sexta-feira, 15 de julho de 2011

Qual é a tua palavra?

Já vi o filme e continuo a ler ao livro, aos bocadinhos, para que não acabe já, para poder saborear aos poucos os pedaços de verdadeira sabedoria que a autora transpôs para o papel. Numa passagem do livro Comer, Orar, Amar, a autora indaga sobre qual a palavra que a descreve? Qual a palavra que consegue reunir todas as suas características, que a inspira, que a fascina pela sua sonoridade? Qual é a sua palavra? E chegou à conclusão que a sua palavra era "attraversiamo", do italiano atravessamos. E a escolha não podia ser melhor.

Consequentemente, há vário meses que penso em qual será a minha palavra, qual o vocábulo que me definia há vinte anos, me define hoje, e me definirá daqui a quarenta? E lembrei-me do momento em que, com oito ou nove anos, tive de escolher um totem, nos escuteiros, composto por um animal e uma característica que tivesse a ver comigo. Na altura escolhi "Arara Persistente", arara porque não me calo e é um anagrama e persistente por que sim, porque sou.

Porém, 20 anos mais tarde, concluo que a minha palavra não é persistência, mas Perseverança (dita em português, definida em inglês). Porque, no fundo, é uma persistência com um travo de esperança, com um pedaço de "conseguiste" à mistura. É um "we shall overcame" numa só palavra, é a hortelã de beira de auto-estrada. É nela que penso quando em dificuldades, é isso que repito quando, vezes e vezes sem conta, caio uma e outra vez, da prancha e sou inundada de dúvidas sobre o que sou capaz. Perseverança!! É isso mesmo.

Perseverance: continued steady belief or efforts, withstanding discouragement or difficulty; persistence; steady persistence in a course of action, a purpose, a state,etc., especially in spite of difficulties, obstacles, or discouragement.

Qual é a tua palavra?

Não vale responder no Facebook ou na pausa do(s) cigarro(s)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Crónica fútil ou O momento mais embaraçoso da minha vida

Disclaimer: Prometo que este blog não vai passar a dispôr de artigos sobre o kit que tenho vestido (olhem que gira que eu sou), nem sobre a roupa que comprei, vou comprar, ou quero comprar, como acontece actualmente nos blogs da moda (diga-se, nos blogs com mais visitantes do nosso país). Não vou vender a minha alma em troco de audiências! Mas esta tenho mesmo de contar. Aqui vai:

Como tinha a sensação que não ia ganhar o Euro Milhões dirigi-me, ontem à noite, aos arrabaldes de Lisboa, em busca de uns saldos catitas. Não tinha muito tempo e por isso decidi concentrar-me nas lojas low cost.

Comecei pela Modalfa, que adoro por ser portuguesa, barata e, principalmente, por ter roupa e calçado espectacularmente confortável e giro, não descurando nas tendências. Muito bem, depois de 2 vestidos, 3 tops, 2 pares de sandálias e, inacreditavelmente, apenas, 80 e poucos euros mais tarde, saí toda contente com as minha novas aquisições, e dirigi-me à Primark, pois ouvi dizer que estavam a dar roupa.

Saldos na Primark é das coisas mais inacreditáveis que pode haver. Umas calças de ganga que no começo de época custavam €8 (um balúrdio) em saldos passam a custar €3. Estavam mesmo a dar roupa. Mas é claro, que o meu olho de princesa conseguiu apaixonar-se pela peça mais cara de toda a loja: um vestidinho de couro género Pocahontas sem franjas. Tinha de ser meu!!!

Peguei num e dirige-me aos provadores, onde me apressei a despir o vestido que tinha para experimentar aquela obra prima. Porém, eis que não quando, o pior acontece.

Apesar do vestido não ter muita elasticidade, tinha um fecho eclair nas costas, na medida em que pressupus que tudo ia correr bem.. Errado! Adivinhem onde é que o vestido não passou!? É óbvio, não é? O mais engraçado é que nem sequer forcei.. Desisti imediatamente, com a intenção de trocar por um dois números acima. Porém, era tarde de mais.

Já me tinham contado histórias sobre o quão difícil é de remover uma peça de vestuário de pele, mas nunca tinha acreditado. E não é que com a pressa, correrias, calor, luzes dos provadores comecei a transpirar?.. E não é que a transpiração é tipo água?... E não é que, o vestido ficou preso debaixo dos braços entre as axilas e as maminhas.

Portanto, lá estava eu, no Dolce Vita Tejo, no meio de nenhures, sozinha, com um vestido entalado debaixo dos braços, em cuecas e de barriga à mostra, sem um par de calças que me permitisse sair para poder chamar alguém para me ajudar, a transpirar ainda mais e a hiperventilar, o que fazia com que o vestido se mexesse ainda menos...

MERDA!!!! SOU MESMO BRIDGET!!!!!

