terça-feira, 30 de agosto de 2011

E Deus criou as mulheres - Tomo III: As Encalhadas

Disclaimer: Generalizações, mais uma vez (sim, eu sei) e não quero ofender ninguém, pelo menos neste caso. Conheço muitas, já fui uma delas.. Eu sei que muitas estão sozinhas por escolha e vivem muito bem assim. "Spinster" is just a word, ok?

Continuando a descrição e classificação exaustiva de todos os tipos de mulheres, segue abaixo a enciclopédia sobre mais um grande grupo de mulheres, As Encalhadas. Estando em plena wedding season, penso ser esta a época ideal para explicar aos homens os vários tipos de encalhadas e desmistificar o preconceito. E explicar às mulheres, maxime às encalhadas, o que é que andam a fazer de errado. Ou não.

As Encalhadas

So much too say, so little time... Em primeiro lugar, impõem-se informar: ser encalhada é diferente de estar solteira. Ser encalhada é uma questão de espírito, estar solteira é uma fase de transição. Homens, tenham atenção a estas mulheres porque muitas delas são verdadeiros tesouros a descobrir e vocês devem estar mortinhos para descobrir o ouro. Para as encontrarem é muito fácil: num casamento, são aquelas que nem vão tentar apanhar o bouquet dirigindo-se subtilmente para a mesa dos brigadeiros ou colocam-se estrategicamente no fim da multidão de mulheres aos saltos ao ritmo de "all the single ladies" de Beyonce. Eu também não costumo ir, é um facto.. but old habbits die hard.

Encalhada não é sinónimo de feia. Algumas delas são, certo, mas definitivamente não são sinónimos. Muitas delas, simplesmente, continuam à espera do príncipe encantado, e esquecem-se de ver que o Rei está ao lado delas. Muitas delas, são tão exigentes nos critérios que criaram nas suas cabeças, que nunca encontrarão ninguém. Muitas delas não procuram. Limitam-se a lamentar o seu triste fado de tia, num grupo de amigos fechado, onde nunca se conhece ninguém de novo, encarnando e aceitando tranquilamente que será assim para sempre.

Muitas têm um óptimo sentido de humor, são óptimas com crianças e são péssimas, mas péssimas na arte do flirt. Como não estão habituadas, nem sabem o que está a acontecer e quando se apercebem ou é tarde de mais ou ficam tão histéricas que estragam tudo. Muitas delas estão um farrapo, escondidas por baixo de gordura, sapatos rasos, franjas cortadas em casa, óculos enormes, gorros, casacos larguíssimos, aparelhos dos dentes, etc. A auto-estima é inexistente ao ponto de se convencerem que não merecem mesmo ser amadas.

Estas mulheres não têm medo de estar sozinhas, mas já estão um bocadinho fartas. Têm, sim, medo de morrer sozinhas, quando na realidade já deviam saber que todos morrem sozinhos. Têm o mesmo grupo de amigos desde sempre, normalmente constituído por casais, ou homens que só vêem nelas um amigo.

Quanto às relações, ao princípio serão descrentes passando rapidamente para uma fase muito carente de querer estar sempre com a outra pessoa. Para as conquistar terão de ir com calma, paciência e sobretudo, devem demonstrar quais são as vossas intenções de forma explicita, não vá ela achar que se trata apenas de um amigo. Estas mulheres encaram o amor como uma coisa séria, por isso tratem-as bem:

A Aluada: Quer muito um namorado, melhor, quer muito ser amada e até sai muitas vezes de casa para estar com o mesmo grupo de amigos de sempre. Não é nada feia, muitas vezes pode ser das miúdas mais giras do grupo mas nem faz ideia. Não se arranja muito. Muitos de vós já tentaram fazer-se a elas e elas simplesmente desprezaram-vos, agindo como se nada fosse, por acharem que vocês estavam só a tentar ser simpáticos. Nestes casos têm de demonstrar com clareza que estão interessados, mas sem uma atitude agressiva ou pick-up line foleira senão elas vão achar que vocês são um otários. Mas atenção, a distracção natural destas mulheres agrava-se a partir do meio da noite, porque enquanto se divertem com os amigos têm tendência a beber como um hooligan e a agir como um. Se ela já tiver neste estado, tentem outra vez na noite seguinte.

