, foi um bom ano. Mas ainda há muito para fazer. À medida que antigos obstáculos são ultrapassados novos desafios aparecem no caminho. E eu estou preparada para percorrê-lo. Bom ano, malta!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A alegria de uma criança





Já vos disse que gosto muito do Natal, right? Especialmente porque esta época tem o condão de trazer ainda mais ao de cima a criança que há em mim.. Ou talvez, porque nesta época não se note tanto os meus surtos de alegria, daquelas que só as crianças sabem ter.


É uma das minhas características mais importantes: Sou criança e gosto! Haverá coisa melhor do que:
  • patinar no gelo e tentar não cair;
  • ficar embevecida com as luzes e cores;
  • sorrir com os olhos;
  • fazer "V's" de vitória (ou de peace and love) para as fotografias;
  • fazer casas de gengibre e montar a árvore de Natal;
  • cantar músicas de Natal em uníssono;
  • manter a esperança num mundo melhor;
  • partilhar a alegria de passar pelo security check do aeroporto e não apitar com o segurança;
  • comer gomas e algodão doce;
  • andar de carrossel;
  • a alegria sincera de partilhar o que temos?

Não há, digo-vos, honestamente. Passamos a infância a querer ser crescidos para poder fazer imensas coisas que nos esquecemos de fazer quando, finalmente, chegamos a adultos e já não precisamos de autorização. Temos de ser adultos tantas horas por dia que, com o que nos sobra, temos de aproveitar e voltar à simplicidade das coisas boas.

Isto tudo para justificar a minha compra do Domingo passado. Fui à Decathlon e comprei um arco de Hula hoop, que sempre quis ter. Em miúda, lembro-me de ficar na escola, horas a fio, com o arco a rodar à minha volta sem cair. E nesta memória peguei no arco ali mesmo e tentei. Inexplicavelmente, o arco rodopiou brevemente (cerca de duas vezes e meia já a contar com a volta que deu nas pernas) e caiu. Não pode ser.. As crianças não têm ancas, agora devia ser mais fácil. E tentei mais uma vez.. E voltou a cair. Pronto, a decisão fora tomada: Tinha de levar o arco para casa. Fui treinando no caminho até à caixa e quando cheguei já conseguia aguentar três voltas e meia. A senhora da caixa sorriu e disse:

É tão bom ter a capacidade de se ser criança! Pois é, respondi com um sorriso, iniciando mais uma tentativa falhada. Em suma, acabei de encontrar a minha primeira resolução para 2012: ficar croma a hula hoop! Garanto-vos que entre tentativa e erro, aquele arco faz melhor do que ir ao ginásio.

E com a alegria de uma criança, saí com o arco na mão, e fui brincar às casinhas com o meu namorado. =)


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dos que estão longe


 

Chega a um dada altura da vida que chegamos à conclusão que temos pessoas em todos os cantos do mundo. Seja pela análise da origem das visualizações do blog, seja porque a saudade aperta, este é um facto que me assusta, ao mesmo tempo que me dá uma sensação de conforto inexplicável.

Conheço e sinto falta de pessoas que partiram para lugares mais ou menos amenos, para conquistar o mundo, coisa que sempre quis fazer (e  faço, mas sem sair do meu lugar, através de uma espécie de controlo remoto espiritual). O que sinto é que estas pessoas, ainda assim, por terem passado ou por fazerem parte da minha vida, levam um bocadinho de mim com elas. Através dessas migalhas de mim espalhadas pelo mundo como estandartes da minha casa, tenho uma sensação de pertença - que pertenço ao mundo (dúvidas houvesse) e que o mundo me pertence, mesmo sem sair de casa. O mundo é a minha ostra, ou qualquer coisa do género.
Mas a parte pior da internacionalização é a falta que se sente dos que estão a viver por nós momentos inesquecíveis. É muitas vezes, por causa deles, que me dedico a estes textos. Porque sei que há alguém do outro lado que os lê, porque sei que muitas vezes esta é a forma preferencial de comunicação. Não para contar do que se passa na minha vida, que ultimamente se mantém à bolina de um vento calmo, sem nada de novo para contar, mas com a serenidade e calor de um dia ameno de sol, apesar do cansaço que já se vai acumulando no corpo. Mas do que se passa na minha cabeça, que é muito mais desnorteado e interessante, ou não. 

