terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Last Weekend Movies or the Couple to be





Foi com grande alegria que soube, há uns meses, que Rachel e Craig tinham casado. Ambos britânicos, ambos excelentes actores, ambos de uma beleza discreta assustadora. Às vezes tudo parece fazer sentido, e cada vez mais me convenço disso.

Sábado à noite fui ao cinema ver Millenium 1 - The girl with the dragon tatto, com Daniel Craig e no domingo vimos, finalmente, o Ágora, com Rachel Weisz, que já estava gravado na box há não sei quantos meses. E dado que foi um fim-de-semana Weisz-Craig pareceu-me o momento apropriado para fazer o meu elogio a ambos.

A Rachel Weisz sempre foi a minha actriz preferida. Não sei bem explicar porquê, ou talvez saiba. Se antes de eu nascer, Deus me tivesse perguntado: Inês, Inês (na bíblia Deus chama sempre duas vezes) que cara queres para ti? - eu tinha escolhido a dela. Mas ninguém me perguntou nada e aqui estou eu cheia de inveja boa em relação a esta senhora. Para além disso, em todos os papeis que interpreta, ela consegue sempre transmitir uma serenidade e força com o seu olhar, ao mesmo tempo que nos presentei com o seu sorriso sempre meigo. Londrina, descendente de judeus, austro-hungaros (leia-se: mãe Austriaca e pai Hungaro), sempre foi encorajada a seguir a sua arte. Começou como modelo, mas durante o seu curso universitário, de Literatura Inglesa em Cambridge, descobriu o teatro. Eu olho para ela e só vejo uma mulher inteligente, bonita, perfeita, um pouco à imagem da personagem que interpreta no filme Ágora, de uma mulher, filósofa num mundo de homens, independente nos seus ideais. Espero nunca conhecê-la porque a realidade nunca poderá chegar aos calcanhares da Rachel que criei na minha cabeça.

O Daniel Craig é o James Bond! E podíamos ficar por aqui, mas não. Comecei por estranhar mas, certamente, já entranhei a ideia do Daniel Craig como James Bond. Ao mesmo tempo que tem um ar  duro, podia perfeitamente, passar por príncipe da Dinamarca, ou país nórdico afim. E casou com a Rachel, portanto, burro não é de certeza. Pais de origem galesa, jogador de rugby por uns tempos, Criag também iniciou a sua vida artística no teatro. E depois de o ter visto a interpretar o jornalista sueco, personagem principal do Millenium 1 - The girl with the dragon tatto, ele conseguiu crescer ainda mais na minha consideração. Para além das suas qualidades interpretivas, mais fáceis de apurar do que nas interpretações do James Bond, ele é mesmo lindo de morrer. Mesmo o meu género. Na maior parte das cenas, Craig ostenta um ar doente, pálido, com olheiras, despenteado e com barba por fazer, acabado de sair da cama, cenário que podia ser trágico para qualquer um. Mas este senhor consegue ostentar o seu charme mesmo com a aparência de ter saído do degredo.
  
Mas o melhor desta match-made-in-heaven, é que eles não são o típico casal Hollywodesco. Nada contra os Brandgelinas e Tomcats desta vida. Mas estes senhores têm classe. Vivem a sua vidinha, com uns looks sempre super descontraídos mas sem descurar no estilo. São recatados e levam a sua vida pessoal de forma simples (para o género de vida que podiam ter) fora dos ecrãs e evitando as luzes e o escândalo de quem vive na ribalta. Without a doubt, the couple to be. Or at least, to envy.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Momento Bridget ou tentativa falhada de interrupção de cópula canina


(Fotografia de há um ano atrás. Que o meu Zé não é pedófilo)

Era mais uma sexta feira, daquelas sextas feiras com tanto trabalho que desejamos que fosse quinta. Tinha acordado mais cedo para chegar mais cedo ao escritório que no dia anterior tinha saído de lá às onze e não estava com vontade de repetir. Assim, dei água aos cães, dei-lhes comida, tomei banho rapidamente, vesti-me, sequei o cabelo e até me maquilhei. Eram nove da manhã e estava pronta para sair de casa.

De repente, ouvi o rugido da Concha, seguido de um ganir assustado, que me fez olhar para trás. Era o Zé a tentar (julgava eu) fazer meninos, como tem tentado, sem sucesso, desde há muito tempo. Chamei-o, para ver se ele parava com aquilo, mas desta vez ele não parou. Então, dirige-me a ele para o "educar", mas ele continuou. Decidi passar à acção. Enquanto puxava o Zé, por um lado, tentava afastar a Concha com um dos meus pés, por outro. Mas sem resultado. Comecei aos berros na esperança que os meus guinchos histéricos surtissem efeito. Mas nada. O único efeito foi o namorado, que saiu da casa de banho para saber quem estava a matar quem.

Quando chegou ao pé de mim a indagar o porquê da histeria expliquei-lhe que não conseguia separá-los e pedi-lhe ajuda. Ao que ele respondeu qualquer coisa como "mas ele já conseguiu?" ao que eu respondi sem certeza, "penso que sim". "Então não há nada a fazer" retorquiu ele, "prepara-te para ter cachorrinhos". "Como assim não há nada a fazer?" perguntei eu incrédula.

E aí começou a aula de biologia canina. Diz que o órgão sexual dos cães incha a um ponto, que faz com que fiquem acoplados durante bastante tempo. E não há nada a fazer senão esperar que passe para os desacoplar. Eu que vejo National Geographic repetidamente, já conhecia esta prática, utilizada em várias espécies, mas nunca me passou pela cabeça que os canídeos fizessem parte desse grupo. Esta decorrência biológica do órgão masculino canídeo permite que, (i) se tenha a certeza (ou quase a certeza - ainda tenho alguma réstia de esperança) que a fêmea é fertilizada; e (ii) se tenha a certeza que os pequenos são dele. Isto é, enquanto ele está lá preso, impede outro macho de tentar fecundar a fêmea. 