Pus a cabeça de fora do provador, enquanto me escondia atrás da cortina, à espera que alguém passasse e durante 30 segundos, que mais pareceram 4 horas e 58 minutos, pensei que teria mesmo de me dirigir à loja, para encontrar alguém que me socorresse. Vergonha alheia própria, aí está... Até que uma Santa Alma apareceu (muuuuuiiiito obrigada Sra. desconhecida mais simpática do mundo) e eu, mostrando apenas a minha cabecinha, pedi-lhe se me fazia o favor de me chamar uma funcionária. Ela chamou, mas a funcionária teria de aguardar que viesse alguém que a substituísse. E a Santa Alma olhou para mim, apercebeu-se do meu ar de pânico e perguntou-me: "mas precisa de ajuda?" Ao que respondi: "sim" ao mesmo tempo que saía de trás da cortina e lhe mostrava a minha triste figura.

Melhor do que me ter soltado do vestido que acabei por levar (dois tamanhos acima, não fosse o diabo tecê-las) o melhor gesto que aquela Santa Senhora fez na vida foi não se ter escangalhado a rir e rebolado no chão quando me viu. Muitttoooo obrigada mais uma vez!!!

E enquanto me dirijo à caixa penso,"não podia ser pior, que vergonha". E chego à caixa, e o cartão não passa. Moral da estória, pode sempre ser pior :)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Diego el Cigala

Ontem, numa noite maravilhosa de Cool Jazz Fest, tive o privilégio de presenciar, da segunda fila, a genialidade deste senhor.
Sempre achei que a banda sonora da minha vida deveria ser composta por músicas de Sting, Ella Fitzgerald, e outras melodias que nos transportam para imagens a preto e branco. E o filme devia ser filmado por Woody Allen, o grande mestre.
Porém, apesar de essa ser a realidade actual do meu filme, que tanto adoro interpretar, cheguei à conclusão que só não me enganei na cor. Descobri ontem que o Flamenco em forma de Tango é-me. Aquilo sou eu... E só com ele serei feliz, apesar de todas as letras que povoam os acordes da guitarra e os clamores da voz de Diego serem de uma tristeza tão profunda só igualável ao Ne me quite Pas. No entanto, a música é de uma alegria e de uma paixão à qual não consigo resistir. E perante este binómio, antagónico ou talvez não, chorei.
Descobri ontem que quero que a minha vida seja a Blanco y Negro, mas ao som de Diego el Cigala. E o realizador terá mesmo de ser Almodovar, que também me percebe tão bem. A pergunta que fica é a seguinte: como é que encaixo o beat do Jazz no salero do Tango e do Flamenco? Talvez tenha chorado por não saber a resposta.
Que te importa que te ame si tu no me quieres ya un amor que ya ha pasado no se debe recordar fui la ilusión de tu vida un dia muy lejano ya y represento un pasado no me puedo conformar si las cosas que uno quiere se pudieran alcanzar si me quisieras lo mismo que veinte años atrás con que tristeza miramos un amor que se nosvaaa es un pedazo del alma que te arrancan sin piedad que te importa que te ame si tu no me quieres ya un amor que ya ha pasado no se debe recordar fui la ilusión de tu vida un dia muy lejano ya y represento un pasado no me puedo conformar si las cosas que uno quiere se pudieran alcanzar si me quisieras lo mismo que veinte años atrás con que tristeza miramos un amor que se nosvaaa es un pedaaazo del alma que te arrancaaaan siiin pieeeeeeeedaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaad

segunda-feira, 4 de julho de 2011

E Deus criou a mulher...Tomo I - A Desesperada

Disclaimer: Este post destina-se a ajudar os homens a compreender mais facilmente a diversidade do sexo feminino. Meninas, o que vou escrever a seguir não tem qualquer intenção de ofender ninguém em particular.. Se se sentirem injuriadas pelas generalizações que vou fazer, paciência.
Como o prometido é devido, eis aqui, em estreia mundial, a minha primeira explicação do bicho mulher. Os homens dizem que não percebem as mulheres porque somos muito complicadas, ao contrário deles, bicho simples e previsível. O problema de falta de compreensão não nasce de sermos mais complicadas, o que não me atrevo a negar e ainda bem que o somos. O problema dos homens nasce na medida em que, ao contrário daqueles - todos farinha do mesmo saco, as mulheres são todas diferentes. Entre farinha integral, com fermento, sem sal, de milho, existem n tipos de mulheres.
Para mais facilmente compreendê-las, é então preciso saber identificar de que tipo de mulher estamos a falar. Para esse efeito, segue infra a descrição dos cinco grandes grupos de mulheres. Porém, há que ter em conta que, mesmo dentro de cada grupo, existem sub-tipos bastante diferentes. Aqui vai o primeiro grande grupo:
As desesperadas

Be afraid men, be very afraid... As desesperadas já foram anteriormente referidas no texto sobre os homens, como as que por vezes acabavam com os Nhós. Mas nem todas.. Traçar um perfil comum a todos os sub-tipos incluídos no grande grupo das desesperadas não é mesmo nada fácil... Qualquer mulher sabe identificar uma desesperada. Mas como é que eu hei-de explicá-las a um homem de forma a que este perceba?

