Nani Moretti
Vinicius de Moraes
Pedro Paixão
Woody Allen
Cole Porter
Milan Kundera
Bernardo Soares
...
Desde sempre somos confrontados com binómios antagónicos: O Bem e o Mal, o peso e a leveza do nosso amigo Kundera, o quente e o frio, o ser e o não ser... Mas toda a minha vida o binómio que se apresentou mais complicado de resolver foi o que opõe as diversas perspectivas de a encarar: o copo meio cheio ou meio vazio. Mas será que a escolha resolverá alguma coisa? É que, no fundo e apesar do livre arbítrio, a vida será sempre o meio copo que, incansavelmente, tentamos encher...
Nani Moretti
Vinicius de Moraes
Pedro Paixão
Woody Allen
Cole Porter
Milan Kundera
Bernardo Soares
...
Ela é simplesmente fabulosa.. e a música diz tudo. Enjoy! Now won't you listen to me honey while i say, How could you tell me that you're goin' away? Don't say that we must part, don't break my aching heart You know i've loved you truly many years, loved you night and day How could you tell it to me? can't you see my tears? Now listen while i say After you've gone, and left me crying After you've gone, there's no denying You'll feel blue, you'll feel sad You'll miss the dearest pal you've ever had There'll come a time, now don't forget it There'll come a time, when you'll regret it Some day, when you grow lonely You heart will break like mine and you'll want me only After you've gone, after you've gone away After you've gone, after the break up After you've gone, you're gonna wake up You will find that you were blind To let somebody come and change your mind After the years, we've been together Their joy and all tears, a-all kinds of weather Someday, when you're downhearted You'll long to be with me right back where you started After you've gone, after you've gone away!
Não... Não vos venho aqui falar do novo filme da Sandra Bullock, estejam descansados... O que se passa é que comecei a ler o novo livro de Chico Buarque chamado "Leite Derramado". O texto que se segue é o primeiro capítulo dessa história sobre um homem doente com Alzeimer que conta estórias na sua cama de hospital. Esta é a declaração de amor em forma de pedido que aquele faz à sua enfermeira preferida. A sinceridade utópica desta personagem fez-me sorrir... Talvez todas as declarações de amor sejam utópicas, à sua maneira... Transcrevi este capítulo para partilhar convosco este pedacinho de alegria que tive e também para, ao estilo de "finding Forrest", habituar os meus dedos a escrever bem, na esperança que um dia eles o façam sozinhos. Por agora, deixo-vos com a genialidade de Chico Buarque de Holanda. Amen!
"Quando eu sair daqui, vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra. Você vai usar o vestido e o véu da minha mãe, e não falo assim por estar sentimental, não é por causa da morfina. Você vai dispor dos rendados, dos cristais, da baixela, das jóias e do nome da minha família. Vai dar ordens aos criados, vai montar no cavalo da minha antiga mulher. E se na fazenda ainda não houver luz eléctrica, providenciarei um gerador para você ver televisão. Vai ter também ar condicionado em todos os aposentos da sede, porque na baixada hoje em dia faz muito calor. Não sei se foi sempre assim, se os meus antepassados suavam debaixo de tanta roupa. Minha mulher, sim, suava bastante, mas ela já era de uma nova geração e não tinha a austeridade da minha mãe. Minha mulher gostava de sol, voltava sempre afogueada das tardes no areal de Copacabana. Mas o nosso chalé em Copacabana já veio abaixo, e de qualquer forma eu não moraria com você na casa de outro casamento, moraremos na fazenda da raiz da serra. Vamos nos casar na capela que foi consagrada pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro em mil oitocentos e lá vai fumaça. Na fazenda você tratará de mim e de mais ninguém, de maneira que ficarei completamente bom. E plantaremos árvores, e escreveremos livros, e se Deus quiser ainda criaremos filhos nas terras de meu avô. Mas se você não gostar da raiz da serra por causa das pererecas e dos insectos, ou da lonjura ou de outra coisa, poderíamos morar em Botafogo, no casarão construído por meu pai. Ali há quartos enormes, banheiros de mármores com bidés, vários salões com espelhos venezianos, estátuas, pé-direito monumental e telhas de ardósia importadas da França. Há palmeiras, abacateiros