  
  • Assim,  à L. que está em nos EUA: Querida amiga, todos os dias penso em ti e neste oceano que está no meio. E tenho tantas saudades que nem aguento. Esta "personagem de filme de Tarantino" sente falta da sua comparsa de gabinete, conversas, jantares, gostos, de compreensão. És das poucas pessoas que me conseguia criticar e ser dura sempre na altura certa, sempre quando precisava mais. Por isso tenho saudades e quero saber de ti. Sei que estás feliz aí, mas sabes que tens aqui também uma casa e pessoas de braços abertos à tua espera.
  • À prima R. e à baby L. em gestação, que estão em Larnaca - Chipre: Amora, prima-irmã do Guincho e de Fábrica, e de todas as férias e fins-de-semana e madrugadas, acompanhadas de panquecas e gelado. Custa-me tanto não poder partilhar deste momento maravilhoso que atravessas, custa-me não poder por a mão na tua barriga e ver o teu sorriso a resplandecer enquanto trazes contigo o início da tua própria família. Baby L., que vais ser a nova prima caçula, apesar de seres cipriota, espero que esta casa te receba um dia também. Espero poder ver-te crescer, e espero ver os olhos do papá e da mamã a sorrir nessa cara linda, que só poderás ter.
  • À Fifi que está em São Tomé: E que nos escreve e-mails em forma de crónica a contar as estórias recambulescas que ocorrem no coração de África. Enquanto primas mais velhas sempre levámos a responsabilidade de tomar conta e mandar dos pequeninos e agora, com mais pequeninos a caminho, no lado oposto, deixas-me prima mais velha, cheia de ciúmes, do verde efervescente de África. Sabemos que vais voltar com uma bagagem diferente da que levaste, provavelmente mais leve, mas preciosa. Aguardo a volta do correio e a visita do Natal, enquanto me lembro de como cantávamos Laura Pausini agarradas à capa do CD, com as mãos a segurar um microfone imaginário.
  • Ao V. que está no Texas, mas já esteve em Luanda: Raio do homem tem bicho carpinteiro.. Quando chegares a Portugal vai a Fátima na ponta da língua agradecer a santa F. que tens como namorada, que se fosse eu... Tenho saudades das tuas parvoíces e dos teus planos mirabolantes para o que quer que se faça. Vamos mandar uma carta à Oprah para ver se ela te traz de volta depressa. Dos restaurantes esquisitos e de me emprestares Cd's (muitos deles ainda tenho aqui), e das festas e de me teres acolhido no teu grupo de amigos como que sempre tivesse estado ali. Foste aquele que me aturaste e me deste esperança, quando mais precisava. Tenho muitas saudades tuas e gosto muito de ti.
  • À J. que está em Dili: E que do fim do mundo nos escreve crónicas deliciosas e nos maravilha com fotografias sempre inesperadas, dando-nos a conhecer o fim do mundo. Saudades dos lanches na copa e nas conversas à porta do escritório que nos faziam querer ficar mais um pouco, antes do regresso a casa. Que essa experiência fortaleça ainda mais a tua personalidade vencedora e o vosso amor-modelo, e que tragas tudo isso de volta para partilhar connosco.
  • À S. que vai-e-não-vai, vai a Angola: E que me leva como companhia de viagem, quando a Internet funciona, que a vida de rotator não é nada fácil. Temos sempre saudades da tua frontalidade irónica e do teu sorriso cada vez que estás lá fora.
  • À C. que está em Macau: E que também escreve e partilha connosco as maravilhas asiáticas e do amor, que gosto de ler por ter a compreensão de que viu os filmes que eu vi. Vai escrevendo mais que temos saudades.
E a todos os outros, dos quais não me esqueci...

Obrigada por me fazerem viajar convosco e por me levarem na bagagem do pensamento. É assim que eu ganho mundo todos os dias.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Como esquecer alguém (Parte II)

3. Fazer uma fogueira e queimar os despojos: Não dá para viver rodeada das coisas que ele deixou, dos bilhetinhos ou sms que nos escreveu, das fotografias, emolduradas na nossa alma, parede ou telemovel. Enquanto não conseguimos tirar a imagem embutida na alma, há que arrancar das paredes todas as marcar e premir a tecla delete as vezes que forem necessárias. Faça-se um magusto e salte-se a fogueira desses despojos. Eu levo isqueiro. Prometo comparecer e festejar. E depois até podemos arranjar um lugar bonito para depositar as cinzas (talvez um fossa, ou coisa do género). Queime-se tudo, rasgue-se mais. Só custa mesmo começar mas depois o alívio é maior. E com as lágrimas que caiem, caiem também os sonhos despedaçados que insistíamos em guardar... Esta medida é dura, das mais duras mas é também, a mais eficaz.




4. Emigrar: Se tiverem possibilidade de o fazer, não pensem duas vezes. Emigrar é fugir com classe porque temos sempre uma óptima desculpa, como um mestrado ou um emprego importantíssimo. "Estás a ver como não preciso de ti para nada? Estás a ver o quão independente e livre sou?" Oh yeah, é esse o sentimento. E se puderem escolher, vão para longe, sendo que longe é o suficientemente afastado para necessitarmos de um voo intercontinental para chegar lá. Conheçam novas pessoas por forma a relembrarem o que já não sabiam: há tanta gente no mundo espectacular: homens e mulheres que valem a pena conhecer e que não vão desperdiçar o nosso tempo, mas sim, dar-nos instrumentos para a vida. É claro que se for para um sitio quentinho e paradisíaco, ajuda ainda mais! E eu vou ficar ainda mais contente quando vos fizer uma visita.




(to be continued...)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Como esquecer alguém (Parte I)

Este texto já foi escrito por Miguel Esteves Cardoso e não tenho pretensões de fazer melhor. Tenho apenas ideias a acrescentar, que penso poderem ajudar those in need (vocês sabem quem são: os de coração apertado e lágrima fácil, nos últimos tempos). Como daquelas pessoas que choram por osmose, por não aguentar ver mais tristeza nos olhos de quem é meu, tenho todo o interesse em que sigam estes conselhos não solicitados.
O MEC diz com razão que se tem de esquecer devagar, não há outra forma, que isto do esquecer depressa não funciona e, normalmente, dá mau resultado. Portanto, os conselhos de amiga que aqui deixo são para se manterem no tempo, na lentidão dos dias que passam ainda mais devagar para os que sofrem de saudade e incompreensão. São para ir fazendo, sem desistência, todos os dias, durante muito tempo, até que se esqueçam porque o fazem.

Tudo isto ajuda, evita que piore, eu sei lá.. Nunca tive jeito para esquecer quem amo e por isso sei pelo que passam agora, na incredulidade de quem não sabe como vão conseguir. Mas sei que estes conselhos me ajudaram, e tornaram o caminho mais fácil, quando foi preciso. Assim, desejo-vos toda a força do mundo, sabendo que estou à distância de um telefonema. This too shall pass é um bom mantra para entoarem mentalmente nesta maratona. Agora, só falta porem-se ao caminho.