Para começar, para mim, as desesperadas got that look in their eyes. Aquele olhar de quem anda à caça ou em busca de alguém to scavange (esta expressão só funciona em inglês). Passo a explicar:

Em termos estatísticos, por regra, as mulheres só entram em fase de desespero a partir dos 30 anos, apesar de alguns dos sub-tipos se iniciarem mais cedo na arte de caçar. Estas mulheres andam sempre arranjadíssimas, apesar de poderem ser feias. Mas quando à caça, os seus kits e postura ultrapassam as capas da Vogue.

Normalmente, encontram-se sempre a olhar em volta à procura da presa ideal, a que se adeqúe aos seus critérios. Seja a beleza, a conta bancária (por muitas apelidada de segurança), a "sensação" de se sentirem mais amadas (por outras tantas apelidada de estabilidade), logo identificada a característica, estas passam ao ataque.

Não interessa se a presa já tem a sua caçadora em casa à espera, não interessa mesmo nada. Elas não têm nada a ver com os compromissos assumidos pela presa. Portanto, começam o flirt até à exaustão, daquele muito agressivo ou completamente descarado até que a presa ceda, dê um passo em falso, deixe de resistir à tentação que possam representar por um segundo que seja.

Depois de derrubada a presa e a ex-caçadora afastada, é lançado um master-plan de afastamento dos amigos do homem. E é lançada a fase de aculturação. Começam a sair com amigos dela, principalmente, já casados e com filhos. Os encontros entre as famílias repetem-se e de repente, quando menos a presa espera, apesar de todas nós o prevermos, segue-se o momento Ups! Ah e tal.. a pílula não funcionou, o preservativo rompeu, etc, etc. O golpe da Barriga!

E o homem, se Nhó ou Cabrão apaixonado, vai, ajoelha-se e saca do anel como manda a tradição. O Momento de vitória para todas as desesperadas. Nem preciso explicar o que fazem os Filhos da Puta neste momento, pois não? É claro que existem homens normais, que assumem a criança mas que se recusam a casar por esse motivo. Melhor, era mesmo identificarem estas meninas antes de colocarem mais crianças no mundo sob a educação de mulheres que não olham a meios para atingir os fins. Mas pronto...

Dentro deste grande grupo das desesperadas incluíem-se os seguintes sub-tipos:

A Betta-católica: cuja única função na vida é arranjar marido para poder ter os seus piquenos e irem todos à missa aos domingos. Esta chega ao ponto de ir para a faculdade só para encontrar marido, o que não é muito trágico, na medida em que ao segundo filho, deixa de trabalhar. Este tipo de desesperadas normalmente procura alguém com "nome" mesmo que o dinheiro não abunde. Homens: se tiverem dois "éles" ou dois "tês" no nome, tenham mesmo muito cuidado.

A Sonsa: são, para mim, as piores de todas as desesperadas. Aliás, de todas as mulheres. Passam por meninas sérias, de bem. Nunca curtem ou têm one night stands porém, têm mais namorados na caderneta que o somatório de todas as mulheres independentes que conheço. De liana em liana, vão passando, até que consigam roubar o namorado a aguém e que os consigam arrastar ao altar. Têm um trabalho (pois sim, são muito independentes e tal) mas o que elas gostam mesmo é de ler revistas e blogs de moda. A inteligência e o interesse não abunda. Who cares? Mas a característica flagrante de uma sonsa, para além do sorriso amarelo e da voz melosa, é mesmo o facto de olharem de cima abaixo quando passa uma miúda gira e não resistirem a comentar qualquer coisinha.

A Pistoleira: Ora bem, a pistoleira é uma alpinista social. Não estou a falar de self made women, na medida em que não sobem à custa do seu trabalho. Estou a falar daquelas que não dão mesmo uma para a caixa, burras, burras, burras. Zona de ataque: Urban beach, Chafarix, Twins, ou outro qualquer lugar onde a faixa etária ronde os 35/40 anos. Profissão: de preferência nenhuma. MO: dirigem-se a qualquer homem de aliança ou que saibam ter namorada (porque esta é a forma que têm de saber que são "sérios" e são passíveis de compromisso. Chegam-se ao pé deles, abanam o cabelo e sorriem. Para meter conversa normalmente falam do que sabem: horóscopo e respectivas compatibilidades. Depois pedem boleia por estarem bêbadas de mais para conduzir. Logo que consigam caçar otário, arranjam maneira de ficarem de baixa ou serem despedidas para poderem desfrutar a vida de viver de sonho que é viver à conta.