A Feia: É um caso sério para desencalhar, porque apesar de as aparências não serem tudo, há que haver o mínimo de atracção, eu percebo. E elas também percebem porque, normalmente, para sua grande infelicidade, as sacanas têm muito bom gosto. Sabem aquele miúdo, o mais giro de todos, que todas querem? É esse que ela quer também. Cria na sua cabeça todo um amor platónico, e fica a bater com a cabeça nas paredes durante uns tempos. O desencalhe das feias só depende delas: Em primeiro lugar, têm de ser boas: se perderem uns quilos e ficarem com um corpo espectacular, muitos homens conseguem abstrair-se da cara feia e apaixonar-se por vocês. Em segundo: ficarem o menos feias possível, isto é, usarem lentes em vez de óculos, vestirem-se bem, terem um corte de cabelo decente, etc. Por fim e mais importante: esqueçam os Brad Pitts da vida e invistam num homem que, mais do que ser giro, seja aquele que vos trate bem e que vos ame just the way you are.

As Sem auto-estima: The girl next door escondida debaixo de tudo o que não a favorece: óculos, roupas largas, franjas, ténis. O que interessa é que seja confortável e prático e esconda as gordurinhas. Não é que ela não se queira arranjar mas, tendo em conta que mesmo arranjada não chega nem perto das giras, magras e fashion (julga ela) prefere adoptar um estilo mais intelectual e underground. Ela é a palhaça do grupo, principalmente, quando goza consigo própria, por forma a evitar ser gozada por terceiro. O seu sentido de humor nasceu da necessidade de arrancar sorrisos, coisa que não conseguia fazer simplesmente por ser gira. Se lhe derem uma oportunidade, a auto-estima vai subir, e ela vai ganhar confiança para vos mostrar a brasa que tem escondida. Gira, inteligente e com sentido de humor.. vai parecer que vos saiu o Jackpot.

A Sofrega: É aquela que num primeiro date afirma aos quatro ventos que quer mesmo é casar e pergunta se estás a pensar ter filhos. Ela quer tanto, mas tanto amar e ter a família feliz e é tão honesta que não se apercebe que os homens fogem a sete pés quando se fala em alguma coisa que possa interferir com as idas à bola ou com as horas de playstation. Para estas tenho um conselho: não há nada que os homens gostem mais que uma mulher que não esteja interessada. Melhor, que esteja interessada mas sem dar muita importância. Para os homens que evitam estas mulheres só tenho uma coisa a dizer: todas as mulheres pensam em casamento e em filhos. A diferença é que estas são as únicas que vos dizem.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Just perfect

And now for something completely different: Why Do Today What You Can Do Tomorrow

Nunca pensei..

Nunca pensei que um dia ia ser sócia do Sporting.

Nunca pensei que alguma vez pintaria as unhas de cor-de-rosa Barbie e gostasse.

Nunca pensei querer ser advogada.

Nunca pensei que um dia engomaria uma camisa.

Nunca pensei que um dia encontraria alguém que gosto tanto.

Nunca pensei que conseguiria viver, mais de três anos, abaixo dos 60 kilos.

Nunca pensei afastar-me de algumas pessoas que me fazem tanta falta.

Nunca pensei que aos 27 anos ainda seria estagiária.

Nunca pensei que ter planos para a minha vida pudesse ofender alguém.

Nunca pensei que as pessoas mudassem tanto com a idade e com a vida.

Nunca pensei ser das poucas a manter-me inalterada.

