quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ainda sou do tempo em que se andava com dinheiro

 
Disclaimer: Não trabalho nem nunca trabalhei no Pingo Doce ou empresas do Grupo. Não sou filha nem parente da família Soares dos Santos ou Jerónimo Martins (infelizmente). E também não recebi nenhum cabaz nem vales de compras para vir para aqui dizer isto. Mas sou e sempre serei uma consumidora racional. Deste modo, a opinião abaixo ilustrada é completamente imparcial.
 
 
 
 
Será que sou a única da opinião que limitar o pagamento com cartões de débito/crédito a compras no valor superior a € 20 é uma óptima ideia?
 
Por certos momentos, e perante mais uma indignação popular contra a cadeia de supermercados preferida da maioria dos portugueses (sim porque, apesar de tudo, as lojas do Pingo Doce continuam cheias), pensei ser a única a adorar a ideia. Felizmente, quando cheguei a casa encontrei lá alguém que tinha exactamente a mesma opinião eu. Ufa, não estou maluca..
 
Em épocas de crise, todos temos de cortar nas gorduras, especialmente as empresas, por forma a manterem competitividade em relação à concorrência, a maior parte das vezes estrangeira (veja-se o Lidl ou as lojas chinesas, por exemplo).
 
O Pingo Doce, cadeia portuguesa, que vende produtos portugueses, produtos de marca branca de qualidade, com preços acessíveis, localização preferencial, que dá empregos com fartura, que exporta! vem mais uma vez à berlinda porque, tal como outras empresas, cortou nas gorduras.
 
Dado que relativamente aos produtores possivelmente já não haveria margem para cortes e sendo que têm plena consciência que os consumidores portugueses vivem já sobrecarregados, tiveram uma ideia de génio! Ou será que não?
 
O Pingo Doce quis cortar nas gorduras e não o fez através de despedimentos ou através do aumento exacerbado dos produtos. Tentou imputar o mínimo possível ao consumidor. Maldito seja!
 
No entanto, trazer € 20 na carteira parece ser um fardo muito pesado para o consumidor português. Eu ainda sou do tempo em que se andava com dinheiro na carteira. Aliás, mantenho-me fiel a esse princípio ainda hoje.
 
A maior parte dos financial advisers aconselham sempre, como medida para melhor poupar, andar com dinheiro na carteira e evitar a utilização dos cartões que nos impedem de ver o dinheiro a voar da nossa conta para fora. Especialmente, nas compras de supermercado. Tenho seguido essa medida de há uns tempos para cá e tem dado resultado, mesmo com as compras do mês. Por essa razão e por outras entrei em choque quando vi surgir uma onda de revolta contra essa medida.
 
Mas qual será o problema de andar com € 20 na carteira? Será o nojo de mexer em dinheiro? Preguiça de ir ao multibanco? É que ainda por cima, a maioria se não todos os Pingo Doce têm ATM dentro das lojas. Alguém se importa de me explicar?
 
E depois vêm outra vez com boicotes e promessas/ameaças: "agora é que não me vêem mais nessas superfícies, a partir de hoje só comércio tradicional". Nesses casos, desejo boa sorte porque a maior parte do comércio tradicional ou não tem multibanco ou também tem limites de valor à utilização do mesmo.
 
Resumindo, será que o povo português não percebe que o acto de andar com dinheiro na carteira podia poupar dinheiro aos próprios e ao Pingo Doce (que o poderia utilizá-lo, por exemplo, para manter os preços, investir na nossa economia, produtores, etc?) Serei a única a ver isto? Espero sinceramente que não.
 
O único problema que eu vejo nesta medida é que já não se pode ir ao Pingo Doce com os últimos € 9 do mês, aqueles que estupidamente ficaram na conta bancária e não se podem levantar. Mas para isso também há solução! Para quem tem este problema e, principalmente, para aqueles para os quais esses € 9 podem ser a diferença entre alimentar os filhos ou não, dois conselhos: levantem sempre o vosso dinheiro antes de chegar a esses montantes e não utilizem cartões.
 
Se mesmo assim, repararem tarde de mais e acabarem o mês com os ditos € 9 presos na conta bancária para gastar, podem sempre ir ao bom e velho Mc Donalds!
 