Existe uma forma de provocar o desacoplamento: água. Tipo um balde de água ou mangueirada permitiria que o dito órgão desinchasse e que a minha querida cadela se conseguisse soltar. Porém, como estávamos no meio da sala, achei que não era a melhor das ideias.

Por isso a única solução era ficar à espera, impávida e serena, e presenciar a violação da minha ursinha, prepertada pelo meu querido cão. E enquanto ela olhava para mim com um ar de quem diz "por favor, tira-me daqui" e tentava fugir, o Zé seguia-a e continuava tudo na mesma. Na minha impotência fui tirar um café. E a cadela continuava a queixar-se de dores, já que já estavam virados rabo-com-rabo. O único acto de amor ali era o facto de as caudas estarem entrelaçadas. O resto era apenas dor e aflição. E nisto passou-se cerca de meia hora, durante a qual fiz o que pude para acalmar a malta. Cada vez que me movia, a Concha vinha atrás de mim, com o Zé a reboque. Portanto, ali fiquei, à espera que passasse.

Eis que não quando, a empregada entra em casa, e os cães desatam em histeria, como de costume, para a irem cumprimentar. Pareciam siameses unidos pelo rabo a tentarem ambos irem pelo mesmo lado. Nisto a Concha vira-se para o mesmo lado que o Zé, o que provocou um uivo de dor ao cão, que a atirou ao chão para que a dor parasse, mas a dor só piorou, à medida em que se entrelaçavam ainda mais. Até que, num esticão mais violento, desacoplaram-se finalmente.

Pormenores sórdidos à parte, separei os cães, expliquei o sucedido à empregada em pânico e saí de casa às dez para as dez a pensar o que irei fazer à ninhada que possivelmente nascerá em 60 dias. Conclusão, vou ser avó em dois meses, isto tudo porque me distraí por dois segundos. Há manhãs assim.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Top 5: Canções de "Engate"

Sabem quando vivem aquela histeria em que ainda nada aconteceu mas existe um mundo de possibilidades? Todos já passámos por isto.  A maior parte das vezes, não sei porquê, há música a passar. Talvez seja um síndrome de Cinderela, em que julgamos que os príncipes só podem ser encontrados num baile.

Ou se está num bar ou discoteca, num casamento, mesmo em casa depois de um jantar nervoso a dois. E chega aquele momento em que estamos em pé, a dançar ou não,e  em que pensamos que numa boa forma de facilitar / antecipar o beijo, e a conclusão é sempre a mesma: podia agora dar aquela música!

Em que música(s) pensaram? O que vos peço hoje, é que dêem o vosso melhor e partilhem connosco as músicas mais sexy de sempre, aquelas músicas perfeitas para aquele momento que antecede o clímax do primeiro beijo. Não vos peço que me contem as "vossas" músicas, que não pretendo devassar a vossa intimidade. Peço-vos apenas as músicas que poriam na cena de "engate" de um filme cuja banda sonora estivesse a vosso cargo.

Eis a escolha da casa:

1# Let's get it on - Marvin Gaye



 
2# Sexual healing - By Ben Harper

 

3# Please Don't Stop the music - By Jamie Cullum


 

4# I'm your man - Leonard Cohen



5# Señorita -  Justin Timberlake
(Eu pecadora me confesso - não gozar!)



Momento Bridget ou a minha vida dava um filme de Woody Allen




"Death doesn't really worry me that much, I'm not frightened about it... I just don't want to be there when it happens"

A semana passada foi um tanto ao quanto banal, com imenso trabalho, nada a assinalar. No entanto, a minha sexta-feira foi tirada de um filme de Woody Allen. Saí da cama ainda a dormir e fui alimentar os "meus" cães. Para mim, esse é um momento importante do dia dado que é a única altura em que eles dependem de mim para alguma coisa, porque nas outras alturas eu bem posso dizer senta cem vezes, e puxar a trela e dizer junto, que eles não estão nem aí. Dizem que é porque não sou o macho alfa da família. No entanto, nada que eu faça, desde falar com voz grossa a largar a depilação adianta. Até acho que os cães se riem de mim. Mas não era sobre o facto de não impor respeito aos meus cães que vinha aqui falar, apesar de eles serem o motor de muitos momentos Bridget assinaláveis.

Onde é que eu ía.. ah, fui a dormir dar de comida aos cães. Ora, a comida está guardada na dispensa, no fundo da dispensa, onde o tecto é significativamente mais baixo. Porém, na sexta-feira, bati com a cabeça na parte da parede que desce, com toda a força, como se a parede nunca tivesse estado lá. Pura e simplesmente, não me baixei o suficiente. Normalmente, isto acontece-me quando estou de saltos, na medida em que a variação drástica de alturas não me permite aferir ao certo a distância das coisas ou quanto é que me tenho de baixar. Ser uma toupeira e precisar de mudar de óculos também não ajuda, eu sei. Mas desta vez, não tive desculpa. Estava mesmo só a dormir.

Ao bater com a cabeça, soltei um grito que assustou os meus cães que deram três passos para trás com medo de mim. Parece que só consigo ser o alfa quando grito de dor. A cabeça ganhou automaticamente um alto gigantesco. E pensei: ainda bem que não foi no occipital!