Nunca pensei fazer certas coisas que fiz e me arrependo.

Nunca pensei que ia deixar de ver a vida a preto e branco.

Nunca pensei que andaria de mota numa base periódica.

No entanto, apesar de sucessões de eventos não planeados, totalmente inesperados ou não, vou seguindo o meu caminho, alterando o meu trajecto, dando graças por todos os desvios no percurso. Mas mantendo-me igual, a mesma, euzinha, o mesmo estilo, só que com mais sapatos e roupa de "trabalho". Eu faço e refaço planos, listas de to do's, objectivos e afins, todos os dias, tentando ultrapassar os obstáculos identificados e estar preparada para todos os outros que possam aparecer.

E mais importante ainda é saber que esta é uma escolha minha, que não imponho a ninguém. Quem quer viver sem planos ou sem objectivos definidos ou rumo traçado, terá, na mesma, lugar no meu coração. Eu não tenho por hábito julgar ou ter preconceitos com qualquer forma de vida que as pessoas decidam levar, principalmente, se forem felizes assim. E a maior parte das vezes, só dou conselhos quando solicitados.

Nesta medida, por favor, não me chateiem. Não gostam das minhas escolhas, ambição ou mania do controlo que, ainda assim, só se aplica à minha vida e ao que gostaria de ser e fazer, têm bom remédio! Nunca pensei ter de dizer isto..

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Que galo ou simplesmente cara de :s

Disclaimer: Não venho falar de azeite, azeiteiros, cabidelas, inchachos pós-traumáticos que cantam à meia noite, jogos, Barcelos, galarós, cristas, cantares, cócórócócós, entre outras coisas que não interessam nada. Se é isso que procura, clique back. :)

Venho hoje falar de galos, daqueles grandes que acontecem, daqueles que se têm e que a Alanis apelida, erradamente, de ironia.

Assim, GALO é:

  • almoçar algo que não comemos há muito, muito tempo e chegar a casa e encontrar o mesmo para o Jantar :s

  • chover no dia em que decidem vestir o vosso casaco de cabedal ou depois de terem ido lavar o carro, ou mesmo esticar o cabelo :s

  • o telemóvel cair das mãos directamente para o fosso do elevador ou sarjeta :s

  • ao fim de meia hora à procura, encontrar finalmente um lugar de estacionamento, que afinal já estava ocupado por um smart :s

  • ir assistir a um jogo de rugby e levar com a bola em cima :s

  • acordar e sair mais cedo de casa e apanhar o triplo do trânsito devido a um acidente :s

  • bater com o carro antes de ir de férias :s

  • preparar uma surpresa para o namorado e ele ficar a trabalhar até mais tarde :s

  • chegar ao cinema e ter um senhor de dois metros mesmo à frente :s

  • terem a proposta de emprego de sonho, a month to late :s

  • ganhar o Euromilhões e não reclamar o prémio :s

  • ficar doente quando estamos de férias :s

  • só chover quando chega o fim de semana :s

  • escolher sempre a fila mais demorada e resolver mudar de fila, mesmo antes de esta começar a andar :s

  • Chegar atrasado justamente no dia em que apanhamos o chefe no elevador :s

  • e tantas, mas tantas outras situações... :s

O galo é um sentimento lixado e não há nada mais lixado do que não poder fazer absolutamente nada para o evitar. Simplesmente, acontece, aleatoriamente, na nossa vida, mesmo quando mais precisamos. Respect the cock!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Do novo albúm de Chico Buarque de Holanda

No one should be this cool...

Só se adora a Deus

Tenho muitos ódios de estimação em relação a diversas palavras da língua portuguesa. Não que os vocábulos em si me tenham feito mal algum, coitadinhos. Mas muitas vezes são banalizados de formas erradas ou extremamente irritantes por determinados grupos de pessoas, ao ponto de deixar de conseguir utilizá-los ou fazer um esforço para não revirar os olhos de cada vez que os oiço.