 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Itsy Bitsy Spider or another Bridget Moment




Deixar a capota do carro aberta durante uma tarde inteira quando se vai ao campo não é uma boa ideia. Sábado passado, deixei a capota aberta, mas fechei-a antes de anoitecer por causa da humidade. No entanto, algo bem pior aconteceu durante a tarde...

Hoje de manhã fui à bomba de gasolina abastecer e no momento em que estava quase a parar o carro no sítio certo (isto é, perto o suficiente da mangueira - já me aconteceu por duas vezes não conseguir chegar com aquela ao depósito), aparece calmamente, a passear ao longo do volante uma ARANHA!!! Não gosto particularmente de aranhas, se preferirem eufemismos.

O pior de tudo é que não era um daqueles aranhiços escanzelados, que dão sorte ou trazem dinheiro ou lá o que é. Nada disso. Era uma aranha daquelas gordas, aquelas com pelos e listas castanhas e pretas, do tamanho da vossa unha do polegar. Sim, desse tamanho! Pode não parecer muito assustador ver um exemplar daqueles a vários metros de distância mas a 4,5 com da nossa mão... bem, não é a melhor sensação do mundo.

E assim, saí eu disparada do carro, a tentar manter a compostura, que estou farta de fazer figuras tristes em bombas de gasolina. Peguei numa folha de papel que tinha na carteira, que retirei calmamente do carro pela porta do passageiro, e tentei que aquilo subisse para a folha e saísse do meu carro de uma vez por todas. Como é óbvio, nada disso aconteceu. É claro que ela caiu da folha de papel para lugar incerto. Pior é que o referido lugar incerto ainda era dentro do carro. Respirei fundo e pensei dar-lhe dois ou três minutos para aparecer. Fui fazer o pré-pagamento e abasteci.

Nisto, tinha um senhor dentro de um carro atrás do meu que coitado, já devia estar farto de esperar. Ainda pensei ir explicar ao senhor que tinha uma aranha dentro do carro, sabe-se lá onde, e que ainda ia demorar e por isso devia ir para outra fila. Hesitei.. Olhei mais uma vez.. Não a via em lado nenhum. Então, num rasgo de coragem, respirei fundo, entrei e liguei o carro, e entre arrepios e comichões andei 10 metros até ao sítio do ar / água e voltei a sair disparada, a sacudir-me toda não fosse ela ter apanhado boleia na minha saia ou coisa do género.

Eu tinha duas hipóteses: ou encontrava a merda da aranha ou deixava ali o carro e ia de táxi.
Então, do lado de fora do carro, mantendo uma distância de segurança, retomei as buscas. Fui descobrir a sacaninha entre o meu banco e a porta mas não tinha como a tirar, e já tinha visto que a folha de papel não dava resultado. Acendi um cigarro e olhei em volta. Encontrei umas folhas de palmeira seca. Peguei numa e empurrei-a daquele sitio debaixo do banco e ela subiu para a folha. Mantive a calma suficiente para não largar a folha e desatar a correr. Deixei-a a um metro e meio do carro, após ter desfeito a teia grossíssima que a estúpida da aranha tinha deixado ligada ao carro. Entrei no carro, e arranquei entre comichões e arrepios para mais um dia de trabalho.E fui a pensar na minha sorte e a imaginar o que teria acontecido se a sacana me tivesse aparecido enquanto conduzia na auto-estrada, ou coisa assim.

Há duas coisas verdadeiramente assustadoras nesta história toda:
1. Andei desde domingo com aquela coisa nojenta ao pé de mim;
2. Podem ter entrado muito mais aranhas enquanto deixei a capota aberta!..itsy bitsy spider...

Wish me luck!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Let's travel light!






I met you whilst backpacking hopes and dreams and expectations, already without some of my losses and frustrations that I had menaged to drop off, slowly, on my way to find home... And there you were, irresistible to me, with your heavy luggage, waiting in the morning sun for someone that could dare... Then I took some of your bags with me so that the weight became easier for you to bear and, from that moment on, we were not alone anymore. And for a while we were able to ignore the weight of our lives before but now that we’re both tired, I’m beginning to understand that it takes more than a helping hand.

We have to drop some bags to carry on. We have to forget, to let go and move on. We don’t need much but ourselves to overcome this fight. So, come on, let's drop some bags, let’s travel light!





quarta-feira, 20 de junho de 2012

Amor Canino ou Last Minutes with Oden





Quem tem cães ou já teve sabe do que falo e do que trata o vídeo acima. O amor canino é o melhor amor que se pode ter. Como o dono do Oden nos explica, o amor canino ensina-nos a amar.