A Puta: Esta é a mulher que não sabe estar sozinha, saltando de namorado em namorado, sem qualquer intervalo. Muitas vezes verifica-se até sobreposição. No início, parece a mulher dos vossos sonhos: linda de morrer, com estilo, não é um génio mas não vos faz passar vergonhas, educada, etc. E vocês apaixonam-se como nunca e decidem que é desta. Mas ela quer mais... Logo que identifica outra presa, que de acordo com os critérios dela seja melhor (mais giro, mais rico, menos exigente, mais enganável) iniciam a caça, enganam-vos, e quando a presa seguinte está assegurada (e só aí) saem da vossa vida como se nada fosse e ainda vos fazem sentir culpados.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

What else!?!

* DISCLAIMER: o conteúdo que se segue contém linguagem imprópria para menores de 18 ou meninas de bem

Neste momento da minha vida em que me encontro a fazer o "rerun" das primeiras temporadas do Lost, voltei a confrontar-me com um dos binómios mais importantes para a vida de qualquer mulher solteira: Homem Nhó v. Homem Cabrão. E a questão que decorre da solução que damos a este binómio também se impõe: Porque é que as mulheres preferem sempre os cabrões?
Quem alguma vez na vida me tenha indagado sobre se os homens são todos iguais ou não, teve a felicidade ou infelicidade de ouvir toda a minha construção teórica sobre o bicho-homem. Não seria uma verdadeira Bridget se não tivesse teoria sobre eles. E mesmo depois de ter já encontrado o meu Mark Darcy (apesar do meu bebé insistir que é o Daniel Cleaver) a minha teoria mantém-se. Passo a explicar:
Os homens são todos iguais. Sim, é um cliché e tal como a maior parte dos clichés, tem fundamento na verdade; eles não nascem por acaso. E ressalvo já que é uma generalização. Sim, eu sei, existem excepções. Porém, sem generalizações não se consegue conversar sobre um grupo ou conjunto de coisas.
Mas apesar de serem todos iguais, os homens dividem-se em três categorias:* o Nhó, o Cabrão e o Filho da Puta.
Ora bem.. O Nhó é aquele com o qual as mulheres se casam a partir do momento em que entram na casa do desespero (dos 30 em diante) ou antes disso, caso tenham tido O desgosto da vida com um cabrão ou filho da puta qualquer. Os Nhós numa relação gostam mais das mulheres do que elas deles. Elas preferem a estabilidade de serem amadas a terem de sofrer tudo outra vez. Eles fazem tudo por elas, adoram-nas, beijam o chão que elas pisam. São paus mandado(s). Isto porque, em regra, se sentem inferiores a elas, e por isso sentem que tiveram a sorte da vida por terem conseguido agarrar aquela mulher tão espectacular (ou não) e fazem tudo o que for preciso para manter o status quo.
Nenhuma mulher, salvo as que referi anteriormente e as nhós, prefere estes homens. A não ser que prefiram a estabilidade e o conforto ao verdadeiro amor. E normalmente são essas as ressabiadas que têm inveja das mulheres que arriscam e que, consequentemente, conseguem ser mais felizes. Mas voltando aos homens.
Passemos aos Filhos da Puta. Ora bem, os Filhos da Puta são os maiores crápulas que vocês podem conhecer. Se os conseguirem identificar (cuidado meninas, porque existem muitos Filhos da Puta disfarçados de Bonus Pater Familiae), afastam-se porque eles nem para ser amigos servem. São esses que dizem que nos amam para nos levarem para a cama e depois fingem não se lembrar sequer de nós quando se voltam a cruzar connosco. Mas entretanto, gabam-se a todos que fizeram e aconteceram. Os Filhos da Puta são os seres mais egocêntricos à face da terra. São aqueles que vos traem com meio mundo, sem qualquer ponta de escrúpulos ou remorsos ou motivo. Simplesmente, porque sim. Be afraid, be very afraid.
Por último, os Cabrões, my favourites. Segue infra o melhor exemplo do espécime em questão.
Joshua Lee Holloway, a.k.a. "Sawyer"
Just too fucking good to be true..
Os Cabrões são, no fundo, um nhó que quer fazer-se passar por filho da puta e não consegue :) São o meu género de Meio Copo, uma média desorientada de extremos antagónicos que, por alguma razão, faz sentido. O Cabrão é aquele que te diz que não quer nada sério contigo antes de te levar para a cama, e tu não acreditas e achas que vais convencê-lo a ficar e depois no fim chamas-lhe filho da puta. Mas nós queremos salvá-lo do sofrimento (sim, porque o Cabrão é sempre um traumatizado) e não resistimos a tentar dar uma de Madre Teresa de Calcutá. E perguntam os Nhós: Mas porquê??? Ao que respondo: Porque um Cabrão, quando se apaixona e te ama de verdade, é a melhor coisa do mundo. Porque ele consegue ser o Nhó que te dá festas e fala a bebé e o Filho da Puta que te sabe virar ao contrário. O pai dos teus filhos e o melhor amante. O que faz amor e o que faz sexo. Nós escolhemos os Cabrões porque, no fundo, para quê escolher quando se pode ter tudo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Meio Copo faz anos!!