Para além da palavra "original", cujo ódio já expus anteriormente, tenho ódio visceral ao verbo ADORAR, especialmente porque, na maior parte das vezes, as pessoas não sabem utilizá-lo, nem o que significa.

Não sei se por é por ter feito a primária num colégio de freiras, ou por já ter sido "zelota", mas cada vez que oiço ou leio alguém que diz: Adoro-te ou Adoro-te muito ou Adoro aqueles sapatos, oiço resposta automática de um coro de criancinhas histéricas de oito anos a responder instantaneamente na minha cabeça: SÓ SE ADORA A DEUS!!!!!

Quase como reflexo condicionado de Pavlov, era isto que se respondia a quem ousasse proferir o verbo adorar relativamente a qualquer objecto da frase que não Deus, ou qualquer outro dos dois elementos da santíssima trindade (para quem não sabe: Jesus e Espírito Santo). Nem os Santos ou Virgem Maria são passíveis de adoração, mas sim de veneração, de acordo com a igreja católica.

É certo que a adoração não tem de ser necessariamente uma adoração religiosa. No entanto, a utilização leviana que é feita deste verbo, na ânsia de substituir o verbo amar que, como todos sabem, é muito feio de se dizer é completamente incorrecta, estapafurdia e sem qualquer tipo de efeito útil. Senão vejamos:

A adoração é definida no dicionário como amor extremo, excessivo, implicando actos específicos de devoção direccionados a um ser sobrenatural podendo ser um deus ou uma divindade. Ora, apesar de gostar muito de sapatos, não penso serem qualquer coisa de divino e apesar de amar o meu namorado não o acho um deus.

Assim, ao evitar dizer amo-te, substituindo-o por adoro-te está-se a dizer amo-te excessivamente, o que não faz sentido nenhum, malta.

Pode-se achar graça, gostar, gostar muito, gostar tanto, gostar mesmo, estar apaixonado e amar. E por alguma razão as pessoas utilizam a palavra adorar para substituir, indiferenciadamente, as expressões que acabei de referir, sendo que todas têm um significado completamente diferente.

Achar graça acontece quando se acaba de conhecer uma pessoa ou de ver uma coisa que desperta em nós qualquer coisa que nos impele ao flirt inadvertido e descarado, a uma paragem de 10 segundos de frente para uma montra, simplesmente porque sim, porque achamos graça.

Gostar ocorre quando, depois da graça, concluímos que as nossas suspeitas iniciais estavam correctas e aquela pessoa e/ou coisa tem de facto qualquer coisa especial que nos leva a querer conhecer ainda mais.

Gostar muito acontece depois das duas fases anteriores, quando conhecemos melhor a pessoa/coisa em questão, quando já pensamos nela quando não estamos com ela, quando já temos vivências juntos.

Gostar tanto acontece quando o gostar muito já soa a pouco, quando se gosta mais do que muito, quando começamos a ficar preocupados, se o objecto da nossa afeição nos corresponde ou não.

Gostar mesmo ocorre quando se tem a certeza que aquela pessoa/coisa é importante na nossa vida e as coisas poderão não fazer sentido sem ela. Já não há dúvidas nesta fase de ante-câmara do amor.

Estar apaixonado ocorre de um momento para o outro quando pensamos: Merda, já fomos... E o estômago começa às voltas e começamos a ficar ansiosos por não conseguirmos pensar em mais nada. Tudo é perfeito, e novo, e encantador. Falta o ar se não estivermos com o objecto da nossa paixão.

Amar pode acontecer durante a paixão, apesar de esse facto só ser passível de confirmação muito depois. Só quando a intimidade bate e o quotidiano se instala se consegue aferir verdadeiramente se o amor é verdadeiro. O amor verifica-se quando apanhamos roupa suja do chão da casa de banho e a colocamos no cesto da roupa, como gesto automático, sem qualquer tipo de recriminação, sendo que a roupa não era nossa. Quando o objecto do nosso sentimento já se tornou parte da nossa família.