Resumindo, fiquei o dia inteiro cheia de dores, a avisar toda a gente o que me tinha acontecido, para poderem avisar o INEM do que se tinha passado, caso caísse inanimada no chão. E de hora a hora, nasciam-me sintomas, que apesar de saber serem psicosomáticos, não havia maneira de passarem. Desde náuseas a tonturas, tive tudo.

Quando finalmente o galo já cantava baixinho, ao ponto de já não ouvir mais do que um pequeno murmurar, cheguei a casa ao fim do dia, cheia de fome e comecei a fazer o jantar. Decidi fazer o meu risotto de limão. Comecei por raspar a casca do limão, espremê-lo, e depois de vários processos a explicar num blog à parte, provei o risotto, para poder acertar os temperos. O risotto estava amargo!! Não sei se do tipo de limão ou do facto de ter juntado limão a mais, estava amargo ao ponto do quase insuportável. Resolvi juntar açúcar e mais sal e pimenta. E umas ervas. Continuava amargo. Voltei a juntar açúcar, uma e outra vez. Transformei o risotto em qualquer coisa indescritível. Não comemos o risotto de tão mau que estava e eu estou proibida de fazer risotto de limão até para o ano. O meu querido risotto de limão, acompanhamento perfeito de vieiras saltadas em cama de legumes ou mesmo de uns simples rissóis de camarão. Tive vontade de chorar.

E assim, apesar de ser uma semana sem nada de especial a assinalar, a minha banal sexta-feira teve todos os pormenores de uma Bridget, num filme de Woody Allen, à excepção de não se passar em Nove Iorque. Teria tido muito mais graça. Há dias assim...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Top 5: Recent male Singer-songwriters

Na senda do filme Alta Fidelidade, e dado o meu amor à música, inicio hoje, perante vós meus caros 12 leitores diários, uma nova rúbrica em que escolho os meus Fab-5 de uma dada categoria. Podia ter começado pelo Top 5 de Love Songs ou pelo Top 5 Jazz Standards, mas não era a mesma coisa, e preciso de mais tempo para catalogar e classificar as músicas nesses tops, que o Mack the Knife ainda anda à bulha com L-o-v-e, em busca de um lugar ao sol.

Escolhi este tipo musical na sequência de mais uma preciosidade que descobri anteontem* , em mais uma banda-sonora. Preciosidade essa que inseri, imediatamente, na gaveta dos Cantores / Compositores. Apesar desta gaveta poder abarcar todos os géneros musicais, normalmente fica-se pelo folk, indie, soul, country e rock, sendo que só abarca música anglófona. Sim, porque se o compositor vier do Brasil nunca entrará nesta gaveta. Irá, em vez disso, para a gaveta da bossa ou do mpb, forró, choro ou mesmo para recycle bin, entre outros, mas nunca para a gaveta dos Singer-songwriters, que a sonoridade é outra.

Deste modo, e caracterizada a gaveta de hoje, eis o meu TOP 5 dos mais recentes Singer-songwriters do sexo masculino (os da velha escola, tipo Cohen ou Cash, ou os clássicos tipo Jeff Buckley terão uma categoria à parte):

Damien Rice


Eddie Vedder



Ben Howard


Xavier Rudd


Ray Lamontagne*



Já agora, peço gentilmente à minha dúzia de leitores diários que comentem, deixem a vossa opinião, dêem ideias para outros Top's ou contem-me o vosso próprio Top 5 de Male Singer-songwriters. (Pelo menos tu, Verne ;)). Através do Meio-copo, não do FB, para ficar perpetuado. Desde já agradecida. Yours Truly

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"É provável que coisas improváveis aconteçam"


"Se não fosse ela talvez tivesse morrido, penso nisto muitas vezes. Os joelhos tremiam-me, havia ainda qualquer coisa que me queria sair pela garganta, o coração certamente. A cruel verdade era que, se bem que não acalentasse já qualquer esperança de poder voltar a viver com a minha adorada mulher e gostasse cada vez mais do corpo que me trouxera a sua voz, por quem permanecia perdidamente apaixonado era pela primeira, a que não merecia nada."



Pedro Paixão, daqui

Do peso e da leveza ou perspectivas de (vi)ver a vida



Após a leitura das primeiras 3 ou 4 primeiras páginas sabia que aquele livro de Kundera era já o meu livro preferido, mesmo que tivesse parado por ali. Mas não parei. E a partir da sua construção da vida, a partir do meu binómio antagónico preferido, construi este blog, que vou reconstruindo a cada dia que passa, de há muitos anos para cá. E escolhi-o como alicerce, porque este tema é caracterizado pelo seu eterno retorno, também tão querido de Kundera.

Não sou pessimista nem sou optimista. Sou muito realista na forma como encaro a vida, mesmo estando sempre à espera do pior, levando o Murphy à letra, mas tendo sempre a esperança e o empenho para que tudo corra pelo melhor. Hoping for the best but expecting the worst. Contas feitas, noves fora, sou meio copo, que no meio está a virturde.

Odeio a desistência, o cépticismo e outras perspectivas que tais, de quem leva a vida com uma superioridade moral estratosférica, porque nunca é nada com eles. Odeio essa leveza de quem não se importa com o que acontece à sua volta, de quem não vota porque não vale a pena que eles são todos iguais, de quem é agnóstico porque não existem provas da existência de Deus e não tá para se chatear nas discussões, de quem não tem qualquer opinião, de quem tem todas as opiniões conforme o caso, de quem não tem a ingenuidade para acredita que o amor pode ser para sempre, de quem defende que um feto é um mero conjunto de células, de quem do alto da sua arrogância não acredita em nada que não lhe seja apresentado peranto os seus olhos que jazem entre palas.