Dia 27 de Junho de 2007, iniciei a viagem épica de relatar as minhas divagações, desabafos e teorias, neste lugar que transformei em minha casa. Tudo isto sou eu. Quem me conhece, verdadeiramente, sabe disso.
Mais ou menos assídua, inspirada ou talvez não, tenho vindo aqui, a este ponto de encontro comigo mesma, deixar a minha marca no mundo. Este legado que construo há quatro anos mostra que apesar das enormes mudanças que ocorreram nestes últimos quatro anos continuo a ser-me, inalterada.
Os motivos que inicialmente me levaram a construir esta casa, a ter a necessidade de passar para o papel as divagações que se passeavam na minha cabeça, são outros agora, mas a necessidade mantém-se.
Tudo mudou e tudo parece igual: Acabei o curso, comecei o estágio e já trabalho há três anos e meio, perdi as ilusões, encontrei o homem, saí de casa, perdi o meu avô, ganhei dois cães, perdi 15 quilos, ganhei confiança para ser o que não conseguia ser. Mas leio o meu primeiro post como se o tivesse escrito hoje porque, apesar de tudo sou a mesma que me lembro ser desde que, na minha cama de grades, comecei a encadear pensamentos dispersos e a ansiar o futuro e a desejar cada vez mais e melhor.
Talvez hoje seja mais céptica do que há quatro anos atrás.. Mas o optimismo do copo meio cheio mantém-se inerte, para contrabalaçar o que corre mal. Tenho a certeza que hoje sou muito mais feliz e completa, apesar de conseguir vislumbrar ainda um longo caminho a percorrer.
Obrigada a todos os que fazem ou fizeram parte desta viagem.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O beijo do Hotel de Ville

Temos esta fotografia, que Robert Doisneau capturou enquanto tomava café na esplanada, emoldurada em nossa casa. A moldura não está na parede pintada de fresco, aguardando no sofá, enquanto não volta ao seu lugar de destaque. Mas antes de limpar a caliça que jaz sobre vidro, antes de voltar a pôr a casa em ordem, vamos dar o nosso beijo no Hotel de Ville.

Vamos sair este fim-de-semana e passear numa vila piscatória e ver tudo a preto e branco. Vamos dar as mãos sem a consciência dos olhares e do que é próprio no meio da rua e vamos dar um beijo maior ainda que o do Hotel de Ville.

Deixemos a moldura onde está, e façamos o nosso retrato de amor a preto e branco, desempoeirando-nos dos dias que correm sempre iguais.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Morre lentamente...

À beira de completar alguns marcos importantes da minha vida e alguns pontos da bucket list, penso que este texto de Plablo Neruda não podia ser mais apropriado para me dar coragem para seguir caminho:

"Morre lentamente quem não viaja,quem não lê ,quem não ouve musica,quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destroi o seu amor proprio ,quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito ,repetindo todos os dias o mesmo trajeto,quem não muda de marca , não se arrisca a vestir uma nova cor , ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televião o seu guru. (ups!)

Morre lentamente quem evita uma paixão,quem prefere o negro sobre o branco,e os pontos sobre os iss em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos,corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho , quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva que cai incedssante

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo , não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não respondem quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.

SOMENTE A PERSEVERANÇA FARÁ COM QUE CONQUISTEMOS UM ESTÁGIO ESPLENDIDO DE FELICIDADE. "

E após quatro anos de vida às escuras, fez-se luz. Come into the light with me.

terça-feira, 7 de junho de 2011

10 ways to improve your Karma

According to karma, performing positive actions results in a good condition in one's experience, whereas a negative action results in a bad effect. The effects may be seen immediately or delayed. What goes around comes around, as Timbarlake sang.
Many western people are starting to believe in this concept. But even if you are not one of those people, it is better to be safe than sorrow. Therefore, please consider the list below in order to improve your Karma. And good things will happen in your life.
  1. Give more to others without expecting anything in return;
  2. Forgive more;
  3. Show respect to all kinds of people and be kind;
  4. Pay it forward;
  5. Help those in need;
  6. Be a more considerate driver;
  7. Let go of your prejudice, do not be judgemental;
  8. Be good to the environment;
  9. Try to see the good in people;
  10. Appreciate the good things that happen in your life everyday, and be thankful.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Envangelho segundo São Yuri

A caminho do escritório, depois de um almoço repentino em casa de minha avó, parei mais uma vez no semáforo de Sete Rios, onde se vendem os Borda-de-Água, essa publicação que permanece para nos recordar os tempos idos. Normalmente, os vendedores vão variando e os produtos vendidos também, sendo a nacionalidade dos mesmos a única constante. Desde pensos rápidos à revista Cais, ao referido Borda-de-Água ou a simplesmente um obrigada, tudo se vende e se pede enquanto o sinal está fechado.

Normalmente, depois de trancar a porta no cimo da rampa mas sem fechar a janela, vou por ali abaixo a torcer para que não me peçam nada. Até porque tenho imensas dificuldades em dizer que não e fico com a consciência dorida cada vez que minto, dizendo que não tenho nada. Normalmente, para evitar gastar uma renda mensal naquela portagem diária da consciência, dou cigarros em troca de me levarem também o sentimento de culpa. A maioria deles fuma e, por isso, vou-me safando incólume.