Adorar... Adorar só se adora a Deus!!!!

Diários de Motocicleta

Tal como gosto da estética da aviação do inicio do século passado, também gosto muito da estética do motociclismo (excluindo aquela dos motards das concentrações, como é óbvio). Talvez a questão seja mesmo gostar da estética do século passado, independentemente do meio de transporte, sei lá...

No entanto, apesar de gostar muito de andar de avião (à excepção do facto de não me deixarem fumar), tenho um medo completamente irracional de andar de mota. Aliás, não tenho medo de andar, a se, tenho medo de cair. Tanto que, não cheguei a experimentar andar na mota de corrida xpto que esteve estacionada à nossa porta durante mais de seis meses.

No entanto, essa mota foi trocada pela mota de sonho de qualquer viajante, uma aventureira amarela, muito mais segura, muito mais confortável e linda de morrer. Só não bate a Triumph, pelo que dizem os entendidos. Então, como prova do imenso amor que tenho pelo motoqueiro de serviço que, juntamente com a mota de sonho me comprou um capacete, obriguei-me a experimentar ser pendura em algumas trajectos das nossas férias.

Tudo começou numa noite, em que íamos à vila jantar. Caso não fosse de mota, teríamos de levar dois carros, e nos meio do pânico alicercei-me nas minha convicções ambientais intermitentes e disse que sim. Coloquei o capacete de uma forma bastante patética e subi. A viagem começava com uma descida, a pior coisa que me podem fazer e, por isso, respirei fundo e fechei os olhos e seja o que Deus quiser.

Como mantra repetia, és uma mochila, és uma mochila, como menina bem ensinada que sou. Dizem que o truque para ser um bom pendura e não provocar quedas desnecessárias é ser uma mochila, não fazer absolutamente nada, não contrariar nem reforçar as inclinações nas curvas, nada de nada, apenas e só, deixarmo-nos levar pelo condutor como se fossemos a sua mochila. Escusado será dizer qual é a minha nova alcunha. Para a minha tentativa de materialização e renúncia à mania de controlar tudo, ter os olhos fechados era totalmente imprescindível. Se não vir que vou entrar numa curva, mais facilmente perco o instinto imediato de me inclinar ou retrair.

E cortando o ar em curva e contra-curva, num abraço fechado em que quase me fundi com o condutor, mantinha a cabeça enrolada para a direita, como se fosse carapaça de uma tartaruga centenária ou mesmo um Koala on steroids. E à volta, na aceleração da recta, a caminho da bomba de gasolina onde abasteceríamos o nosso stock de Marlboro, olhei para o asfalto e a nossa sombra passava por nós, vezes e vezes sem conta, rapidamente, fugia e voltava, à medida que passávamos da luz de um candeeiro para o outro. Nesse momento, a nossa sombra era uma só. Sorri.

No dia seguinte, subimos pela costa e visitámos todas as praias, miradouros, penhascos, aldeias de beira de estrada, numa profusão de descidas íngremes e curvas fechadas e trânsito parado, tudo o que me poderia assustar. E de olhos fechados continuei, no abraço forte, confiando que me levassem a casa, sã e salva. E por fim, parámos à beira mar a comer farturas. Sorri.

Ainda estou longe de ser a pendura perfeita e de perder o medo de cair entre o asfalto e trezentos quilos de metal e acessórios, mas pelo menos já sei descer da mota e, de vez em quando, ainda consigo ver uns frames da paisagem. E sorrir.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

:D

Port-au-Prince, Haiti

Porque, em certos casos, uma imagem vale mais que mil palavras.

