quinta-feira, 31 de maio de 2012

Awareness...




  • An estimated one million children are forced to work in the global sex industry every year

  • The global sex slavery market generates a $39 billion profit annually

  • Selling young girls is more profitable than trafficking drugs or weapons


Celebrities are taking part in Real Men Don't Buy Girls campaign. Be part in this campaign and spread awareness...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sobre o cinema português ou Resposta à resposta do Sr. Realizador João Salaviza

Disclaimer: Para todos os actores, realizadores, produtores, assistentes, guionistas, câmaras, directores de fotografia, etc, sejam meus amigos, familiares ou perfeitos desconhecidos, este post é escrito na qualidade que contribuinte, porque pago impostos, porque sou uma cidadã activa deste país, porque gosto de cinema, porque trabalho a recibos verdes, porque todos passamos dificuldades e porque estamos em crise. Não quero ferir susceptibilidades, mas sei que o vou fazer. Mas esta é a minha opinião dada em minha casa. Para a malta do BE de quem sou amiga por motivos que não os políticos, por favor não se zanguem.




Sou quase viciada em cinema e televisão desde que me lembro (vicissitudes de se ser filha única). E quando era pequenina queria ser actriz porque era a única forma de poder conjugar todas as profissões que queria ser. Mas depois cresci e decidi que afinal queria trabalhar.

Se retirarem o tom ofensivo que estão a escutar na vossa cabeça enquanto lêem o que escrevo.. a sério podem retirá-lo e ler outra vez. Já leram? Continuam a achar ofensivo? E se eu vos disser que "trabalhar" nas vossas profissões deve dar um gozo tão grande que nem parece trabalho.. Agora leiam outra vez.. Assim está melhor..

Mas dito isto vou partir outra vez para a ofensa: Malta, e especificamente, o Sr. Realizador João Salaviza, o cinema em Portugal não é lucrativo certo? Não estou a falar para cada um de vocês, estou a falar em termos de resultados de bilheteira face à dimensão do investimento.. De retorno do investimento realizado pelo estado.

Ai mas não é o estado português que financia, que às vezes, o Brasil e França também ajudam ao deboche.
"Em primeiro lugar, porque o cinema português nunca recebeu dinheiro do orçamento de Estado, apenas de uma taxa de 4% sobre a publicidade, portanto se existe sector em Portugal que não beneficia de subsídios e apoios estatais esse sector é exactamente o do Cinema." - Sr. Realizador João Salaviza.

Sr. João Salaviza  isto que o Senhor disse é uma desonestidade moral para quem o lê. É que só pode estar a gozar. Senão vejamos:

Do relatório de contas de 2010 do FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual)



"O Fundo tem como participantes as seguintes entidades:

Estado Português, cuja subscrição de unidades de participação foi inicialmente realizada pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação, I.P. (IAPMEI), que as transmitiu já em 2009 ao FINOVA, e que está representado nas Assembleias de Participantes (AP) pelo Instituto do Cinema e Audiovisual, I.P. (ICA), detentor das unidades de participação da categoria A,representativas de 39,76% do capital do Fundo"

Trocando por miúdos, o estado português deu ao nosso cinema de Julho de 2007 até Abril de 2012 a módica quantia de 33 milhões de euros. Isto só através do FICA e só para estes cinco anos (quase todos de crise).






Ah, mas a cultura é muito importante. Pois é, mas sinceramente, preferia consignar todos os impostos que pago para disponibilizar medicamentos a idosos que vivem na miséria, a dar condições a escolas e hospitais e pequenos almoços a crianças. Ao invés, 33 milhões de euros foram para os senhores terem masturbações intelectuais que servem apenas para ejaculações precoces dos vossos amigos e conhecidos nas salas que ainda passam cinema português. Agora sim com um tom agressivo se faz favor.

E depois é um escândalo quando as pessoas se amotinam no Pingo Doce. As pessoas gastam cada vez menos em cultura porque a fome, as prestações e tudo mais aperta e o cinema não é uma prioridade. E quando vão ao cinema, querem ver qualquer coisa que as entretenha. Eu não sou apologista de um cinema de massas, semi-acéfalo. Mas se querem fazer viagens intelectuais ao vosso umbigo, façam isso com o vosso dinheiro. Ou então com o dinheiro do Brasil e de França e da Alemanha, que esses podem mais que nós.

É demagógico, talvez, mas o que é que não é? É tudo uma questão de prioridades e a minha prioridade, em tempos de necessidade, não é dar de comer às bocas do cinema português, que têm bracinhos para se alimentar sozinhas. Lamento.

Se sou contra o cinema português, ou contra a indústria do cinema em geral? De todo. Mas façam filmes mais baratos que levem mais gente ao cinema. Nem que para isso tenham de contratar a Soraia que é tão gira. Façam filmes como os franceses e os italianos que são vistos em todo o mundo e são bons.