1.   Mudar a discografia: É imprescindivel! Não dá para continuar a ouvir os cds que ambos partilharam e não dá para arriscar ouvir rádio e apanhar a vossa música pelo caminho.. é logo um dia que fica todo estragado. Portanto, falem com vossos amigos e perguntem o que é que eles andam a ouvir. Experimentem música nova, mas que estejam dispostos a perder durante uns tempos. Nestas alturas, não dá para ouvir o CD preferido porque vão perder as suas músicas durante muito tempo. Já todos perdemos músicas, músicas que foram nossas e que agora já não conseguimos ouvir... Umas são recuperáveis mas outras, pela impenetrável conexão que têm com as memórias que não se querem ter, perdem-se para sempre.. E por isto, música étnica é, para mim, a melhor opção. Traz-nos o calor de lugares distantes, num ritmo animado e numa língua imperceptível.. ideal para não começarmos a fazer conexões entre a letra e a nossa vida.



2.   Cortar o cabelo: Esta é, normalmente, a primeira medida a tomar quando desejamos mudar de vida, ser diferentes do que somos e, por isso, é das coisas mais adequadas para fazer em época de sofrimento. Nesta época, não nos reconhecemos, nem reconhecemos a nossa vida, portanto uma mudança razoavelmente radical pode ser um óptimo alicerce para o desconhecimento instalado. A mudança na aparência traz consigo uma aparência de mudança, e de fora para dentro, a mudança vai acontecer. Tudo começa com um bom corte de cabelo.. Sim, tem de ser bom.. Cortes de cabelo auto-destrutivos estão proibidos nesta fase (nada de rapar ou pintar de azul). Por isso, larguem a tesoura de cozinha que já estava na vossa mão e vão-se por bonitas.




(To be continued)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O nosso Fado..


E por fim, o nosso grito de angústia, saudade e alegria foi consagrado património imaterial da humanidade. O reconhecimento desta contribuição de Portugal para o mundo, imortalizar-nos-á, mesmo depois de nós. Independentemente do nosso destino, viveremos para sempre, no canto da sua voz, no brilho do seu olhar. O nosso Fado é eterno.

Ser benfiquista é ter na alma a chama imensa...






Sim... Sou contra o vandalismo, mesmo quando instigado pelas "jaulas" desta vida.


Mas também sou contra o sensacionalismo e vitimização. Deixaram a chama crescer durante muito tempo, só para justificarem a jaula e desviarem a atenção do facto de não terem jogado bem.


(Sim, sou tirana, este post não está aberto a comentários. Já discuti sb isto o que tinha a discutir. Deixo-vos só com as imagens do antes e do depois).

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

No one should be this cool... Steve again









"Here's Miles Davis talking shit, probably about some chick, to Steve McQueen backstage at the Monterey Jazz festival, 1963" - Jim Marshall Photography LLC, 1963







Fui só à procura de uma fotografia e acabei com catorze. A culpa foi do Steve. Não deu para resistir.
Enjoy!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Das dores de Alma

Disclaimer: Não estou a insinuar que os homens não tenham dores de alma, mas este post é dirigido especificamente às mulheres da minha vida, minhas amigas e outras que tais, que sofrem, neste momento por amor. Minhas queridas, venho aqui hoje tentar animar-vos, por um lado, e dar-vos um bocadinho mais na cabeça, por outro.

Sobre as dores de Alma, tão profundas como as que se instalaram há uns tempos no vosso peito, há muito para dizer. Dizer-vos: I've been there, I've done that, não vos ajuda em nada, mas credencia-me para o que vou dizer a seguir.

Este tipo de dor é a pior de todas as dores que alguém pode ter. Não tem uma cura óbvia ou milagrosa e não vai lá com comprimidos. A única coisa que ajuda a amenizar essa dor é o tempo, que escolhe, nessas alturas, correr estupidamente devagar.

Mas antes de a dor ser passível de desvanecer com o tempo tem de haver a aceitação da situação, a desistência, o ignorar a sua existência, dependendo de cada caso. E até lá, o peso que há no peito é cada vez maior e apertado, e a garganta fecha-se por dentro, expulsando o ar  apenas através de convulsões de choro tidas entre rápidos percursos de carro ou na almofada escondida nos lençóis.

Até que a dor seja passível de desvanecer com o tempo, há que obrigar o corpo a sair da cama, todos os dias, de volta para um mundo que já não faz sentido. Por enquanto. Porque vai voltar a fazer.

Esta dor invisível que quase mata é provocada por desapontamento, incredulidade, atordoamento e perda. E a perda é a que provoca maiores dores. Ao princípio, como qualquer amputado, não acreditamos na perda, negamo-la porque a perda não é justa e não faz sentido. A raiva só vem depois, como rede que leva tudo por arrastão, e por fim leva a dor também e desvanece-se.

Porquê eu? O que é que preciso fazer para o ter e volta? O que é que eu fiz de errado? As respostas tardam sempre porque não há respostas dessas no amor. O amor não se escolhe, não é o que costumam dizer? Eles também não escolheram. Simplesmente a paixão passou e não revelou o amor na sua passagem. Não é pessoal, não tem nada a ver com vocês. It's not you it's them. O problema não está em vocês, não há nada de errado convosco. Simplesmente, o amor não aconteceu ou desvaneceu-se de forma aleatória, fora do vosso controlo. A única solução é por os pés aos caminho e seguir viagem para um local ameno, onde nos acolham e recebam de braços abertos.

Uma amiga minha falava-me numa associação de apoio a mulheres que amam de mais, porque caiem vezes e vezes sem conta no erro de amar alguém errado.  Mas só o conceito de amar de mais me apoquenta. Não se ama mais nem menos, que o amor não tem medida. Ou se ama tudo ou não se ama, de todo. O problema não está na entrega de corpo e alma. Está no receptor dessa entrega preciosa, que não teve discernimento para reparar no valor da carga.