e amendoeiras no jardim, que virou estacionamento depois que a embaixada da Dinamarca mudou para Brasília. Os dinamarqueses me compraram o casarão a preço de banana, por causa das trapalhadas de meu genro. Mas se amanhã eu vender a fazenda, que tem duzentos alqueires de lavoura e pastos, cortados por um ribeirão de água potável, talvez possa reaver o casarão de Botafogo e restaurar os móveis de mogno, mandar afinar o piano Pleyel da minha mãe. Terei bricolages para me ocupar anos a fio, e caso você deseje prosseguir na profissão, irá para o trabalho a pé, visto que o bairro é farto de hospitais e consultórios. Aliás, bem em cima do nosso próprio terreno levantaram um centro médico de dezoito andares, e com isso acabo de me lembrar que o casarão não existe mais. E mesmo a fazenda na raiz da serra, acho que desapropriaram em 1974 para passar a rodovia. Estou pensando alto para que você me escute. E falo devagar, como quem escreve, para que você me transcreva sem precisar ser taquígrafa, você está aí? Acabou a novela, o jornal, o filme, não sei porque deixam a televisão ligada, fora do ar. Deve ser para que esse chuvisco me encubra a voz, e eu não moleste os outros pacientes com o meu palavrório. Mas aqui só há homens adultos todos meio surdos, se houvesse senhoras de idade no recinto eu seria mais discreto. Por exemplo, jamais falaria das putinhas que se acocoravam aos faniquitos, quando meu pai arremessava moedas de cinco francos na sua suite do Ritz. Meu pai ali muito compenetrado, e as cocotes nuínhas em postura de sapo, empenhadas em pinçar as moedas no tapete, sem se valer dos dedos. A campeã ele mandava descer comigo ao meu quarto, e de volta ao Brasil confirmava à minha mãe que eu vinha-me aperfeiçoando no idioma. Lá em casa como em todas as boas casas, na presença de empregados os assuntos de família se tratavam em francês, se bem que, para mamãe, até me pedir o saleiro era assunto de família. E além do mais ela falava por metáforas, porque naquele tempo qualquer enfermeirinha tinha rudimentos de francês. Mas hoje a moça não está para conversas, voltou amuada, vai-me aplicar a injecção. O sonífero não tem mais efeito imediato, e já sei que o caminho do sono é como um corredor cheio de pensamentos. Ouço ruídos de gente, de vísceras, um sujeito entubado emite sons rascantes, talvez queira me dizer alguma coisa. O médico plantonista vai entrar apressado, tomar meu pulso, talvez me diga alguma coisa. Um padre chegará para a visita aos enfermos, falará baixinho palavras em latim, mas não deve ser comigo. Sirene na rua, telefone, passos, há sempre uma expectativa que me impede de cair no sono. É a mão que me sustém pelos raros cabelos. Até eu topar na porta de um pensamento oco, que me tragará para as profundezas, onde costumo sonhar a preto e branco."
Esta é uma teoria que tenho vindo a desenvolver há já algum tempo e ultimamente com mais frequência. Tenho vindo a ser cobaia da realidade empírica desta teoria… Já me escangalho a rir sempre que me deparo uma e outra vez com a origem fáctica desta teoria… é mau de mais para não ser cómico! Tenho de a escrever para ver se me livro disto de uma vez por todas.
A windscreen Theory nasce de um acto banal: O acto de deitar água no pára-brisas (doravante “PB”) accionando ao mesmo tempo o respectivo limpa pára-brisas (doravante “LPB”). Até agora tudo faz sentido eu sei… Aliás o meu carro até acciona automaticamente os ditos LPB sempre que carrego no esguicho. Tudo isto é normal… Faz parte do quotidiano de quem conduz. Se está sujo lava-se muito simples (e higiénico).
Mas agora surge o problema:
PORQUE É QUE TODA A GENTE SE LEMBRA DE LAVAR A MERDA DO PB NO MOMENTO EM QUE CONDUZEM Á MINHA FRENTE!!!
A sério, já dei mil e uma voltas à cabeça e fiquei com um nó no cérebro e continuo sem perceber… PORQUÊ? Que mal fiz eu?!?
Sei que já devia estar habituada, normalmente tudo me acontece, do género de ir assistir jogos de rugby e estando na bancada ver a bola obviamente na minha direcção. Eu sei disso, as minhas amigas sabem disso, eu preparo-me para a defesa, elas nem se mexem porque sabem, como eu, que a bola vai cair em cima de mim. E cai, sempre. Eu rio-me… Eu sou um pára-raios de serviço e vivo bem com isso, mas todos os dias levar com três ou quatro lavagens de carros alheios tenham dó.