A leveza, que até poderia trazer a ideia de dias de sol e água transparente e brisas amenas a percorrerem a pele, essa leveza que à primeira vista seria um conceito muito mais aprazível do que o peso, que custa sempre mais a carregar, não o é. Acaba por ser o copo meio vazio da equação. Tudo o que é verdadeiramente bom é pesado. Dá trabalho, traz responsabilidades e obrigações e não é muitas vezes fácil. Por outro lado, o facilitismo da leveza que a maior parte das vezes de tão leve que é, nada chega a ser, deixa-me vazia por dentro. E por isso prefiro o peso.

Prefiro obrigar-me, comprometer-me, responsabilizar-me e superar-me todos os dias. Prefiro ter esperança que um dia o mundo vai mudar, que as pessoas vão deixar de morrer à fome, que os políticos vão deixar de ser corruptos, do que viver de braços caídos e de cara virada para os problemas. Prefiro fazer all in e "arriscar" (com o risco devidamente calculado) do que dizer passo. A vivência de um dia de cada vez sem pensar no futuro, not a care in the world, sem planos, sem promessas, sem empenho, sem, no fundo, poder contar com o que ou com quem quer que seja, não é para mim. Infelizmente, levo sempre tudo muito a sério, apesar de me estar sempre a rir. A leveza do ser é, sem dúvida, insustentável.

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Keep Your Head Up!






Conheci este senhor na Aula Magna, quando presenciei a melhor primeira parte de concerto de sempre. Estava lá para ver, ouvir, dançar, eu sei lá, com Xavier Rudd, aquele one man show, de quem já vos falei. Desta vez, por um acaso do destino chegámos a tempo da primeira parte, a tempo de presenciar um encadeamento de músicas com uma sonoridade diferente, sem ser estranha, em que o Ben, na guitarra, estava acompanhado por uma menina de rastas e violoncelo. A coerência entre o folk surfista com notas célticas à mistura e a sua voz rouca e quente, fez com que saíssemos para o cigarro do intervalo com vontade de mais. E lá estava ele a autografar cds, que comprei imediatamente.
 
 
Hoje, apresento-vos o novo single do mais recente álbum de Ben Howard que julguei do mais apropriado para este novo recomeço: Keep your Head Up, Keep your Heart Strong é a mensagem. Por outro lado, o vídeo-clip é simplesmente delicioso. Enjoy!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Das Saudades do meu avô - my own words

Na noite de dia um, já deitada para dormir, e sem que nada pudesse prevê-lo comecei a chorar, a lavar a alma para o novo ano. Não vi filmes tristes, não estava naqueles dias, mas desta vez liguei no cérebro uma secção que há muito tempo estava em stand-by: a secção avô. Liguei-a sem querer e quando me apercebi era tarde de mais. As lágrimas corriam e o desespero e angústia da saudade e da culpa subiam todas aos meus olhos por desmaquilhar, ao mesmo tempo que tentava impedi-lo com as mãos, sem qualquer resultado. E eu só queria dormir e ele nunca mais chegava.

Quando finalmente chegou, já tinha ido buscar todas as recordações, toda a saudade, todo o amor que tinha enterrado há seis anos atrás e já não havia nada a fazer não ser soluçar no seu abraço até à desidratação. Assim o fiz. E expliquei-lhe de onde vinha toda a tristeza, como se não soubesse tão bem, ele que também já passou pelas suas perdas, em dose dupla.

Mas eu contei-lhe outra vez, que o meu avô, o meu único avô, foi também o meu único pai. E foi um pai melhor do que foi para os filhos, segundo a minha avó. Se por ter mais tempo ou por ter percebido o que perdeu dos filhos com as ausências necessárias, não sabemos. Sei apenas que o meu avô esteve sempre presente e eu sempre fui a menina dos seus olhos. As minhas primeiras palavras foram avô e avó.

Desde sempre me levou ao colégio de carro e até à porta do ciclo a pé, até que lhe disse, em forma de pedido, que não era preciso. Sempre me preparou o pequeno-almoço e me apertou os atacadores do que quer que tivesse calçado, durante muitos anos após já saber fazer o laço. Era ele que me contava as histórias e me explicava o mundo e ainda hoje vejo o mundo pelos seus olhos.

O sonho dele era que fosse médica. E o meu também, até que a escrita foi mais forte e cometi o erro de ir para humanidades. A partir daí, o sonho dele era que tirasse o curso de Direito. E foi o que fiz. E apesar de, nessa altura, ele ainda cá estar, já cá não estava. Eu contei-lhe e ele sorriu e disse qualquer coisa como "obrigado meu Deus", mas o Meu avô já não estava cá. Nunca cheguei a conclusão nenhuma sobre de onde me vinha a motivação para as boas notas e comportamentos exemplares. Nunca consegui perceber se era por mim, se era por ti que o fazia. Mas sempre agi querendo em cada gesto agradecer-te, a ti e à avó, por tudo o que fizeram por mim.

Outro sonho do meu avô era que eu ficasse "entregue" que significava, na sua linguagem machista, ao lado de um homem que tomasse conta de mim. Ele ainda te conheceu, mas tu nunca o conheceste como queria.

Sempre quis ter bisnetos e nem eu, nem as minhas primas fomos a tempo. Sempre nos quis ver casar e eu sempre achei que, se isso acontecesse, era com ele que eu entrava. Hoje em dia, tenho a certeza, que a entrar, entro sozinha.

Tantas coisas que não chegaste a ver, porque sempre vivemos a vida sem pressa do fim, a adiar as coisas porque o tempo era nosso. Mas não era.