Meninas, o nosso grande problema é um meio-copo de auto-estima. Falta de auto-estima, por um lado, porque acham que não merecem ser felizes, porque homens porreiros nem pensar. São uma seca, não dão pica, já ouvi de tudo. Sabem qual a minha resposta para isso: querem adrenalina façam desportos radicais, não brinquem com a vossa vida. Por outro lado, excesso de auto-estima porque acham sempre que vão ser vocês a mudá-lo. Os filhos da puta, são filhos da puta toda a vida. Os cabrões têm remédio, mas têm de ser eles a ser curados. Este tipo de meio-copo de auto-estima é uma mistura explosiva que vos faz cair no mesmo erro, over and over again.

Todas mulheres já amaram alguém errado. É um mal comum, é um defeito que nos persegue e contra o qual temos lutar com todas as nossas forças. Há que gostar de quem nos faz bem, de quem nos faz feliz. Não interessa gostar de alguém que cumpre os requisitos da nossa ideia de felicidade, corrompida por critérios aleatórios e comédias românticas, e depois passamos a vida numa sucessão de momentos infelizes atrás do cumprimento daquele ideal.

Serem "betos", ou baixos, ou mais novos é um obstáculo mental que têm de ultrapassar. Não se esqueçam que o preconceito que têm para os outros, pode virar-se contra vós e podem ser afastadas por critérios tão falíveis como, não gosto das tuas orelhas. O que é que o amor tem que ver com alturas ou com idades, ou com formas de vestir. Tirem as palas e vejam as oportunidades que se vos apresentam todos os dias, e façam por ser felizes.

E agora, para conclusão do motivational speech, oiçam a música da Carminho, que canta no tom certo, a atitude a manter nesta época de dores de alma.
 
(A foto montagem é péssima mas não encontrei melhor. Para ouvir de olhos fechados)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Das músicas de Natal



Já vos disse que adoro o Natal? Se não vos disse ainda, ficam desde já a saber que sou completamente Christmas Freak. Desde a árvore de natal às luzes, desde o frio à lareira, começa chegar a Dezembro e eu começo a desejar ter um mês de férias só para poder apanhar pinhas e musgo para fazer centros de mesa e presépios. Infelizmente, não me é possível abraçar o Natal como nos tempos da escola em que as vendas de Natal e as peças de teatro proliferavam.
Assim, resta-me preparar os presentes antecipadamente, as compotas, os biscoitos e as casas de gengibre, montar a árvore, encontrar a boa acção para fazer e encher-me de música de natal. 
Sim, adoro músicas de Natal. Não sei se é dos guizos ou das vozes que me soam sempre Jazz mas sou completamente maníaca por canções de Natal. E não me refiro ao "Natal de Elvas". Devo ter meia dúzia de cds especializados em músicas de Natal, grandes standards e alguns hits da moda (como o All I Want for Christmas). Vale tudo. Quem entre no meu carro em Dezembro, só vai ouvir guizos e renas e neve e calor da lareira, até à exaustão. Ao fim de uns tempos é capaz de ser um pouco cansativo. Mas não para mim.

Talvez tenha sido das janeiras que cantei com os escuteiros ou de quando íamos todos cantar dias inteiros para a rua Augusta. Simplesmente, não sei explicar. Adoro (no sentido literal da palavra: amo excessivamente) a ideia de Natal, do amor e da família, do calor e da luz, do encarnado e do verde, do ouro e da prata. Talvez seja porque ainda não deixei de ser criança..  que espero nunca deixar de ser.
É por estes motivos e mais alguns que, com a ajuda de Jamie Cullum, my favourite, declaro aberta a Carol Season! Let it Snow...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Como poupar ou a lista de coisas que devia fazer (e faço) Parte II

A crise aperta, o Natal aproxima-se, o subsídio de Natal não existe nestas bandas e a mente torna-se criativa na invenção de formas de poupar, ou mesmo, de inventar dinheiro. Assim, contagiada pelo espírito de partilha da quadra, eis mais umas quantas ideias de como poupar:

Lavar a Loiça: Sabem aquele Fairy espuma activa (ou qualquer coisa do género) que é caro como sei lá o quê? Invistam na compra de um. Passo a explicar: a espuma activa não é, nada mais nada menos, que detergente misturado com água e impulsionado por aquela bisnaga especial, que transforma o detergente em espuma. Ou seja, após a primeira utilização da embalagem, basta reutilizá-la com a colocação de um pouco de detergente normal (numa proporção de 1/8) e encher o resto de água. É uma óptima maneira de poupar que já fazemos lá em casa.
Electricidade: Para além da tarifa bi-horária e da respectiva realização das tarefas domésticas mais gastadoras dentro do horário correcto, existem sempre imensas ideias para poupar energia que temos tentado seguir:
  • Mudar das lâmpadas normais ou económicas para lâmpadas LED. As lâmpadas não são baratas mas duram imensos anos e não gastam mesmo nada;
  • Utilizar velas para criar luz ambiente e assim poupar na electricidade. Não precisam de ser velas caras. Basta colocar cinco ou seis círios que se compram em packs no IKEA ao preço da chuva) e colocar dentro de frascos de vidro dos iogurtes. E é bastante Natalício;
  • Usar o forno ao domingo para cozinhar a comida para a semana;
  • Não deixar os carregadores de telemóvel, computador na ficha nem máquinas como as de café ligadas constantemente.
Açambarcamento: É uma prática que ocorre, normalmente, quando sai uma notícia documentando que as reservas de alguma coisa estão em baixo. Sai tudo a correr de casa e esvaziam os super-mercados imediatamente, mesmo com restrições quanto à quantidade que cada um pode levar. Como aconteceu com o açúcar há uns tempos atrás. Não é este o meu conselho. Como sabem, no dia 1 de Janeiro de 2012, os impostos vão aumentar em n produtos do nosso dia-a-dia. A minha ideia é abastecer-me dos produtos que vão sofrer mais aumentos, enquanto os preços ainda estão baixos. Obviamente, que me estou a referir, entre outras coisas, ao tabaco, onde o aumento dos impostos é mais visível e a compra menos elástica. Assim, vou passar o mês de Dezembro a comprar volumes para armazenar o que vai resultar numa poupança substancial. Pedidos ao Pai Natal este ano: Volumes de Lucky Strike =)