Eles não querem saber se estamos bem ou mal vestidos, qual a marca da roupa, qual o carro que conduzimos, qual a nossa profissão, se somos gordos ou magros, ou se somos bem considerados pela sociedade. É o verdadeiro amor total, puro, abnegado, sem qualquer interesse. E abanam o rabo só de ouvir a nossa voz, e dão-nos beijinhos quando estamos tristes. Amam-nos mesmo quando chegamos tarde a casa, ou nos zangamos com eles por nos terem roído mais um par de sapatos, ou não os deixamos ir para o sofá. Morriam por nós sem hesitar.

E amam-nos até quando gritamos com eles por estarem a ladrar às duas da manhã, ou quando lhes batemos porque nos arranharam outra vez ou romperam mais um par de meias e, até, quando dizemos que são feios porque fizeram cocó dentro de casa ou roeram o que restava do rodapé ou comeram mais um comando da televisão. Amam-nos sempre e nós amamo-los para sempre. E por amá-los tanto passeamos muitas vezes à chuva, andamos cobertos de baba e de pelo e compramos mais meias e sapatos novos de bom grado.

E por isso, este vídeo foi a melhor homenagem que qualquer dono podia fazer. No momento mais difícil, aquele momento que nenhum dono gosta de conceber, ter a coragem e a capacidade emocional de mostrar ao mundo o amor pelo seu cão, pelo melhor amigo que alguém pode ter.


Quem não chorar é um ovo podre! Tenho dito!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Puppy Love

[Não queríamos dar nomes mas por forma a distingui-los lá os fomos chamando, da esquerda para a direita, lourinha (ou bonita para o avô), ursinho (por ser o mais peludo), principe e princesa.]


Amanhã despeço-me dos últimos três cachorros dos nove concebidos pelos nossos cão e cadela.

Por um lado, vou voltar a dormir, vou deixar de correr de um lado para o outro de manhã à noite, vou deixar de ter tantos arranhões e nódoas negras e vou voltar a ter a casa limpa e bem cheirosa. É nisso que me tenho vindo a concentrar em estágio para o grande evento libertador que me irá partir o coração.

Estes cachorros que ajudei nascer farão parte da minha família e da minha história para sempre. São os meus netos caninos, cada um diferente do outro e todos com as melhores características que podiam ter ido buscar aos pais. Enquanto dei um de cada vez foi doendo devagar porque tinha os restantes a ocupar-me os minutos e os cansaços. Agora, vou ter finalmente de enfrentar o vazio que tentarei explicar da melhor forma que consiga à minha cadela.

Resta-me, apenas, a esperança de ganhar o Euromilhões hoje à noite, caso em que ficaremos com todos eles. Façam figas!

Uma questão de Fé




Não há provas científicas de que Deus existe, porque se as houvesse não se trataria de uma questão de fé mas de conhecimento. Foi a ver mais uma vez o "Constantine" que me deparei com este silogismo tão simples quanto verdadeiro. 

Quando me aparecem os descrentes (de Deus, dos homens, da política, do país, tanto faz) com os seus discursos alicerçados na ausência de provas concretas, na desesperança e no cinismo instalado, tento não entrar muito em discussão porque a Fé é tão necessária como difícil de explicar.

No entanto, como me "aflige" a simples perspectiva de viver sem acreditar em algo maior, vou sempre tentando demonstrar por A+B que as coisas não são assim tão más e ainda há motivos para acreditar.

Porque não sendo nada optimista sou muito positiva e penso que tudo se deve ao facto de ter Fé. Fé que Deus existe, Fé que existe uma espécie de justiça Karmica do género "what goes around comes around", Fé que ainda se verão políticos incorruptíveis e dedicados ao serviço público, Fé que existem Homens que ainda dão a vida pelos outros e que "vivem para fora de si" em vez de se concentrarem meramente no próprio bem-estar (até porque, a maior parte das vezes, o "bem-estar" é overrated), Fé na humanidade apesar de todas as provas em contrário, Fé na selecção quando tudo nos leva a crer que ainda não é desta, até Fé no Postiga.

A religião não é definitivamente o ópio do povo. No entanto, sei que a Fé é o melhor ópio de todos, ópio que tomo diariamente e que me faz feliz. Obviamente, que tenho desilusões quando os objectos da minha esperança/crença não correspondem. Mas nada melhor nessas alturas do que mais uma injecção de Fé para seguir em frente no caminho.