Porém, hoje foi diferente.. Pensei que ainda passava no verde, mas o carro à minha frente só andou quando devia estar parado, e lá fiquei eu com a pole position que ninguém quer. No entanto, até tinha umas moedas que tinham sobrado no porta-copos. E por isso, peguei numas quantas e estendi o braço pela fresta da janela àquele homem que me mostrava o Borda-de-Água e umas resmas de pensos rápidos. E apesar de estes sapatos me estarem a dar cabo dos pés, entreguei-lhe as moedas e disse que não queria nada. Era um homem de idade imperscrutável. Entre 35 e 55 nada me pareceria estranho. Pele tisnada, barba curta e alguns grisalhos, envergava um t-shirt velha e suja, farda habitual do seu negócio de rua.

Agradeceu-me e desejou muita felicidade e saúde, a mim e aos meus. Mas quando me preparava para que ele passasse à próxima janela e ao próximo freguês, ele continuou. E do que eu percebi do seu português intermitente em sotaque eslavo, o senhor, a quem carinhosamente apelidei de Yuri, por não saber mais nenhum nome russo, disse qualquer coisa muito importante. Tomei a liberdade de traduzir e adaptar conforme o que consegui perceber:

"Deus ajuda, sabe? Deus é muito bom e ajuda muito. A vida é muito difícil. E a culpa não é do governo. É difícil, sabe? Renda muito cara para pagar, 5 filhos para alimentar, é muito difícil. E apesar de ser difícil acreditar em Deus nessas alturas, eu peguei na bíblia no outro dia, a lá dizia que Deus ajuda, e ajuda mesmo. Deus ajuda sempre. E nós temos de agradecer"

E o sinal abriu.. Enquanto o senhor pregava, consegui apenas balbuciar repetidamente; eu sei, pois ajuda, pois é e obrigada. Ou seja, não me disse novidade nenhuma. Como boa ex-beata-super-praticante que fui, sei a catequese toda, lembro-me do que se tem de dizer na missa, a minha parte e a do padre, sei quando é que é para sentar e para levantar, lembro-me bem das passagens bíblicas. Porém, hoje recebi a mesma palavra que tanto prego, da boca de alguém que, certamente, tem uma vida bem mais difícil que a minha. Isso, fez-me recuperar um bocadinho da fé perdida porque, realmente, aquela mensagem de vida que o senhor me transmitiu como pôde valeu mais que 500 missas. E definitivamente valeu mais do que os 80 cêntimos que lhe passei para a mão.

Devia ter dado mais. Devia ter oferecido um cigarro.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Shame on you!!

Numa perspectiva puramente abstracta, gosto muito do sentimento/sensação de vergonha. Não existe, ou pelo menos não me lembro, de um sentimento que possa ser mais sincero, inultrapassável e incontrolável que podemos ter, independentemente do tipo de vergonha que estejamos a falar. Chega mesmo a ter vontade própria. Passemos, primeiramente, à classificação:

Vergonha alheia: Sabem aquela sensação que se apodera de nós quando vemos os castings dos Ídolos? É essa a sensação da vergonha alheia. Há quem goste de a ter e se divirta com isso. Os mais moderados e humanos evitam esse tipo de vergonha, evitando todo o tipo de programas televisivos onde participem pessoas sem noção. Vergonha própria (Shame on me): Quando erramos e sabíamos o suficiente para não o fazer, ou quando caímos repetidamente nos mesmos erros, mais do que uma vez, e a culpa não pode ser distribuída a nenhum outro que não a nós, sentimos este tipo de vergonha. É uma forma de auto-condenação que sabemos merecida.

Vergonha própria de terceiros (Shame on you): Quando alguma coisa que alguém muito próximo faz nos deixa numa posição de constrangimento e embaraço como se tal acto tivesse sido por nós praticado, temos a chamada vergonha própria de terceiros. Exemplo crasso deste tipo de vergonha é o que sentimos quando vemos os nossos pais a dançar. Se fossem estranhos a fazer a mesma figura das três uma: ou não reparávamos, ou era divertido ou, se a dança fosse mesmo má, sentiríamos vergonha alheia. Esta vergonha é específica em relação aos que amamos. Se sentirem este tipo de vergonha, não tenham dúvidas disso.