E depois comecei a pensar que tipo de pessoas faz isto? Vocês que me lêem fazem-no? Lavam os vossos PB sem se importar que o carro de trás fique com os respectivos todos sujos? O meu trabalho de teorização iniciou-se então com a identificação do tipo de pessoas que o faz. A saber:
- Dolo directo: aqueles que resolvem lavar o PB propositadamente com a intenção de sujarem os PB dos condutores que os perseguem; - Dolo necessário: aqueles que sabem que ao lavar o PB em andamento vão sujar os PB dos condutores que os perseguem, mas marimbam-se para esse facto e lavam na mesma. Eles que limpem os PB respectivos, que bem estão a precisar; - Dolo eventual: aqueles que sabem que ao lavar o PB em andamento correm o risco de sujar os PB dos condutores que os perseguem, mas têm acreditam que isso não vai acontecer. Pode ser que o vento venha de trás; - Negligência Consciente: aqueles que lavam o PB em andamento correm o risco de sujar os PB dos condutores que os perseguem mas que não se aperceberam que tinham um carro atrás deles quando accionaram o esguicho; e - Negligência Inconsciente: Aqueles que não fazem mínima ideia que ao lavarem o PB em andamento sujam o PB do carro que os persegue.
E aqui começa a windscreen theory.
Parte-se do pressuposto que as pessoas vagueiam na vida com um conjunto de princípios ético-morais. As pessoas podem ser caracterizadas pelo tipo de princípios que defendem. De modo a identificar/ qualificar uma pessoa e respectivos princípios consigo basta verificar a que grupo de “lavadores de PB em andamento” ela pertence. Senão vejamos…
O tipo de pessoa que lava o LP com dolo directo é um tipo completamente egocêntrico, revoltado, que procura vingança pelas vezes que o seu PB também foi sujo com água alheia. É uma pessoa inteligente pelo simples facto de já ter desistido de acreditar na justiça. No fundo, não é a pior pessoa do mundo mas é bastante irritante na mesma, porque ninguém tem a culpa do mal que lhe fizeram. Estas pessoas leram mal a teoria do Pay it forward aplicando-a às acções com impacte negativo na vida dos outros em vez de se limitarem a fazer o bem.
O tipo de pessoa que lava o LP com dolo necessário pertence a um dos tipos que mais me irrita. O facto de se estarem a marimbar revela um egoísmo atroz. Eu ainda aturo pessoas egocêntricas, agora egoístas, não há pachorra. Este tipo de pessoas passeia na vida a ter consciência das consequências dos seus actos mas desde que nada lhes aconteça está tudo bem. Idiotas. O tipo de pessoa que lava o LP com dolo eventual é um tipo bastante optimista. O que acaba muitas vezes por ser um desculpa óptima para se auto desculparem. No fundo, estes agem com dolo necessário mas convencem-se que vai tudo correr bem para não se sentirem tão mal. São pessoas mimadas e egoístas que querem acreditar que são muito boas pessoas e que têm sempre óptimas intenções. Desistam!!! Não enganam ninguém!
O tipo de pessoa que lava o LP com negligência consciente é um tipo constituído por pessoas porreiras porem um bocado distraídas. Até sabem que é chato levar com a água de um PB alheio mas esquecem-se muitas vezes de verificar se vem alguém atrás quando são eles a fazê-lo. Todos cometemos erros…
O tipo de pessoa que lava o LP com negligência inconsciente é definitivamente o tipo de pessoas que não suporto. Simplesmente odeio gente burra que anda a fazer merda pelo mundo porque pura e simplesmente não repararam ou nunca se aperceberam. Estas pessoas são as mais egoístas, egocêntricas e mimadas. Tudo o que vá para além dos próprios carros não lhes interessa. Atenção, que a maior parte dos acidentes é causada por este tipo de pessoas.
Depois de dissecar a windscreen theory comecei a extrapolar e cheguei à conclusão que esta tem como consequência a inversão do Karma. Sim… porque existem pessoas que, simplesmente, não lavam o PB em andamento (as chamadas madre-teresa-de-calcutá-deste-mundo). Pessoas que, mesmo depois de verem o seu PB todo enxovalhado por esguichos e até mesmo por aspersores de jardins de beira de estrada, continuam corajosamente a conduzir quase sem visibilidade, só para não sujarem o PB do carro que segue atrás. Serão estas pessoas compensadas algum dia? Quer-me parecer que não… Mas voltarei a esta teoria mais tarde…
Passou-se mais um fim de semana...
Este último, pela tropicalidade que se instalou, passou-se à beira d'água... beira mar de dia, beira Tejo à noite. Não que estivesse muito mais fresco mas pelo menos pairava aquela maresia que me deixa sempre mais feliz.
De dia atravessei a ponte, à noite contemplei-a...