Tenho saudades do tempo em que achava que o meu avô ia viver para sempre. E tenho ainda mais saudades do avô que desapareceu, ainda com muito para viver. Vou ter de cumprir a tua promessa e levar a avó à Madeira, para ver se compenso a tanta falta que lhe fazes.  E vou sempre carregar a culpa do "e se" comigo, não há nada a fazer. Se eu soubesse o que sei hoje...

Sei que estás comigo porque te sinto, na minha cabeça e no meu peito, todos os dias. E agora choro tudo de uma vez, e ensopo a almofada por todas as almofadas secas deste coração, que esteve amorfo estes anos todos, só mesmo porque alguém tinha de segurar o barco.

E agora adormeço embalada nos braços de alguém que toma conta de mim. Estou entregue! Podes dormir descansado..

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Das 12 badaladas ou as minhas resoluções para 2012



No fechar deste ano que foi bom e ao entrar em 2012 que certamente será melhor, sei que as 12 badaladas vão soar no nosso âmago enquanto gritamos uma contagem decrescente do 10 em diante, desencontrada das panelas que se começam a ouvir lá fora. Não sabendo onde vou estar nessa noite, se em cima de uma cadeira ou não, tenho a certeza que estarei no sítio certo, porque vou estar a teu lado, mais um ano, a olhar-te nos olhos enquanto engulo passas, apressadamente, ao ritmo das badaladas, desencontradas da contagem decrescente, em simultâneo com os desejos que se costumam pedir. E neste frenesim, sei que quando a contagem chegar ao zero, vou largar todos os pensamentos e vou deixar desejos por pedir, só para poder selar mais um ano com o beijo atrapalhado de quem tem a boca cheia de passas que custam sempre tanto a engolir. Mas fecham-se os olhos e tudo está bem. Os desejos que ficaram por pedir transformam-se em resoluções para cumprir e fica tudo bem. Porque acabam por ser a mesma coisa: a maior parte das vezes, a concretização dos desejos que pedimos, depende apenas de os querermos mesmo realizar. Assim, para não me esquecer de nada, e sem acreditar na superstição de que se contar não se realizam, resolvi anotar os meus desejos / resoluções, para este ano em que entramos:

Primeira badalada
BONG!

Desejo de Miss Universo: Paz mundial e fim da fome e da pobreza extrema. E ter a capacidade de fazer tudo o que está ao meu alcance para que isso se cumpra.

Segunda  badalada
BONG!

O desejo de ser mais e melhor mantém-se. O que muda é a vontade ser ainda mais forte. Mas a vontade de mudança também existe, noutras coisas, para ver se a vida fica mais fácil, para podermos aproveitar mais dias de sol.

Terceira badalada
BONG!

E tratar de ti e de mim melhor que a saúde é o mais importante. Comer bem, fumar menos, beber água, obrigar-te a vestir uma camisola quando está frio, essas coisas que todos sabemos. E não podemos dar as coisas como garantido.

Quarta badalada
BONG!

Viajar para longe. Este ano é que vai ser.. aquela viagem inesquecível. Enquanto houver estrada para andar, seguiremos em direcção ao oeste. E passear na praia, com os cães, naqueles dias frios que afugentam as pessoas.

Quinta badalada
BONG!

Euromilhões, Euromilhões, Euromilhões, seguida de uma mensagem por motivos de ausência por tempo indeterminado e uma mudança repentina de continente. Era tão bom!! Mas enquanto não me sai nada, contento-me com a ideia de conseguir poupar.

Sexta badalada
BONG!

Ser mais organizada e começar a fazer separação de lixo, que com vergonha assumo não fazer.

Sétima badalada
BONG!

Ter tempo e empenho para ler mais, escrever mais, ir mais ao cinema, pegar na prancha mais vezes. Fazer tudo o que quero que fazer. Preciso de tempo que é precioso para poder cumprir mais uns items da minha bucket list.

Oitava badalada
BONG!

Sucesso profissional e pessoal, para mim e para os meus.

Nona badalada
BONG!

Pela família, amigos, pelos que estão longe, pelos que estão perto, pelos que estão a passar um mau bocado, pelos que estão muito bem na vida, pelos que têm desafios pela frente.. que tudo o que desejam se realize. E para que os nossos inimigos emigrem para longe.

Décima badalada
BONG!

Que os nossos cães batam records de longevidade nunca vistos e vivam 40 anos.

Décima Primeira badalada
BONG!

Que o Sporting ganhe o campeonato. E a Taça. E as outras coisas todas que eu não sei o nome.

Décima Segunda badalada
BONG!

Estar contigo para o ano a pedir estes mesmos desejos, e outros ainda talvez. Porque sem amor o copo está sempre meio vazio.  O que implica que o mundo não acabe em 2012.