Já nos estou imaginar, enroscados no sofá, à luz das velas, a fumar cigarros.. Poupar é tão romântico!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Carta aberta aos Portugueses

Quem me conhece sabe que é verdade: gosto de ser portuguesa, tenho orgulho no meu país e defendo Portugal com tudo o que tenho contra qualquer ataque. Já tive várias discussões com quem diz que devíamos ser tomados pelos Ingleses ou pelos Espanhóis para sermos civilizados ou com quem diz que somos todos uma cambada de pobres de espírito. Não aceito isso.Não aceito que o meu país seja assim tratado.

Não é uma posição ingénua ou infantil da minha parte. Esta é a posição de quem não baixa os braços perante as adversidades, de quem não desiste do que é seu. E eu nunca vou desistir do país que é a minha casa e dos Portugueses que são meus concidadãos.

Mas na verdade, de há uns tempos para cá, tenho vindo a desiludir-me cada vez mais com Portugal e com os portugueses. E não digo isto pela crise ou pela classe política, ou pela corrupção espalhafatosa que sai impune, sem vergonha pelas ruas. Nem é disso que se trata. Não que me conforme com esse tipo de impunidade que já cansa. Mas é bem pior que isso.

O que me tem vindo a transtornar é a amoralidade, o cepticismo, o ateísmo, o não é nada comigo, o não vale a pena são todos iguais, o ressabianço, a falta de princípios, dos chicos espertos, da desresponsabilização, o esquecimento da civilidade, a iliteracia e o desinteresse geral por qualquer coisa que não afecte cada um, na sua esfera pessoal, no imediato.

Fico doente por ter de dar razão aos críticos quando dizem que os portugueses são comezinhos, atrasados e por civilizar. E por isso escrevo esta carta aberta - porque não me conformo e não desisto de nós, porque no fundo sei que temos valor e valemos a pena. Por isso aqui vai:

Não quero um Portugal que apupa o hino nacional dos outros países e que não sabe o seu hino de cor

Não quero o Portugal do "não voto porque são todos iguais e não vale a pena" ou do "hoje era dia de votar? nem sabia fui para a praia".

Não quero o Portugal da Popota e da Casa dos Segredos, em que as crianças mandam nos pais e entram na adolescência aos 8 anos, com as exigências de roupas e playstations e pouco mais.

Não quero o Portugal das pessoas que se endividam mais do que podem para terem um topo de gama descartável em pouco tempo estejamos a falar de carros, ou de telemóveis, ou de malas e não têm comida para dar aos filhos.

Não quero um Portugal que vire a cara aos seus velhos, seus pais e avós, que são largados ao abandono, que pedem nas ruas para sobreviver, que vasculham caixotes de lixo, que morrem sem que ninguém dê por sua falta.

Não quero um Portugal em que as manifestações se sucedem nas ruas, mas a luta diária pelas melhores condições que se exigem, se perde entre um café e outro e é deixada nas mãos dos outros.

Não quero um Portugal do "tenho direito a ser feliz", quero um Portugal do "vou fazer tudo para ser feliz".

Quero o Portugal da imensidão do mar e da extensão de praias a perder de vista, pontos de partida para mundos que um dia tivemos a coragem de descobrir, do surf e da vela, da pesca que nos foi tirada.

Quero o Portugal do verde, do sol ameno, da cortiça, do cheiro a eucalipto, do barulho da água a correr, das energias renováveis e da inovação tecnológica, da agricultura, do vinho do porto.

Quero o Portugal do respeito por todos, da civilidade e hospitalidade, da entre-ajuda e solidariedade, da igualdade e das oportunidades.

Quero o Portugal do Mourinho, da Daniela Ruah, do Cristiano Ronaldo (apesar de tudo), da Rosa Mota, de Carlos Lopes, de Aristides Sousa Mendes, de Fernando Pessoa, de Luís Vaz de Camões, da Amália, da Marisa, do Eusébio, da Paula Rego, do José Saramago, do Papa João XXI, do Horta Osório.

Quero o Portugal das bandeiras nas janelas, do fado, dos arraiais, da sardinha assada, do fogo de artificio, da broa e do queijo da serra, das queijadas e travesseiros e manjericos.

Quero o Portugal dos castelos, palácios, muralhas, solares, ruínas, pelourinhos, fontes, praças e lugares que a história nos deixou para guardar.

Quero o Portugal das pessoas com opinião, que defendem o que acreditam sem vergonha dos seus ideais.

Quero o Portugal feito por nós, todos os dias, sem desistências e desesperança. Se falharmos a culpa vai ser nossa e não dos que nos precederam ou que virão depois. Quero o meu Portugal muito melhor. Mas não consigo fazer tudo sozinha.