O dia do amor

Ontem, na nossa cama vazia de ti, voltei às insónias das noites de verão, insónias que tinha deixado para trás desde que te trago comigo. E nas voltas da cama e viragens de almofada, perdi-me na saudade da tua constelação de sinais que conheço tão bem por causa das festas solicitadas quotidianamente.
Cada sinal, sarda, mancha e pigmento é marca do destino que tens vindo a traçar para ti, dos dias de praia, das ondas apanhadas, das sestas estivais. É a tua estória e ponho-me a pensar, quantas sardas me pertencem... E no mapa das tuas costas, desenho, todos os dias, as sardas que hão-de vir e os planos da nossa viagem. E quando já cansada, na dormência do braço içado por entre o edredon, me viro para o lado de lá, adormeço profundamente, como nunca havia dormido antes de ti.
E as rugas que não queres ter, não são mais do que cicatrizes de choro e de riso e de dias bem passados e também de noites sem dormir. E por mais que te compre cremes e te diga para beberes água, sabes que amo cada ruga que se crava na tua pele, porque cada uma não é mais do que cicatriz provocada por cada um dos teus 7 sorrisos.
E os cabelos e fios de barba branca que teimam em aparecer ultimamente, e que vais arrancando com a teimosia de um adolescente, representam apenas as preocupações e o trabalho e todos os obstáculos que ultrapassas, e todas as responsabilidades que carregas mas que, apesar de tudo, fazem parte de quem tu és, e de quem eu amo.
E a barriga que alegas ter e na qual só reparo quando me chamas a atenção, não é mais do que todos os jantares com amigos no restaurante do costume, ou no rodísio, ou no jesus, ou em porto brandão; não é mais do que todos os jantares e pequenos almoços que crio para ti, para depois nos aninharmos no sofá; e os vodka tónicos e bloody marys; e as compotas de todos os sabores que te dou a provar dia sim dia não; não é mais do que a falta de tempo e forças para ir ao ginásio, que eu percebo tão bem. Essa alegada barriga que ignoro não é mais do que momentos bem passados ao lado dos que te amam e a vida que corre em redor.
E é de tudo isto que sinto falta nesta noite de insónia. E é esta a minha declaração de amor num dia como outro qualquer. E na cama vazia de ti, a nossa matilha mantém-se na vigília do teu regresso a casa, para poder voltar a dormir outra vez.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Invictus de William Ernest Henley

Out of the night that covers me, Black as the Pit from pole to pole, I thank whatever gods may be For my unconquerable soul. In the fell clutch of circumstance I have not winced nor cried aloud. Under the bludgeonings of chance My head is bloody, but unbowed. Beyond this place of wrath and tears Looms but the Horror of the shade, And yet the menace of the years Finds, and shall find, me unafraid. It matters not how strait the gate, How charged with punishments the scroll. I am the master of my fate: I am the captain of my soul.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

I am such a Cliché ou Um Dia de David Nicholls

Toda a minha vida evitei clichés, estereótipos, o que lhe queiram chamar. Sempre quis ser-me, apenas, diferente ou não, tanto fazia, Desde que me fosse, em paz com a minha consciência e princípios, estava tudo bem.
Eu sei que sou a primeira a classificar as pessoas e dividi-las em gavetas. E tal como o direito, as pessoas não o são. Mas não deixam de ser caixas: coloridas ou cinzentonas, mais cheias ou menos vazias, desarrumadas, desgastadas, cheias de purpurinas... As pessoas são caixas que se vão enchendo com o que se apanha no caminho: um amigo que se faz, um livro que se lê, aquela sobremesa, a família, o trabalho, um filme que nos fez chorar ou a música que nos emociona...
Mas as caixas encaixam em prateleiras, e agrupam-se junto às que se parecem com elas, e fazem um esforço de aproximação para ficarem cada vez mais parecidas. E eu nunca tive vontade de ficar igual ou exactamente o contrário de qualquer caixa à minha volta. E sempre quis ter a minha própria prateleira. Ou seja, nunca fiz ou deixei de fazer algo por "ser giro" a não ser se achasse giro e meu achar normalmente é ligeiramente diferente. Muitos podem afirmar que pode ser esse o meu problema. Mas eu discordo.. Até porque se concordasse com eles, mudava (ou talvez não).
No entanto, isto tudo foi para vos dizer que, há uns dias atrás, me descobri numa prateleira cheia de caixinhas iguais à minha. É um facto: SOU UM CLICHÉ!!! Somos todos, diz a Sara, mas eu tinha mesmo a esperança vã de ser uma honrosa excepção.
Tudo começou quando iniciei a leitura de mais um livro para juntar à lista dos livros que iniciei de há dois anos para cá.. Já devem ascender a 20.. E nas primeiras páginas do livro deparei-me com a triste realidade de ser um cliché.. A descrição da personagem feminina e de tudo o que a rodeia parecia uma descrição minha e do meu quarto, há 4 anos atrás. E não estou a falar de uma descrição geral ao ponto de se poder aplicar a toda a gente que conhecem. A descrição era assertiva a este ponto:

"Nos últimos quatro anos, tinha visto um sem-número de quartos assim, semeados por toda a cidade como locais de um crime, quartos onde nunca se estava a mais de dois metros de distância de um álbum da Nina Simone (...)"

"Ela também tinha aquela paixão artística de rapariga pela fotomontagem; havia fotos tiradas com flash de amigas da universidade e da família numa confusão entre o Chagalls e os Vermeers e os Kandinsky, os Che Guevaras e os Woody Allens (...)."

"Tacteando à procura de um cinzeiro , encontrou um livro ao lado da cama. A insustentável leveza do ser, com vincos na lombada (...)"

"O cabelo ruivo-acastanhado estava quase propositadamente mal cortado, cortara-o sozinha, em frente ao espelho, provavelmente (...)"

Não é que me achasse "original" - aliás, sinto asco por essa palavra - porque, normalmente, a palavra original é utilizada em apenas duas situações:
(i) quando alguém se qualifica com esse adjectivo significa que está a fazer qualquer coisa deveras igual a muitas outras coisas que estão a ser feitas por outras pessoas (perdoem-me as PATAVABA mas envergarem todas umas t-shirts iguais a dizer "não sejas igual a toda a gente, o giro é ser diferente" é não só, mas também, um contrassenso); ou
(ii) quando alguém faz qualquer coisa profundamente estúpida ou sem sentido e a única forma de justificar é utilizar a palavra original.
Em todo caso, à excepção do anúncio da sumol que até estava inspirador, esta palavra encontra-se banida do meu vocabulário.
Mas também não julgava ser exactamente igual a um grupo gigantesco de mulheres. O que vale é que essas mulheres devem ter todas mais de cinquenta anos, actualmente. Eu sou um cliché, with bad timing!!! Mas de todos os clichés, este é um dos quais não me importo de ser.

One hundredth message with style!

Besides her voice, here's the five reasons why I totally love her!!

Amor cão...

É o melhor do mundo. A Concha fez um ano ontem. Estas fotografias são de quando tinha um mês e chego à conclusão que passa rápido de mais.. Aos 4 meses já não conseguia pegá-la ao colo. Aos 6 meses destruiu um pouco mais o sofá, cuja destruição tinha sido iniciada pelo Zé, mais ou menos com a mesma idade. Aos 10 meses teve o primeiro cio e deu a pata.
Actualmente, abalroa-me, cada vez que chego a casa, na sofreguidão de me dar beijinhos. E o Zé faz o mesmo que é um ciumento. Anteontem, vi o filme Hachiko que me provocou um dilúvio, nos olhos e na alma, como não tinha há muito. No dia seguinte fui para o escritório com os olhos inchados. O amor cão é, sem sobra de dúvida, o melhor do mundo. O mais fiel, o mais companheiro, o mais sincero e o mais abnegado.
Espero que durem muitos anos, meus bebés.