Se conhecêssemos o futuro e o futuro nos reservasse a vitória de Portugal no Euro, tinha alguma graça ver os jogos, tendo a certeza que tudo ia correr bem? E ver os jogos na desesperança que tudo é mau e só pode correr mal, será divertido? Penso que taambém não. Vamos perder ou estou com um mau pressentimento são frases proibidas ao pé de mim. Eu também não sei se vamos ganhar mas tenho esperança e, mais importante, tenho Fé que isso possa acontecer. Porque a Fé dá-nos sempre a vantagem sobre os demais de conseguir acreditar na possibilidade de milagres. E por isso, quando todos os outros já desistiram, nós continuamos a tentar.

E nos jogos de futebol, como na vida, quem tem Fé, seja no que for, ganha sempre e é sempre mais feliz. E enganem-se se julgam que ter Fé é o caminho mais fácil, porque é o mais difícil de todos. Saber que as coisas vão correr bem é fácil, não saber o que nos espera e ter Fé que as coisas vão melhorar, mesmo quando nos deparamos com adversidades tremendas, e continuar a sorrir e a esperar por / trabalhar para algo melhor, por vezes roça o impossível. Às vezes ter Fé é o próprio milagre. Mas também pode ser a recompensa.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

É impressão minha...





...Ou esta música podia ter sido tocada pelos Police? E o senhor até tem uma semelhanças com o próprio Sting (God bless him!). Isto só para partilhar convosco o que ando a trautear nos últimos dias. Enjoy!


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Awareness...




  • An estimated one million children are forced to work in the global sex industry every year

  • The global sex slavery market generates a $39 billion profit annually

  • Selling young girls is more profitable than trafficking drugs or weapons


Celebrities are taking part in Real Men Don't Buy Girls campaign. Be part in this campaign and spread awareness...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sobre o cinema português ou Resposta à resposta do Sr. Realizador João Salaviza

Disclaimer: Para todos os actores, realizadores, produtores, assistentes, guionistas, câmaras, directores de fotografia, etc, sejam meus amigos, familiares ou perfeitos desconhecidos, este post é escrito na qualidade que contribuinte, porque pago impostos, porque sou uma cidadã activa deste país, porque gosto de cinema, porque trabalho a recibos verdes, porque todos passamos dificuldades e porque estamos em crise. Não quero ferir susceptibilidades, mas sei que o vou fazer. Mas esta é a minha opinião dada em minha casa. Para a malta do BE de quem sou amiga por motivos que não os políticos, por favor não se zanguem.




Sou quase viciada em cinema e televisão desde que me lembro (vicissitudes de se ser filha única). E quando era pequenina queria ser actriz porque era a única forma de poder conjugar todas as profissões que queria ser. Mas depois cresci e decidi que afinal queria trabalhar.

Se retirarem o tom ofensivo que estão a escutar na vossa cabeça enquanto lêem o que escrevo.. a sério podem retirá-lo e ler outra vez. Já leram? Continuam a achar ofensivo? E se eu vos disser que "trabalhar" nas vossas profissões deve dar um gozo tão grande que nem parece trabalho.. Agora leiam outra vez.. Assim está melhor..

Mas dito isto vou partir outra vez para a ofensa: Malta, e especificamente, o Sr. Realizador João Salaviza, o cinema em Portugal não é lucrativo certo? Não estou a falar para cada um de vocês, estou a falar em termos de resultados de bilheteira face à dimensão do investimento.. De retorno do investimento realizado pelo estado.

Ai mas não é o estado português que financia, que às vezes, o Brasil e França também ajudam ao deboche.
"Em primeiro lugar, porque o cinema português nunca recebeu dinheiro do orçamento de Estado, apenas de uma taxa de 4% sobre a publicidade, portanto se existe sector em Portugal que não beneficia de subsídios e apoios estatais esse sector é exactamente o do Cinema." - Sr. Realizador João Salaviza.