Por isso, como dizia Pessoa: É hora Portugal! Mãos à obra!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tropicália ou a Educação de Caetano

Há uns dias tive, mais uma vez, a oportunidade de presenciar Caetano Veloso a fazer o que ele faz melhor. E desta vez veio acompanhado por Maria Gadú, a voz quente da maria-rapaz preferida do Brasil. Enquanto esta foi uma aquisição recente do meu imaginário musical, Caetano sempre fez parte de mim, ao ponto de não me recordar de como ou quando começou a sua incursão na minha vida. Ele está comigo desde sempre. Este par de músicos magníficos conseguiu a proeza de concretizar um concerto intimista no Pavilhão Atlântico, conhecido pela péssima acústica e impessoalidade. Mas cada um deles, com as suas vozes e violão, encheram aquele espaço de calor e saudade e ternura. Enquanto os mais novos aguardavam as músicas de Gadú, eu torcia para que viessem de Caetano, pelo menos, algumas das minhas preferidas. E vieram Camaleoa e Qualquer Coisa que foram entoados, por ele, por mim e mais uns quantos da escola de Caetano. De olhos fechados, como se o vento da janela a percorrer a minha cara, no carro a caminho da praia de Fábrica, passasse de novo por nós. Muitas lágrimas tiveram de ficar contidas enquanto a voz divina de Caetano me arrepiava a pele, uma e outra vez. No concerto do outro dia só faltaram "etc", "fina estampa" e "paloma".

E nisto cheguei a uma conclusão. Grande parte da minha personalidade foi vincada pela música de Caetano. A minha educação foi a Educação de Caetano. Ou Tropicalista, como diz o meu namorado com o orgulho de também ter tido um vislumbre dessa educação, apesar de ter escolhido enveredar por outro caminho, o de Chico Buarque de Holanda, não muito afastado do meu, mas diferente na forma de expressão.

Cresci e fui educada pelos meus avós maternos, os melhores do mundo, que me ensinaram que a bondade e a seriedade são essenciais, apesar das dificuldades que nos possam trazer. O meu avô demonstrou-me a importância da escola e dos livros para se chegar mais longe. A minha avó ensinou-me a amar. Apesar de serem conservadores em muitas coisas, como na ideia machista de a minha avó não poder trabalhar fora de casa, eram liberais em muitas outras. O conservadorismo de esquerda do meu avô, dos bons livros e da igualdade e respeito por todos faz de mim grande parte do que sou, apesar de me ter tornado liberal do centro... Não há nada melhor que o meio copo.

Mas Caetano, entra na minha vida por via dos meus tios, que me levavam com eles de férias e em quase todos os fins-de-semana. Caetano era banda sonora constante em qualquer deslocação e com 5 ou 6 anos, eu e a minha prima R. já entoávamos as suas letras do Concretismos, nada fáceis de decorar. E as músicas e forma de vida de Caetano transmitiram-me os valores de respeito pelos homens e mulheres de qualquer cor, credo, nação ou sexualidade, o respeito pela natureza, o amor à liberdade e ao não preconceito, a importância de reconhecer beleza em qualquer lugar, a importância do amor. Tudo numas centenas de músicas que se não sei de cor, trauteio. Sendo que foi o menino do rio foi a primeira que decorei do princípio ao fim: peguei na capa do CD e copiei a letra para o caderno da escola.

Não foi fácil entrar para o ciclo e afirmar de forma naif que o meu músico preferido era Caetano, enquanto todos entravam em histeria com os Back Street Boys que sempre achei detestáveis. Mas mantive-me sempre fiel. E quando Caetano virou moda por causa do Sozinho que passava na novela, toda a gente passou a adorá-lo, sem saber o que faziam. Continuei a gostar de Caetano, que ele é de todos e é assim que tem de ser. Porém, não gosto do sozinho, banalizou-se.

Espero, um dia poder educar os meus filhos da mesma forma, com Caetano a ajudar. E o Chico também ;)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Best description of marriage ever

Enquanto entro em pânico com o grande dia que se aproxima, faço um zapping e descubro que está a dar um filme que há muito esperava. E não há nada melhor para afastar o medo irracional de o tema de apresentação oral nos fugir do cérebro na hora H, como ver um bom filme. É uma história de uma família não convencional aos olhos do mundo, por se tratar de um casal lésbico com dois filhos. Porém, a banalidade dos problemas que ultrapassam é assombrosa. E a genialidade de representar um casal lésbico sem cair em clichés também. Por momentos, não nos apercebemos da diferença (se é que a há) entre a vida de um casal homossexual e a vida de um casal heterossexual. E foi neste filme que acabei de assistir que ouvi a melhor descrição de sempre do que é o casamento. Não é que seja casada, não sou. Mas imagino exactamente assim. Porque a vida acontece e as coisas não são fáceis, há que estar preparado para a enfrentar. E para isso é indispensável que haja amizade, intimidade, e mais importante, amor. Daquele verdadeiro, invicto, rock solid love. Só assim se aguenta uma vida ao lado da mesma pessoa, independentemente da orientação sexual. Desiludam-se se acham que sem amor conseguem. Por isso a todos os que pensam um dia vir a dar esse grande passo e a todos os que já o deram, Enjoy!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Whatever Works - Sobre genialidade de Woody Allen

Não sou preconceituosa, nunca fui... E mesmo quando tenho ideias que me fujam para qualquer tipo de soberba, luto contra o preconceito. Cada um sabe de si e sabe o que funciona melhor na sua vida. Whatever works, um dos filmes mais brilhantes da nova vaga de Woody Allen, reflecte exactamente isso mesmo.