Balanço 2011



"Este ano vou ser mais, muito mais e bastante melhor. Vou ser tudo o que quero ser, já que não posso fazer tudo o que quero a todas as horas. E irei mais longe do que alguma vez fui e voarei mais alto.. Este ano vou viajar mais e trazer comigo mais pedaços deste mundo ainda estrangeiro de mim, mas não por muito tempo. Vou fazê-lo meu. E vou partilhar mais, prometo. E se falhar podem cobrar. Este ano vou trabalhar mais e melhor e ultrapassar os obstáculos que ainda me restam para ser plena na profissão que me escolheu. E vou ler mais, muito mais, porque o tempo foge de nós e a memória também e saber é preciso. Este ano vou cuidar mais de mim... Vou beber mais água e comer melhor e exercitar o corpo que é casa desta alma que quer viver muito e bem. Vou comer mais fruta e vegetais e fugir das batatas fritas e da Coca-Cola como se fugisse da lava de um vulcão. Este ano vou dançar e cantar mais e mais alto... Este ano vou amar-te ainda mais (como se fosse possível) e melhor (isso sei que é) e vou continuar a cuidar de ti e dos nossos, melhor do que no ano anterior. E vou ser mais arrumada e vou lavar mais vezes o carro. Este ano vou passear os cães logo de manhã cedo, antes mesmo de acordares com esse teu sorriso quente de almofada em resposta ao meu “bom-dia querido, está na hora”.Este ano vou estar mais com os amigos, tantos e tão bons e que hoje pouco vejo mas dos quais sinto tanta, mas tanta falta (se não fosse o Facebook já não os reconhecia – Salvé o Facebook!) Este ano vou poupar mais: dinheiro, energia, água, tristezas. E vou deixar de me preocupar com o que não interessa e de remoer obsessivamente nas subtilezas que capto nos sorrisos disfarçados dos outros ou nas frases encobertas de simpatia. Este ano vou dormir mais (sim querido, ainda mais) e melhor. Este ano vou ser mais feliz! E vou repetir este manifesto como mantra da minha alegria não me vá eu desviar do caminho certo."

Foi isto que eu disse o ano passado e eis o que consegui cumprir (quase tudo):

  • Viajei. Não tanto como queria mas para o ano será melhor;
  • Ultrapassei obstáculos: exame de agregação Check;
  • Dancei e cantei mais alto;
  • Cuidei de mim;
  • Amei-te melhor;
  • Fui mais arrumada e lavei o carro mais vezes (e no entanto o carro continua sem grelha);
  • Passeio os cães todas as manhãs;
  • Estive com os amigos (pouco, ainda, mesmo assim);
  • Poupei tristezas e substitui as lâmpadas lá de casa por LED para poupar energia;
  • Este ano fui mais feliz!

O que ficou por cumprir (e passa para a lista de resoluções de 2012, a qual protesto juntar):
  • Aquela viagem, só nós dois;
  • Beber água e deixar a Coca-cola (apesar das batatas fritas terem sofrido uma redução substancial);
  • Ler mais livros; e
  • Poupar dinheiro (tenho cá para mim que este no é que vou conseguir).
Um dos exercícios que gosto de fazer quando estou cansada ou acho que tudo corre mal é contabilizar, através de listas, as coisas boas e os momentos inesquecíveis que tenho passado, para não me esquecer que a vida me sorri. E fazendo uma incursão pela máquina fotográfica, este ano foi um ano notável e tenho muitos momentos para mais tarde recordar:
  • Passei fins-de-semana deliciosos;
  • Fui a festivais e concertos (Donavon - Ericeira Summer Fest, Jamie Cullum, Diego el Cigala, Cold Play - Optimus Alive, Gipsy Kings, Caetano Veloso e Maria Gadu, Bon Jovi, entre outros);
  • Fui a dois casamentos e dois baptizados;
  • A Maria nasceu e a Luísa vem a caminho;
  • Cantei no Rock in Law;
  • Andei a cavalo (montei) pela primeira vez;
  • Andei de barco;
  • Fiz milhares de compotas e biscoitos;
  • Tornei-me sócia do Sporting e comprei lugar de época;
  • Fui a Amesterdão mais uma vez;
  • Tive cerca de 6000 visualizações do blog só este ano (o que pode parecer rídiculo para que tenha este número de visualizações por dia, mas para mim foi um passo importante abrir o blog ao mundo);
  • Fui madrinha e fui à festa de Natal na Casa dos Rapazes; e
  • Comecei a andar de mota (à pendura - mas já foi um grande passo).
Em suma, foi um bom ano. Mas ainda há muito para fazer. À medida que antigos obstáculos são ultrapassados novos desafios aparecem no caminho. E eu estou preparada para percorrê-lo. Bom ano, malta!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A alegria de uma criança





Já vos disse que gosto muito do Natal, right? Especialmente porque esta época tem o condão de trazer ainda mais ao de cima a criança que há em mim.. Ou talvez, porque nesta época não se note tanto os meus surtos de alegria, daquelas que só as crianças sabem ter.


É uma das minhas características mais importantes: Sou criança e gosto! Haverá coisa melhor do que:
  • patinar no gelo e tentar não cair;
  • ficar embevecida com as luzes e cores;
  • sorrir com os olhos;
  • fazer "V's" de vitória (ou de peace and love) para as fotografias;
  • fazer casas de gengibre e montar a árvore de Natal;
  • cantar músicas de Natal em uníssono;
  • manter a esperança num mundo melhor;
  • partilhar a alegria de passar pelo security check do aeroporto e não apitar com o segurança;
  • comer gomas e algodão doce;
  • andar de carrossel;
  • a alegria sincera de partilhar o que temos?

Não há, digo-vos, honestamente. Passamos a infância a querer ser crescidos para poder fazer imensas coisas que nos esquecemos de fazer quando, finalmente, chegamos a adultos e já não precisamos de autorização. Temos de ser adultos tantas horas por dia que, com o que nos sobra, temos de aproveitar e voltar à simplicidade das coisas boas.