Sr. João Salaviza  isto que o Senhor disse é uma desonestidade moral para quem o lê. É que só pode estar a gozar. Senão vejamos:

Do relatório de contas de 2010 do FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual)



"O Fundo tem como participantes as seguintes entidades:

Estado Português, cuja subscrição de unidades de participação foi inicialmente realizada pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação, I.P. (IAPMEI), que as transmitiu já em 2009 ao FINOVA, e que está representado nas Assembleias de Participantes (AP) pelo Instituto do Cinema e Audiovisual, I.P. (ICA), detentor das unidades de participação da categoria A,representativas de 39,76% do capital do Fundo"

Trocando por miúdos, o estado português deu ao nosso cinema de Julho de 2007 até Abril de 2012 a módica quantia de 33 milhões de euros. Isto só através do FICA e só para estes cinco anos (quase todos de crise).






Ah, mas a cultura é muito importante. Pois é, mas sinceramente, preferia consignar todos os impostos que pago para disponibilizar medicamentos a idosos que vivem na miséria, a dar condições a escolas e hospitais e pequenos almoços a crianças. Ao invés, 33 milhões de euros foram para os senhores terem masturbações intelectuais que servem apenas para ejaculações precoces dos vossos amigos e conhecidos nas salas que ainda passam cinema português. Agora sim com um tom agressivo se faz favor.

E depois é um escândalo quando as pessoas se amotinam no Pingo Doce. As pessoas gastam cada vez menos em cultura porque a fome, as prestações e tudo mais aperta e o cinema não é uma prioridade. E quando vão ao cinema, querem ver qualquer coisa que as entretenha. Eu não sou apologista de um cinema de massas, semi-acéfalo. Mas se querem fazer viagens intelectuais ao vosso umbigo, façam isso com o vosso dinheiro. Ou então com o dinheiro do Brasil e de França e da Alemanha, que esses podem mais que nós.

É demagógico, talvez, mas o que é que não é? É tudo uma questão de prioridades e a minha prioridade, em tempos de necessidade, não é dar de comer às bocas do cinema português, que têm bracinhos para se alimentar sozinhas. Lamento.

Se sou contra o cinema português, ou contra a indústria do cinema em geral? De todo. Mas façam filmes mais baratos que levem mais gente ao cinema. Nem que para isso tenham de contratar a Soraia que é tão gira. Façam filmes como os franceses e os italianos que são vistos em todo o mundo e são bons.

Tive imenso orgulho quando soube que um realizador tão novo e português como João Salaviza ganhou os prémios que ganhou, principalmente se for verdade o que diz sobre o financiamento do próprio filme. Mas agora digo eu, ou é uma pessoa desinformada ou faz por mentir: o Estado Português financia o cinema português!! Se devia fazê-lo? Não digo que não. Mas não nos moldes e no montante em que o faz. É pura e simplesmente um investimento a fundo perdido, é um plano Marshall dos artistas, só que no fim, nada foi construído. É uma vergonha!


 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Woody Allen really gets me or I really am a Winter person



Depois de tantas conversas de elevador, cigarro e blogosfera sobre o facto de chover ou não chover, e agora que o céu parece de novo azul, não resisto confessar uma característica que é quase suficiente para me definir. I'm a winter person!

Não é que não goste de verão e de praia e de me passear pela vida de sandálias e ombros descobertos, mas não há nada melhor do que passear à chuva. Não sei se pelo romantismo nostálgico que o inverno traz consigo quando transforma o mundo num filme a preto e branco, não sei se é pela luz clara do frio, não sei se pelo jazz que toca na minha banda sonora mental e carro cada vez que chove.

Nem a minha própria mãe percebe esta minha singularidade, mas sei que não estou sozinha. Mais uma vez, o Woody Allen não desiludiu (como se fosse possível) e criou uma personagem para a sua meia-noite em Paris que gosta de escrever, andar à chuva, dos anos 20 e do Cole Porter e do Ernest e dos Fitszgerald. Cliché ou não, havendo tantos não me importo nada de pertencer a este... 

Sempre soube que o Woddy me percebia, não fosse ele ser amante do preto e branco, do jazz e de Nova Iorque, my home away from home. We are so alike we have matching glasses! Maybe i'll visit him this year but only when winter comes.  And winter is coming fast!


segunda-feira, 7 de maio de 2012

When do you get to that point where enough is enough?



À terceira ou quarta vez que vi este filme é que dei a verdadeira e merecida atenção a este diálogo:

"- When two people really love each other but they can't get it together, when do you get to that point
where enough is enough? (...)
- When two people love each other, totaly, truthfully, all the way love each other, when do you get to that point where enough is enough? Never.. Never..."