As luzes são para mim como as migalhas são para as gaivotas... pequenos pedaços de alegria que não matam a fome mas acalmam a alma. E o burburinho das conversas frenéticas dos que não dormem misturado com a música que nunca morre, chama-me à vida, uma e outra vez, lembrando-me a razão pela qual ainda permaneço, e amo Lisboa.
Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente
Ficou lindo, ficou lindo de morrer
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de quê
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você
Se você quer ser minha namorada
Ah! Que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exactamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas estórias de você
E de repente
Me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque
Mas se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E, talvez, o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços, o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois
Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais
Pego no carro... tem mesmo de ser. Quando a tristeza se instala o meu único consolo é conduzir bem devagar em direcção a parte alguma. O que vale é que este cinzento opaco que é derramado sobre nós, faz abrandar todos os que ainda tentam chegar a tempo.
E desse modo, deixo de ser a causa do trânsito compacto, tornando-me apenas mais uma que se arrasta ao ritmo da chuva.
Já é hora de voltar à escrita já que a tinta não pára de correr na minha cabeça e já me cansei da preguiça e do próprio cansaço.
Assim, volto a esta casa que já tem mais de um ano de vida e cujo aniversário não foi esquecido apesar de não publicado. A proprietária já não é a mesma (não porque a casa tenha sido vendida ou porque o banco a tenha vindo penhorar) mas apenas porque sei que quem vos escreve hoje é outra pessoa, diferente da que a construiu.
Não posso dizer que tenha mudado, não o fiz, nunca o faria, mas ganhei perspectivas que julgava nunca vir a ganhar. Acho-me inteligente o suficiente para ter consciência de que é preciso aprender todos os dias, experimentar mesmo errando e não desistir de reconstruir a casa (ou pelo menos de redecorá-la) isto se os alicerces estiverem bem fundados, o que considero que estão, apesar da doutrina divergir sobre ao assunto.
Este ano que passou pus alguns projectos adiados em dia mas muitos ainda se quedam na gaveta à espera de disponibilidade. Mas estou mais perto do que estava antes.
Este ano aprendi finalmente a pôr-me em pé numa prancha de surf. Não foi fácil, sendo um desafio mais íntimo e intelectual do que alguma vez imaginei. Mas são os momentos em que duvidamos de nós que, quando ultrapassados, nos dão segurança de quem somos e do que somos.
Também experimentei falhar, chumbar, ir de encontro a um obstáculo até à altura inexistente. Esse obstáculo ainda não ultrapassado fez tremer a base, deitou por terra aquilo em que assentava a parede mestra da minha casa. E agora a insegurança surge onde nunca tinha surgido e o medo é difícil de afastar e a dúvida das nossas capacidades... Enfim, voltarei a falar nisso quando o obstáculo for ultrapassado.
At last but not at least, i've found love. Estejam descansados que não vou começar com lamechice pegada apesar de andar mais sensível do que alguma vez imaginei ser. Há dias até em que não me suporto principalmente aqueles antes de... vocês sabem...
Porque o que me fez crescer no amor, e me faz todos os dias, não foram os dias de romance e os olhares profundos e o sentimento de sermos compreendidos (tem dias:)). Tudo isso é a coisa "mais boa" que já me aconteceu, não estou a menosprezar. Mas a angústia da saudade e a perda da independência e a cedência eram palavras que não constavam do meu léxico. Mas todos estamos sujeitos a acordos ortográficos, uns melhores e outros péssimos, e este sendo revolucionário foi de "fato" essencial. Este fez-me conhecer-me um pouco mais, encontrar as rachas na parede e as infiltrações... porque não há cura sem diagnóstico! A perda de liberdade, não física obviamente, mas intelectual, mental ou espiritual (escolham conforme a vossa religião) é o sentimento mais agridoce que até hoje conheci. Porque ao mesmo tempo que já não dependemos só de nós próprios e que perdemos forças para arrancar para outro lado qualquer e que pensamos em outra pessoa antes de pensarmos em nós próprios (homens saltem este paragrafo porque nunca vão perceber e eu ainda não arranjei maneira de traduzir isto) também sentimos finalmente que já não estamos sós, apesar de nunca ter-mos estado sozinhos. Aprendi, em suma, que o amor é a prisão que nos liberta (não sei dizer isto sem parecer frase feita, desculpem).
Portanto, com todo o ar (dióxido de carbono inclusivé) dos meus pulmões vos grito: É HORA! O projecto foi desenhado, o orçamento está feito e a reconstrução já começou. Tenho consciência que é imprescindível deitar paredes velhas abaixo para construir as novas, mas as fundações mantêm-se.