Seremos obrigados a seguir os padrões que a sociedade nos impõe, do dever ser e do ficar bem, para sermos felizes? Não, não somos, apesar de, muitas vezes, ser conveniente. Mas a maior parte das vezes, o melhor, mesmo, é tentar ser feliz, da forma que nos for possível. Se é através de uma relação homossexual, liberal, com diferença de idades e interesses antagónicos, feitios lixados ou inteligência abaixo do minimamente aceitável, através da arte, da beleza, da música, do diletantismo, da religião, ninguém tem nada a ver com isso. Devíamos descer mais vezes do alto dos nossos pedestais e colocarmo-nos no papel dos outros. E aceitar que têm o direito de ser felizes, como conseguirem ser felizes.

Life is short, enjoy it! Whatever works for you is the best way ;)

Whatever love you can get and give, whatever hapiness you can provide, every temporary measure of grace, whatever works

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mas enquanto não começo a estudar... Mais uma fútil: Uma questão de estilo

Já ouvi críticas ao meu estilo de vestir.. e quem não ouviu que atire a primeira pedra. Mas é o meu estilo, é a minha cara e dificilmente o mudarei sem sentir que estou mascarada. Pode dizer-se que é um estilo ecléctico e descontraído. Principalmente, descontraído, como eu.
Por vezes tenho uma ponta de inveja das fashionistas deste mundo. Adoraria andar sempre sem um cabelo fora do sítio, só vestir roupa da última estação, com os kits todos preparados e sem falhas, as mãos sempre perfeitas. Aprecio o facto de estarem sempre impecáveis, e isso tem de lhes ser reconhecido. É claro que nem todas acertam no bom gosto mas não se pode ter tudo. Mas falta-me tempo, dinheiro, disponibilidade mental e paciência, portanto, de vez em quando ando despenteada, sem maquilhagem, com as calças com pelo de cão.. e no entanto, sinto-me bem assim.. Mas mais que tudo, odeio o facto o de que o ar clean que tanto almejo implique tantas camadas de cosmética.
Não gosto de modas/pragas tipo pandoras, elettas de todas as cores, pulseiras do equilíbrio, dos anjos da guarda, anéis da ck, etc. Não é que sejam feios, mas irrita-me andar igual à manada só porque há a teoria de se não andarmos não somos de bem. Não me podia estar mais a marimbar para isso.
Eu gosto de básicos, prefiro lisos aos estampados, cores neutras misturadas com um toque de outra cor qualquer, mas primordialmente, neutros! Gosto da Chanel. Gosto de vestir preto, branco, bege e caqui. Gosto do estilo aviador da Amelia, e do náutico do Corto Maltese, e o colonial/safari da Pandora e de animal prints e cornucópias. Algum étnico à mistura de um hippie chic a dar para o surfista. Gosto de havaianas no verão, botas no inverno, ugg (das básicas), saltos altos compensados porque meço 1,6m, de calções e calças de ganga. Gosto de mini saias e vestidos clássicos como os da Audrie ou da Jackie. Gosto de clássicos. E misturo tudo isto num certo desalinho que me é. Tudo isto sou eu, não sei ser outra forma. Quem gosta adora, quem não gosta destesta. É a vida. Mas não vou mudar.

À espera da data do desembarque...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Bom de mais para não publicar :)

Mulheres e carros ou à procura de um buraco onde me enfiar

Tudo começou num momento Bridget há uns tempos atrás, quando parada no sinal fechado, o condutor do carro vizinho começou a tentar meter conversa, o que ignorei olimpicamente, como qualquer senhora de bom tom. Porém, o senhor queria apenas avisar-me que tinha os pneus da frente bastante vazios. Agradeci a insistência, envergonhada por tê-lo ignorado durante tantos segundos. Desse momento Bridget para o momento de hoje passaram-se cerca de dois meses, mas dado que tenho de fazer uma viagem grande nos próximos tempos, resolvi encher os pneus.

No que respeita a carros, nem me costumo incluir no estereótipo de mulher que nem pôr gasolina sabe, mas obviamente que chamo a assistência se for preciso mudar um pneu. Mas sei o que é um relanti, um alternador, um disco, entre outros. Nada como ter conduzido um clássico (ou chaço para os amigos) durante 5 anos. E sempre que não sei, pergunto. Mesmo no outro dia disse ao meu namorado que o carburador estava a fazer um barulho estranho, tal como o meu carro antigo fazia. Porém, o meu carro novo é a gasóleo. Shame on me! (para as mulheres e homens que não perceberam fica a informação que os carros a gasóleo não têm carburador!)

Mas não era isto que vinha aqui contar. Ora bem, encher os pneus... Não tem nada que saber:

  • Abre-se a tampinha do depósito, onde aparece a informação sobre a pressão dos pneus [2.3 nos da frente e 2.1 nos de trás, tendo em conta que o carro vai meio cheio]: Check!
  • Marcar a referida pressão na maquineta: Check!
  • Tirar a tampinha do pipo (pareço uma deficiente a falar, credo) dos pneus e sujar as mãos todas porque não nos apercebemos no facto de existirem luvas fornecidas para o desempenho desta tarefa: Check!
  • Pegar num dos tubos à disposição colocá-lo no pipo: Check!!

E eis que não quando, o ar não sai! Volto a olhar para a maquineta que continua impávida e serena, espeto melhor o tubo e não acontece nada!! E antes de ter tempo de poder formular qualquer raciocínio que me levasse a uma conclusão sobre o que é que se estava a passar, aproxima-se de mim, mais uma alma caridosa desta vida que me diz com muita calma: Não é esse tubo..ãh.. isso é o tubo da água... a mangueira..

Atrapalhada lá agradeci e desempenhei a tarefa de olhos no chão (à procura de um lugar para me esconder), e de cócoras em cima dos saltos e de vestido tigresse, desempenhei a tarefa o mais rápido que pude e saí dali. Não sei se a figura mais triste que fiz foi enfiar a mangueira no pipo ou foi ter ataques de riso (daqueles em que até se chora) em espasmos, no caminho de volta ao escritório, sozinha no carro.