Não que seja uma teoria que estranhe. Sempre foi o que defendi: quando se ama à séria e o amor é total e intransponível não pode haver desistências. Porque nem nos filmes tudo é perfeito. E o esplendor da intimidade traz consigo as pequenas coisas que com o passar dos dias ficam maiores e irrespiráveis. E aquela desarrumação que ao princípio achávamos querida, ou aquela dependência enternecedora transformam-se num monstro que só pode ser vencido pelo diálogo, paciência, perdão, cedência de parte a parte e lembrança de que o mais importante é o amor total que existe entre os dois.

Este diálogo lembrou-me mais uma vez disso, não que estivesse esquecido, mas por vezes o cansaço tolda-nos o pensamento.

E por isso, para todos os desmemoriados, cansados e sonolentos, aqui fica esta mensagem de que o amor basta porque ele pode tudo, por vezes até o que afiguramos como impossível. Enjoy!

A persistência do tempo (Dali)




 
No último mês já escrevi uma dúzia de começos de posts que não consigo publicar, já divaguei e redigi mentalmente outros tantos, mas o tempo presiste e não me deixa. Entre o trabalho que, felizmente, é muito e os onze cães que tenho em casa, o tempo não me sobra e a pressa leva-me a inspiração. Dou por mim a contar os minutos de sono que vou conseguir apanhar em cada noite e o meu relógio já anda adiantado para não chegar atrasada a lado nenhum. E depois, mesmo a dormir, ando nos sonhos com pressa e prazos e trabalho e no dia seguinte acordo cansada. Revejo a minha lista de to dos e o pânico eleva-me da cama que me quer tanto e é correspondida, e lá vou eu a ditar textos por escrever aos cachorrinhos que me tentam subir pelas pernas. E o tempo persiste em não deixar de passar, e eu lá sigo ofegante, atrás dele, como se tivesse acabado de largar um balão que sei que não voltará. Dito isto, agradeço aos que ainda persistem no regresso, na promessa que vou continuar a correr. Um grande bem-hajam

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Top 5: As melhores canções sobre liberdade

Liberdade: [sub. fem.] condição do ser que pode agir livremente, isto é, consoante as leis da sua natureza (queda livre), da sua fantasia (tempo livre), da sua vontade (decisão livre); poder ou direito de agir sem coerção ou impedimento (liberdade de execução ou de acção); poder de se determinar a si mesmo, em plena consciência e após reflexão, e independentemente das forças interiores de ordem racional (liberdade de decisão); livre arbítrio.
Ontem foi Dia da Liberdade e independentemente das convicções políticas e saudosismos da velha senhora que cada um tenha (no, not me) este dia não pode ficar por celebrar. A revolução trouxe-nos a liberdade, que de um poder que poucos detinham passou a um direito, aliás, a uma condição de todos os portugueses.

É um facto que a liberdade política, de opinião, religiosa, sexual, etc, terão sempre os seus constrangimentos sociais ou profissionais, mas a liberdade de pensamento, aquela que ninguém nos pode tirar, deve regozijar-se com a hipótese de hoje se poder espraiar para fora da cabeça com muito mais honestidade e sem consequências de maior.


Freedom is just another word for nothing left to lose.

Foi com este mote, que celebrei ontem o dia da liberdade, no carro, de janela semi-aberta com o vento e chuviscos na cara, a fumar um cigarro e a cantar o Bobby Mcgee. E no espírito de partilha venho aqui hoje mostrar-vos as cinco músicas que para mim representam Liberdade. Obrigatório ouvir no carro, de janela aberta, a cantar bem alto, com mais ou menos afinação, a caminho de um lugar qualquer. Enjoy!


1 # Me and Bobby Mcgee - Janis Joplin


2 # Filhos da Madrugada - Zeca Afonso
 


3 # How it feels to be free - Nina Simone
(se bem que o feeling good está em exequo)

4 # Odara - Caetano Veloso e Gilberto Gil

5 # Rise - Eddie Vedder



Hasta la victoria siempre!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sexta-feira 13 de Abril de 2012

A partir de hoje, sexta-feira 13 será vista, não mais como dia de azar, mas como dia de imensa alegria. A minha prima caçula nasceu e o mundo ficou um bocadinho melhor!! Por essa razão, mesmo sem muito tempo disponível, quis perpetuar este dia no meu diário de bordo e receber mais esta parte de mim que chegou hoje, do oriente. Quem sabe um dia ela me leia nas entrelinhas deste lugar...