Isto tudo para justificar a minha compra do Domingo passado. Fui à Decathlon e comprei um arco de Hula hoop, que sempre quis ter. Em miúda, lembro-me de ficar na escola, horas a fio, com o arco a rodar à minha volta sem cair. E nesta memória peguei no arco ali mesmo e tentei. Inexplicavelmente, o arco rodopiou brevemente (cerca de duas vezes e meia já a contar com a volta que deu nas pernas) e caiu. Não pode ser.. As crianças não têm ancas, agora devia ser mais fácil. E tentei mais uma vez.. E voltou a cair. Pronto, a decisão fora tomada: Tinha de levar o arco para casa. Fui treinando no caminho até à caixa e quando cheguei já conseguia aguentar três voltas e meia. A senhora da caixa sorriu e disse:

É tão bom ter a capacidade de se ser criança! Pois é, respondi com um sorriso, iniciando mais uma tentativa falhada. Em suma, acabei de encontrar a minha primeira resolução para 2012: ficar croma a hula hoop! Garanto-vos que entre tentativa e erro, aquele arco faz melhor do que ir ao ginásio.

E com a alegria de uma criança, saí com o arco na mão, e fui brincar às casinhas com o meu namorado. =)


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dos que estão longe


 

Chega a um dada altura da vida que chegamos à conclusão que temos pessoas em todos os cantos do mundo. Seja pela análise da origem das visualizações do blog, seja porque a saudade aperta, este é um facto que me assusta, ao mesmo tempo que me dá uma sensação de conforto inexplicável.

Conheço e sinto falta de pessoas que partiram para lugares mais ou menos amenos, para conquistar o mundo, coisa que sempre quis fazer (e  faço, mas sem sair do meu lugar, através de uma espécie de controlo remoto espiritual). O que sinto é que estas pessoas, ainda assim, por terem passado ou por fazerem parte da minha vida, levam um bocadinho de mim com elas. Através dessas migalhas de mim espalhadas pelo mundo como estandartes da minha casa, tenho uma sensação de pertença - que pertenço ao mundo (dúvidas houvesse) e que o mundo me pertence, mesmo sem sair de casa. O mundo é a minha ostra, ou qualquer coisa do género.
Mas a parte pior da internacionalização é a falta que se sente dos que estão a viver por nós momentos inesquecíveis. É muitas vezes, por causa deles, que me dedico a estes textos. Porque sei que há alguém do outro lado que os lê, porque sei que muitas vezes esta é a forma preferencial de comunicação. Não para contar do que se passa na minha vida, que ultimamente se mantém à bolina de um vento calmo, sem nada de novo para contar, mas com a serenidade e calor de um dia ameno de sol, apesar do cansaço que já se vai acumulando no corpo. Mas do que se passa na minha cabeça, que é muito mais desnorteado e interessante, ou não. 

  
  • Assim,  à L. que está em nos EUA: Querida amiga, todos os dias penso em ti e neste oceano que está no meio. E tenho tantas saudades que nem aguento. Esta "personagem de filme de Tarantino" sente falta da sua comparsa de gabinete, conversas, jantares, gostos, de compreensão. És das poucas pessoas que me conseguia criticar e ser dura sempre na altura certa, sempre quando precisava mais. Por isso tenho saudades e quero saber de ti. Sei que estás feliz aí, mas sabes que tens aqui também uma casa e pessoas de braços abertos à tua espera.
  • À prima R. e à baby L. em gestação, que estão em Larnaca - Chipre: Amora, prima-irmã do Guincho e de Fábrica, e de todas as férias e fins-de-semana e madrugadas, acompanhadas de panquecas e gelado. Custa-me tanto não poder partilhar deste momento maravilhoso que atravessas, custa-me não poder por a mão na tua barriga e ver o teu sorriso a resplandecer enquanto trazes contigo o início da tua própria família. Baby L., que vais ser a nova prima caçula, apesar de seres cipriota, espero que esta casa te receba um dia também. Espero poder ver-te crescer, e espero ver os olhos do papá e da mamã a sorrir nessa cara linda, que só poderás ter.
  • À Fifi que está em São Tomé: E que nos escreve e-mails em forma de crónica a contar as estórias recambulescas que ocorrem no coração de África. Enquanto primas mais velhas sempre levámos a responsabilidade de tomar conta e mandar dos pequeninos e agora, com mais pequeninos a caminho, no lado oposto, deixas-me prima mais velha, cheia de ciúmes, do verde efervescente de África. Sabemos que vais voltar com uma bagagem diferente da que levaste, provavelmente mais leve, mas preciosa. Aguardo a volta do correio e a visita do Natal, enquanto me lembro de como cantávamos Laura Pausini agarradas à capa do CD, com as mãos a segurar um microfone imaginário.
  • Ao V. que está no Texas, mas já esteve em Luanda: Raio do homem tem bicho carpinteiro.. Quando chegares a Portugal vai a Fátima na ponta da língua agradecer a santa F. que tens como namorada, que se fosse eu... Tenho saudades das tuas parvoíces e dos teus planos mirabolantes para o que quer que se faça. Vamos mandar uma carta à Oprah para ver se ela te traz de volta depressa. Dos restaurantes esquisitos e de me emprestares Cd's (muitos deles ainda tenho aqui), e das festas e de me teres acolhido no teu grupo de amigos como que sempre tivesse estado ali. Foste aquele que me aturaste e me deste esperança, quando mais precisava. Tenho muitas saudades tuas e gosto muito de ti.
  • À J. que está em Dili: E que do fim do mundo nos escreve crónicas deliciosas e nos maravilha com fotografias sempre inesperadas, dando-nos a conhecer o fim do mundo. Saudades dos lanches na copa e nas conversas à porta do escritório que nos faziam querer ficar mais um pouco, antes do regresso a casa. Que essa experiência fortaleça ainda mais a tua personalidade vencedora e o vosso amor-modelo, e que tragas tudo isso de volta para partilhar connosco.
  • À S. que vai-e-não-vai, vai a Angola: E que me leva como companhia de viagem, quando a Internet funciona, que a vida de rotator não é nada fácil. Temos sempre saudades da tua frontalidade irónica e do teu sorriso cada vez que estás lá fora.
  • À C. que está em Macau: E que também escreve e partilha connosco as maravilhas asiáticas e do amor, que gosto de ler por ter a compreensão de que viu os filmes que eu vi. Vai escrevendo mais que temos saudades.
E a todos os outros, dos quais não me esqueci...