Segundo a Wikipedia: «A vergonha é uma condição psicológica e uma forma de controle religioso, político, judicial e social, consistindo de ideias, estados emocionais, estados fisiológicos e um conjunto de comportamentos, induzidos pelo conhecimento ou consciência de desonra, desgraça ou condenação. O terapeuta John Bradshaw conceitua a vergonha como a "emoção que nos deixa saber que somos finitos

A vergonha não se sente, tem-se, como se caída do céu no nosso colo em consequência de uma qualquer reacção cósmica que sem saber despoletámos. Mas a vergonha é inocente por ser inevitável, por não haver como fugir. É algo que advém dos conceitos que nos foram previamente incutidos pela família, sociedade, amigos, vivências.. que se mantêm adormecidos até que despertam como alarme ao presenciar um comportamento de alguma forma contrário ou que não se coadune com eles. E não há como calar o alarme ou evitar que ele dispare. Há apenas a solução de, com tolerância, tentarmos inserir novos conceitos no nosso léxico comportamental. Admito que possa ser difícil. Mas não é impossível. A minha mãe não dança assim tão mal!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O nosso Kit fim do mundo

Tudo começou com o boato que ouvi sobre Lisboa poder vir a sofrer um terramoto e consequente tsunami, nos próximos tempos, numa escala muito superior ao do Japão. Comecei a pensar que, se estivesse a trabalhar, possivelmente sobreviveria ao terramoto, porque o prédio é anti-sísmico. E o que é que fazia depois? Os meus cães estão em casa e não vou abandoná-los.
Sendo que o tsunami demora algum tempo a chegar (tipo meia hora- dependendo do epicentro está claro) pegaria no carro antes que as pessoas se lembrassem todas de fazer o mesmo, para ir a casa buscar os cães. E apesar de todos dizerem que moramos num sítio com uma cota elevada e que a água nunca chegará lá, comecei a obcecar com a ideia de os meus cães serem enormes e entrarem em pânico dentro de água. Ou seja, morreríamos todos afogados. E eu tenho pânico de morrer afogada. E daí surgiu a ideia de comprar coletes salva vidas para os cães. Dá sempre jeito para andar de barco ou para ir para a praia e permite-me dormir mais descansada.
E assim fizemos. Mas após os coletes comprados, decidimos preparar um kit de sobrevivência para este tipo de situações, o que recomendo a toda a gente. Porém, o meu namorado entrou num ciclo obsessivo, e ficou um mês a navegar na Internet por forma a reunir as melhores opções de sobrevivência. Conclusão: acabámos por não conseguir reunir um kit sobrevivência. Em vez disso preparámos o kit fim do mundo, com inspirações no "Book of Eli" e no "I am Legend".
Começámos por fazer a lista, a coisa mais importante a fazer antes de iniciar qualquer tarefa. A lista foi crescendo, melhorando, e agora, eis o resultado:
  • Duas mochilas impermeáveis;

    • Estojo de primeiro socorros: Ligaduras, compressas, água oxigenada, tintura de iodo, pensos, analgésicos, anti-piréticos, anti-diarreicos, antibióticos, entre outros.

    • Dois sacos cama;
    • Uma tenda (para 4 - dois humanos e dois canídeos de, aproximadamente, 40 quilos cada um);

      • Duas cordas (ou cabos como preferirem);

      • A melhor faca de mato do mundo (sim, uma faca militar espetacular, encomendada pela Internet, após a visualização de milhares de vídeos de 20 minutos no YouTube com facas a cortarem os mais diferentes objectos);

      • Comida: é a única coisa que falta por na mochila porque a dúvida permanece: enlatados ou barras energéticas? Eu voto enlatados mas diz que são pesados;

      • 2 Bolsas de água com palhinha a sair pela mochila (já cheias);

      • Duas lanternas uma de dínamo e uma de dínamo e solar!;

      • Um cantil!

      • Um carregador solar e dínamo com vários adaptadores, incluindo telemóveis e Ipods. Quanto aos telemóveis, imagino que nessa altura não haja cobertura mas ao menos poderemos ouvir o "three little birds", a que apelidamos música do fim do mundo por causa do I am Legend;

      • Duas bolsas flutuantes e impermeáveis para pôr por dentro da mochila;

      • Uma muda de roupa;

      • Coletes salva-vidas para nós;

      • Dois apitos para fazer o que a Kate fez no Titanic

      Entre outras coisas que me devo estar a esquecer.. Bottom line, temos tudo para sobreviver! E muita energia para trocar por deliciosos enlatados =)

      P.S.: Porque nessas alturas de catástrofe não costuma haver telecomunicações, combinem um ponto de encontro com os vossos amigos e familiares, para se encontrarem após 24 horas do cataclismo. Convém ser um sítio elevado e arejado, ou seja, não convém ser num edíficio, rua estreita, túnel ou debaixo de uma ponte. Tipo, parque do Monsanto é uma boa ideia.. apesar de não ser o meu local combinado.

      "Hoping for the best but expecting the worst.."

      Esta é a essência do meio copo. Concretizando,

      De pés bem assentes na terra, tendo sempre presente a Lei de Murphy, mas sempre com a cabeça na nuvem número 9 e na esperança naive de que, talvez, até haja possibilidade de as coisas correrem bem.

      Sempre preparada para o pior: com um kit de sobrevivência para o caso de tsunami, na esperança de não levar com um carro flutuante em cima, já que com o colete salva-vidas não me vou afogar.