E prometo que daqui para a frente vos mantenho actualizados dos progressos da obra, que não se vai fazer sozinha, nem em sete dias, mas que já está em andamento.
Com Portugal a ficar para trás nos quartos de final a crise volta a instalar-se temporariamente, até ser ser tempo de férias.
Não querendo atribuir culpas a ninguém mas já atribuindo (Ricardo: fechar os olhos quando se vai tentar defender é coisa de menina e como se viu não dá muito resultado!!!; Simão: sem palavras...) venho aqui prestar o meu sentido pesar pela exibição de Portugal nos últimos dois jogos...
Relativamente ao jogo contra a Suíça, apesar de atribuírem culpas à falta de jeito da Equipa B, existem teorias da conspiração muitos mais interessantes e lúdicas. Há quem defenda que perdemos de propósito, porque sendo a Suíça organizadora do mundial tínhamos de deixa-los ganhar. Porém, a Áustria também organizadora não beneficiou de tal benesse... O que se passou então?
Talvez os bancos suíços, numa joint venture de marketing, tenham criado um fundo a atribuir a quem tivesse coragem de não ter vergonha de perder contra a pior equipa do campeonato. Claro que a haver equipa a aproveitar tal gratificação seria a nossa, onde pelos vistos dinheiro vale mais do que honra... É mais uma teoria.
Teorias da conspiração à parte, na minha opinião penso que foi uma questão de desmotivação e azar: desmotivação de quase toda a equipa e azar do Postiga!!!
Meu querido Postiga... pode ser que agora no SCP te dêem o devido valor!
No último jogo aconteceu o mesmo... Adormecidos pela confiança de quem é idolatrado ao ponto de ser seguido todo o percurso até à Suíça, e de quem recebe tanto e é tão bom, muitos jogadores portugueses acharam que não se precisavam de esforçar que estava tudo garantido...
E é aqui que entra o Postiga. Já repararam como Scolari só manda entrar o Postiga nas alturas de aflição?!? Em 2004 contra Inglaterra ainda foi a tempo neste último nem tanto.
Hélder Postiga é um jogador esforçado, concentrado e que não tem medo de ir à bola, seja para fazer asneira ou não. Ele dá sempre tudo o que tem pela camisola que traz vestida, o que deveria ser inato a todos os jogadores da nossa selecção mas não o é...
E repararam como é que ele festejou o golo que marcou? Foi a correr buscar a bola à baliza para colocá-la de novo a meio campo porque o tempo não corria a nosso favor.
Assim, dedico este texto a todos os que se esforçaram como o Postiga, ao Próprio obviamente, e a todos os que tiveram de engolir as suas palavras de desprezo relativamente às capacidades desse grande jogador. Espero que vos tenha arranhado bastante a garganta...
Lisboa é linda a todas as horas, é um facto!
À noite com as luzes, com o burburinho das conversas que se acumulam nas ruas, com os brindes de copos cheios aos dias que hão-de vir melhores, com as festas que se sucedem e se misturam, com o dia de trabalho que ficou para trás, com olhares cheios de promessas...
Ao amanhecer com o cheiro a fresco da esperança de um novo dia, com o sol que insiste na repetição de nascer todos os dias, com a calma e silêncio e a paz que precede a tormenta, com aquela luz que faz tudo parecer melhor, com o chilrear dos pássaros em forma de despertador...
Mas ao entardecer, no lusco-fusco, esse momento tão efémero e difícil de agarrar, Lisboa transforma-se na cena de um filme vencedor do Óscar de melhor fotografia e certamente de melhor banda-sonora, aquela que passa na nossa cabeça (porque tudo o que é belo tem de ter música a acompanhar para ficar ainda melhor). Lisboa nestes cinco/sete minutos ganha uma cor que não se vê em mais nenhum momento do dia. O dia de trabalho acaba, a noite ainda não começou, a luz do sol ainda se vê mas as luzes da cidade já se acenderam e o céu veste-se de cores festivas antes do fato escuro, o dress code de todas as noites.
Se apanharem este momento parem por favor! Fiquem em silêncio e respirem fundo e tentem absorver com os olhos tudo o que a cidade tem para vos mostrar. Têm cinco/sete minutos... Aproveitem-os bem!
(Kiki Dimoulá trad. do grego por Manuel Resende)
Hello Stranger... So I'm awake now and my window is already wide open... Come and get me then. I'm waiting for you to take me on a fly...
Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.' Vamo pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quizer, vai dar pra mudar o final!
Entre outras coisas a que mais tarde voltarei. Mas já viram?!... Eu até sou feliz!