Os agradecimentos àquela alma caridosa nunca são de mais, principalmente, porque a alma caridosa era um homem, que não rolou no chão a rir enquanto me dava a informação preciosa sobre a troca dos tubos. Sim, é possível.. Saravá alminha da bomba da Galp de Queijas.

Os espasmos continuam, e ainda tenho resquícios de óleo nas mãos.. Vou-me lembrar desta durante muito tempo...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Men are all the same - Part I

Everybody knows that men prefer action movies over romantic comedies, usually known as "chick flicks". That's a fact I can live with. But why, on earth, men also prefer "action" songs over romantic ones? What is it about with men and guns? Can we blame it, only, on testosterone? Let me explain: I asked two guys (my colleagues from the open space), what were they favourite Bob Marley songs and what did they answer? No, it was not Redemption Song, or Wait in Vain or Could You be Loved or Stir it Up, or one of the many Bob’s songs that talk about love, peace and easy leaving. No, that would be too romantic and sissi of them, or something similar. They’re choices were: I Shot the Sherriff and Buffalo Soldier. I rest my case!
PS: Phil, my first, of many to come ;)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Das Saudades que tenho do meu avô

"Nunca tinha sentido a dor da perda. Também não a senti na hora há muito anunciada por todos, mas que tardava sempre e sempre, quase como se ameaçasse não chegar nunca. Chegou, claro. Mas tardou como um grito que se solta no topo de uma montanha, percorre o vale e alcança o outro lado um tempo depois. A dor veio assim, atrasada e acerta-me agora com um murro de mão fechada. De todos, sempre fui o que disse que ainda que te fosses nunca te perderíamos. Pelo exemplo, perdurarias em todos nós, todos os dias, nos gestos pequenos de bondade, nos grandes gestos de humanidade. E assim é. Estive há dias no teu espaço, que foi e continua a ser o meu espaço, a casa onde me recebeste ainda antes de me fazer homem. Deixaram esse trabalho para ti e abraçaste-o com o coração cheio. Ainda lá estava a mesa que se abre ao meio, os bichos de África, o sofá das sestas, a colecção de moedas, arrumada em cima do guarda-fatos. E na mesa que se abre ao meio estivemos todos, os de sempre, já com mais uns quantos que conheceste mas não tiveram a sorte de viver a tua grandeza. Não lhes faltará quem lhes conte as tuas histórias. Por mais que saiba e que grite que também estiveste ali, sentado connosco, a verdade é que não estiveste, porque muitas vezes essas merdas são coisas que dizemos para apaziguar a dor, e para nos enchermos de força, mas não estiveste, o lugar estava vazio, ninguém nos beliscou até doer, não se comeu pão à refeição, não havia uma cabeleira branca nem ninguém para discutir com a avó. Continuas e continuarás a viver sempre dentro de mim, como o meu guia para a vida. Foda-se, mas devias era ter estado naquela mesa. "

Não costumo partilhar textos de outros blogs, não gosto de repetições e de desalojar a prosa do lugar a que pertence. Faço-o hoje, porque se impõe. Obrigada Arrumadinho

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Para lavar a vista - Quem é amiga, quem é?

Este post é para todos aqueles que dizem que o meio copo tem textos muito grandes e poucas imagens e muito que ler. Eu sei que não é tão fácil de absorver como um blog de moda mas tenham paciência... Para os resistentes à preguiça que fazem o esforço de vir cá amiúde, deixo-vos um presentinho:

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Já vos disse o quanto gosto de Woody Allen?

Quem quer ir ver?

Momento McGyver ou porque é que eu sou tão estúpida

Cheguei a casa com dois rolos de relva acabados de regar, comprados no Horto do Campo Grande imediatamente a seguir a ter saído do escritório. Mais uma vez, a minha querida Concha tinha desfeito em pedacinhos parte da relva do pateo e mais uma vez teríamos de a substituir. Como o homem estava ainda no escritório e eu até sou feminista e defendo que não há trabalho que um homem faça que uma mulher não possa fazer, resolvi por mãos à obra.

Depois de arrastar os dois rolos (porque cada um devia pesar cerca de 20 quilos) e de ter espalhado poças de lama pela casa toda, posei a carteira e peguei na National Geographic, enrolando-a na minha mão, preparada para "educá-los" mais uma vez. Por isso, entrei no pateo de revista em riste e fechei a porta de correr para ter a certeza que não fugiam quando percebessem o que os esperava.

Após a minha sessão educativa, preparada para os pôr de castigo e não os deixar entrar em casa, eis que não quando, olho para a porta que estava, completamente, fechada. Não pode ser!!! Estúpida não me lembrei que a porta não abre por fora se completamente fechada. E ali estava eu, de castigo com os dois cães, sem telemóvel, sem cigarros e com muitas horas pela frente porque o homem da casa ainda ia demorar. Só tinha comigo a merda da National Geografic, mas nem isqueiro tinha para poder fumá-la ou fazer sinais de fumo.

E foi aí que me armei em McGyver e com o único objecto que tinha, comecei a forçar a porta, abrindo uma pequena fresta, e tornando-a maior e maior e maior, até que fosse possível caberem os meus dedinhos tortos por natureza e evadir-me daquela prisão improvisada. E de tanto forçar a revista caiu para dentro de casa, no meu último esforço e a porta abriu uma nesga suficientemente grande para poder fugir. Foram dos dez minutos mais estúpidos da minha vida e perdi toda a credibilidade, que ainda me restava perante, os meus cães, que me viram a fazer aquelas figuras. I'm such a Bridget...