Agora dedico a ti, aos papás, aos avós, às bisavós, tias e primos uma música em forma de canção de embalar que parece que foi feita só para ti.



Bem-vinda ao mundo pequenina!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Amor cão ou quem quer um dos OITO cachorros mais lindos

Ontem fui com a Concha fazer a ecografia e como nunca tinha passado pela experiência de uma gravidez, foi mesmo muito emocionante. Para além de estarmos três pessoas a segurar na Concha para ela não se mexer, entre baba e empurrões, ouvi os batimentos cardíacos dos pequenos que aí vêm. E o Zé não se ficou por menos. Oito cachorro, no mínimo.

A toda a blogosfera em geral, e aos dog lovers em especial: lembram-se quando vos descrevi a minha tentativa falhada de interrupção de cópula canina, lá em casa. Pois é.. Não tínhamos muita esperança de nos safarmos desta sem uma ninhada, mas OITO?!?! A sério? Conclusão: A nossa matilha de 4 vai passar a 12 muito em breve.
Infelizmente, não vivemos numa quinta e por isso não iremos poder ficar com nenhum deles, o que me vai partir o coração. Mas não havendo outra opção, apelo-vos hoje a adoptarem um dos meus netinhos que vêm a caminho.

O pai é o Zé e é um Leão da Rodésia, do mais principesco e meiguinho que pode haver. A mãe é a Concha, filha de uma Dogue de Bordéus (Sushi) e de um Bull Mastiff (Benji) sendo que a Concha puxou ao pai. Parece uma ursinha, é completamente desengonçada e não dá para resistir às pregas que tem no focinho. São os melhores amigos que se podem ter. São protectores, inteligentes e adoram crianças e pessoas em geral.

Depois virei aqui com fotografias dos piquenos e descrições mirabolante de um parto canino. Já tirei férias para me dedicar à função de parteira e o hospital de campanha está quase pronto. Wish me luck!












segunda-feira, 12 de março de 2012

Top 5: Best 1969 Woodstock Songs

Quem gosta de música com certeza já desejou, pelo menos por breves instantes, ter estado em Woodstock, em 1969. I certainly did. Como nasci décadas mais tarde, resta-me ouvir as músicas que fizeram história, ver filme e documentários, ler e oferecer livros sobre o assunto e fazer um post sobre o melhor festival de música de sempre, não só pelos músicos presentes mas pelo sentimento de insurrecção pacífica contra a guerra pela juventude enebriada pela nova liberdade e mudança de costumes, entre outros químicos.

Eram os anos da paz e do amor, da música, do estilo descontraido, das cores, do surf, das carrinhas VW. Infelizmente, grande parte da geração de Woodstock  perdeu-se na euforia do novo mundo, ou na guerra, mas mesmo assim, queria muito ter lá estado. Este foi um festival que acabou por ser gratuito apesar de terem sido pré-vendidos 180 mil entradas. A mudança de local à última hora não permitiu aos organizadores "fortificarem" devidamente as vedações, que foram deitadas por terra dias antes do festival começar, pelas pessoas que chegaram muito antes da data prevista. Era esta a geração de 60. No meu caso, a geração dos "nossos" pais.

Assim, com toda a inveja que tenho por não ter pertencido à geração que derrubava barreiras e acreditava num mundo melhor (começo cada vez mais a acreditar que fosse efeito dos narcóticos por lá distribuidos), deixo-vos com o meu Top 5 de músicas que gostava de ter tido a oportunidade de ouvir, se tivesse estado em  Woodstock, em 1969. Enjoy!

(A ordem desta vez não é de preferência mas de "aparição" no Festival)


1 # Richie Havens - Freedom
(Foi o primeiro concerto e esta música foi inventada no palco, porque precisavam que de mais tempo até à chegada dos músicos seguintes, que estavam presos no trânsito)


2 # Santana - Evil Ways
(No segundo dia de Woodstock)




3 # Janis Joplin - Raise your hand
(A lendária Janis Joplin: Confesso que prefiro a versão desta música que ela canta sem estar tão "extasiada". Mas em Woodstock não se podia estar sóbrio)



4 # The Who - My Generation
(O concerto que fechou a noite do segundo dia)



5 # Jimi Hendrix - Vodoo Child
(At last but definitely not at least Mr. Hendrix)