Obrigada por me fazerem viajar convosco e por me levarem na bagagem do pensamento. É assim que eu ganho mundo todos os dias.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Como esquecer alguém (Parte II)

3. Fazer uma fogueira e queimar os despojos: Não dá para viver rodeada das coisas que ele deixou, dos bilhetinhos ou sms que nos escreveu, das fotografias, emolduradas na nossa alma, parede ou telemovel. Enquanto não conseguimos tirar a imagem embutida na alma, há que arrancar das paredes todas as marcar e premir a tecla delete as vezes que forem necessárias. Faça-se um magusto e salte-se a fogueira desses despojos. Eu levo isqueiro. Prometo comparecer e festejar. E depois até podemos arranjar um lugar bonito para depositar as cinzas (talvez um fossa, ou coisa do género). Queime-se tudo, rasgue-se mais. Só custa mesmo começar mas depois o alívio é maior. E com as lágrimas que caiem, caiem também os sonhos despedaçados que insistíamos em guardar... Esta medida é dura, das mais duras mas é também, a mais eficaz.




4. Emigrar: Se tiverem possibilidade de o fazer, não pensem duas vezes. Emigrar é fugir com classe porque temos sempre uma óptima desculpa, como um mestrado ou um emprego importantíssimo. "Estás a ver como não preciso de ti para nada? Estás a ver o quão independente e livre sou?" Oh yeah, é esse o sentimento. E se puderem escolher, vão para longe, sendo que longe é o suficientemente afastado para necessitarmos de um voo intercontinental para chegar lá. Conheçam novas pessoas por forma a relembrarem o que já não sabiam: há tanta gente no mundo espectacular: homens e mulheres que valem a pena conhecer e que não vão desperdiçar o nosso tempo, mas sim, dar-nos instrumentos para a vida. É claro que se for para um sitio quentinho e paradisíaco, ajuda ainda mais! E eu vou ficar ainda mais contente quando vos fizer uma visita.




(to be continued...)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Como esquecer alguém (Parte I)

Este texto já foi escrito por Miguel Esteves Cardoso e não tenho pretensões de fazer melhor. Tenho apenas ideias a acrescentar, que penso poderem ajudar those in need (vocês sabem quem são: os de coração apertado e lágrima fácil, nos últimos tempos). Como daquelas pessoas que choram por osmose, por não aguentar ver mais tristeza nos olhos de quem é meu, tenho todo o interesse em que sigam estes conselhos não solicitados.
O MEC diz com razão que se tem de esquecer devagar, não há outra forma, que isto do esquecer depressa não funciona e, normalmente, dá mau resultado. Portanto, os conselhos de amiga que aqui deixo são para se manterem no tempo, na lentidão dos dias que passam ainda mais devagar para os que sofrem de saudade e incompreensão. São para ir fazendo, sem desistência, todos os dias, durante muito tempo, até que se esqueçam porque o fazem.

Tudo isto ajuda, evita que piore, eu sei lá.. Nunca tive jeito para esquecer quem amo e por isso sei pelo que passam agora, na incredulidade de quem não sabe como vão conseguir. Mas sei que estes conselhos me ajudaram, e tornaram o caminho mais fácil, quando foi preciso. Assim, desejo-vos toda a força do mundo, sabendo que estou à distância de um telefonema. This too shall pass é um bom mantra para entoarem mentalmente nesta maratona. Agora, só falta porem-se ao caminho.

1.   Mudar a discografia: É imprescindivel! Não dá para continuar a ouvir os cds que ambos partilharam e não dá para arriscar ouvir rádio e apanhar a vossa música pelo caminho.. é logo um dia que fica todo estragado. Portanto, falem com vossos amigos e perguntem o que é que eles andam a ouvir. Experimentem música nova, mas que estejam dispostos a perder durante uns tempos. Nestas alturas, não dá para ouvir o CD preferido porque vão perder as suas músicas durante muito tempo. Já todos perdemos músicas, músicas que foram nossas e que agora já não conseguimos ouvir... Umas são recuperáveis mas outras, pela impenetrável conexão que têm com as memórias que não se querem ter, perdem-se para sempre.. E por isto, música étnica é, para mim, a melhor opção. Traz-nos o calor de lugares distantes, num ritmo animado e numa língua imperceptível.. ideal para não começarmos a fazer conexões entre a letra e a nossa vida.



2.   Cortar o cabelo: Esta é, normalmente, a primeira medida a tomar quando desejamos mudar de vida, ser diferentes do que somos e, por isso, é das coisas mais adequadas para fazer em época de sofrimento. Nesta época, não nos reconhecemos, nem reconhecemos a nossa vida, portanto uma mudança razoavelmente radical pode ser um óptimo alicerce para o desconhecimento instalado. A mudança na aparência traz consigo uma aparência de mudança, e de fora para dentro, a mudança vai acontecer. Tudo começa com um bom corte de cabelo.. Sim, tem de ser bom.. Cortes de cabelo auto-destrutivos estão proibidos nesta fase (nada de rapar ou pintar de azul). Por isso, larguem a tesoura de cozinha que já estava na vossa mão e vão-se por bonitas.




(To be continued)