      Tendo sempre um plano B. Um plano de vida a seguir, para o caso do plano em vigor não poder ser levado avante. Uma saída de emergência.

      Retirando sempre o bom que vem com as coisas más, mas antecipando sempre o tudo de errado que pode acontecer inesperadamente de uma situação aparentemente tranquila e feliz.

      Quero pensar que estas intermitências entre o catastrofismo e o optimismo desmesurado representam um equilíbrio, um meio copo, e não os devaneios de uma bi-polar em negação.

      Vista de fora talvez seja difícil de entender mas, sinceramente, é assim que eu sou. E para mim, não faz sentido ser de outra forma.

      segunda-feira, 9 de maio de 2011

      Primeiro estranha-se..

      Ontem, dia 8 de Maio de 2011, a Coca-Cola, a minha bebida preferida, celebrou os seus 125 anos. Há 125 anos atrás começou por ser vendida numa farmácia mas o seu sucesso foi maior do que alguma vez previam. A sua receita constitui o segredo mais bem guardado do mundo e a prova disso é que não há cola sequer parecida com a autêntica.

      Desde de sempre, pelo menos para os da nossa geração, a Coca-Cola fez parte da nossa vida, sendo que crescemos rodeados do seu design e da sua iconografia pop que incluiu desde as celebradas pin-ups, às personagens históricas e à criação da figura mais mítica de sempre: o Pai-Natal.

      Quem não se lembra dos seus anúncios e do jingle "dançar, cantar, sentir a emoção de uma Coca-Cola, sensação de viver."!

      O facto de o querido Che beber Coca-Cola, ainda me faz gostar mais (se tal é possível) da única bebida que realmente me mata a sede. Se tivesse de lutar pela última Coca-Cola do deserto, podem crer que ganhava.

      Fica aqui a maior homenagem que podia fazer à Coca-Cola no seu 125.º aniversário. E o meu grande bem haja ao Sr John Pemberton e à The Coca-Cola Company, que fazem parte da minha vida há tantos anos.

      segunda-feira, 2 de maio de 2011

      Imprescindível é...

      ..Uma chávena de café, logo pela manhã.

      ..Nunca deixar de se ser quem se é – a não ser que se seja um completo idiota e aí recomendo vivamente que deixem. Eu sou-me sempre!.. mais ou menos moderada, dependendo das ocasiões.

      ..Ter cigarros em casa quando vou dormir. Quando não os tenho aparecem as insónias e lá tenho eu de ir à bomba das amoreiras.

      ..Dar festas no Zé e na Concha. E beijinhos e abracinho e patinha. E chegar a casa e ser recebida todos os dias por dois seres em êxtase.

      ..Beber água. A sério, é mesmo, senão morremos.

      .. E respirar, do mais imprescindível que pode haver.

      .. E Sonhar acordada, e desejar sempre mais e melhor.

      .. que o amor seja total.. all in, sem medo e sem reservas, que de outro qualquer modo não é amor, mas um sentimento egoísta de querer estar confortável sem estar sozinho.

      .. em cada ano, o primeiro mergulho no mar, e todos os que se seguem.. e que sejam muitos.

      ..Passar no exame de agregação, à primeira se Deus quiser e o corrector ajudar.

      .. Ter a noção. Sempre fui da opinião que cada um tem a lucidez que pode aguentar, porque de outra forma cortavam os pulsos quando se olhassem ao espelho ou se ouvissem falar, ou mesmo se fossem vítimas das suas próprias atitudes. Mas mesmo não havendo lucidez é imprescindível ter noção.

      .. Dar valor às conquistas, aos dias de sol, a um gesto de carinho, a ter emprego, a um bom jantar, aos amigos que permanecem, à família que apesar de tudo é o nosso porto de abrigo, a ter descoberto aquela música, a ter encontrado aquela pessoa, e agradecer sempre, todos os dias, e ser feliz com o que tenho hoje, até ao dia em que tenha mais. E aí, dar de novo graças.

      .. Aceitar com tranquilidade o que não tem solução e suplantar os obstáculos ultrapassáveis, um de cada vez.

      .. Saber que vou para casa e estás à minha espera.. ou depois ficar à tua espera, não faz mal. O que interessa é saber que estamos juntos.

      .. Nunca desistir do que vale verdadeiramente a pena e ter o discernimento necessário para identificar o que vale e o que não.

      .. Agir sempre como se estivéssemos a ser observados e dançar sempre como se não estivesse lá ninguém.

      .. Cantar.

      .. Escrever sem parar.

      .. O teu sorriso ao acordar.

      .. Não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós.. Senão por outra razão, porque o Karma é lixado.

      .. Engolir sapos.. é desagradável mas forma o carácter.

      .. Aprender com os erros.

      .. Respeitar todos os que se atravessam no nosso caminho.

      .. Ver filmes a preto e branco e chorar com o final feliz.

      .. Comer bem.

      .. Apanhar sol.

      .. Andar à chuva.

      .. Ter saudades dos que estão longe.

      .. Viajar

      ..