Tive imenso orgulho quando soube que um realizador tão novo e português como João Salaviza ganhou os prémios que ganhou, principalmente se for verdade o que diz sobre o financiamento do próprio filme. Mas agora digo eu, ou é uma pessoa desinformada ou faz por mentir: o Estado Português financia o cinema português!! Se devia fazê-lo? Não digo que não. Mas não nos moldes e no montante em que o faz. É pura e simplesmente um investimento a fundo perdido, é um plano Marshall dos artistas, só que no fim, nada foi construído. É uma vergonha!


 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Woody Allen really gets me or I really am a Winter person



Depois de tantas conversas de elevador, cigarro e blogosfera sobre o facto de chover ou não chover, e agora que o céu parece de novo azul, não resisto confessar uma característica que é quase suficiente para me definir. I'm a winter person!

Não é que não goste de verão e de praia e de me passear pela vida de sandálias e ombros descobertos, mas não há nada melhor do que passear à chuva. Não sei se pelo romantismo nostálgico que o inverno traz consigo quando transforma o mundo num filme a preto e branco, não sei se é pela luz clara do frio, não sei se pelo jazz que toca na minha banda sonora mental e carro cada vez que chove.

Nem a minha própria mãe percebe esta minha singularidade, mas sei que não estou sozinha. Mais uma vez, o Woody Allen não desiludiu (como se fosse possível) e criou uma personagem para a sua meia-noite em Paris que gosta de escrever, andar à chuva, dos anos 20 e do Cole Porter e do Ernest e dos Fitszgerald. Cliché ou não, havendo tantos não me importo nada de pertencer a este... 

Sempre soube que o Woddy me percebia, não fosse ele ser amante do preto e branco, do jazz e de Nova Iorque, my home away from home. We are so alike we have matching glasses! Maybe i'll visit him this year but only when winter comes.  And winter is coming fast!


segunda-feira, 7 de maio de 2012

When do you get to that point where enough is enough?



À terceira ou quarta vez que vi este filme é que dei a verdadeira e merecida atenção a este diálogo:

"- When two people really love each other but they can't get it together, when do you get to that point
where enough is enough? (...)
- When two people love each other, totaly, truthfully, all the way love each other, when do you get to that point where enough is enough? Never.. Never..."


Não que seja uma teoria que estranhe. Sempre foi o que defendi: quando se ama à séria e o amor é total e intransponível não pode haver desistências. Porque nem nos filmes tudo é perfeito. E o esplendor da intimidade traz consigo as pequenas coisas que com o passar dos dias ficam maiores e irrespiráveis. E aquela desarrumação que ao princípio achávamos querida, ou aquela dependência enternecedora transformam-se num monstro que só pode ser vencido pelo diálogo, paciência, perdão, cedência de parte a parte e lembrança de que o mais importante é o amor total que existe entre os dois.

Este diálogo lembrou-me mais uma vez disso, não que estivesse esquecido, mas por vezes o cansaço tolda-nos o pensamento.

E por isso, para todos os desmemoriados, cansados e sonolentos, aqui fica esta mensagem de que o amor basta porque ele pode tudo, por vezes até o que afiguramos como impossível. Enjoy!

A persistência do tempo (Dali)




 
No último mês já escrevi uma dúzia de começos de posts que não consigo publicar, já divaguei e redigi mentalmente outros tantos, mas o tempo presiste e não me deixa. Entre o trabalho que, felizmente, é muito e os onze cães que tenho em casa, o tempo não me sobra e a pressa leva-me a inspiração. Dou por mim a contar os minutos de sono que vou conseguir apanhar em cada noite e o meu relógio já anda adiantado para não chegar atrasada a lado nenhum. E depois, mesmo a dormir, ando nos sonhos com pressa e prazos e trabalho e no dia seguinte acordo cansada. Revejo a minha lista de to dos e o pânico eleva-me da cama que me quer tanto e é correspondida, e lá vou eu a ditar textos por escrever aos cachorrinhos que me tentam subir pelas pernas. E o tempo persiste em não deixar de passar, e eu lá sigo ofegante, atrás dele, como se tivesse acabado de largar um balão que sei que não voltará. Dito isto, agradeço aos que ainda persistem no regresso, na promessa que vou continuar a correr. Um grande bem-hajam

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Top 5: As melhores canções sobre liberdade

Liberdade: [sub. fem.] condição do ser que pode agir livremente, isto é, consoante as leis da sua natureza (queda livre), da sua fantasia (tempo livre), da sua vontade (decisão livre); poder ou direito de agir sem coerção ou impedimento (liberdade de execução ou de acção); poder de se determinar a si mesmo, em plena consciência e após reflexão, e independentemente das forças interiores de ordem racional (liberdade de decisão); livre arbítrio.
Ontem foi Dia da Liberdade e independentemente das convicções políticas e saudosismos da velha senhora que cada um tenha (no, not me) este dia não pode ficar por celebrar. A revolução trouxe-nos a liberdade, que de um poder que poucos detinham passou a um direito, aliás, a uma condição de todos os portugueses.

É um facto que a liberdade política, de opinião, religiosa, sexual, etc, terão sempre os seus constrangimentos sociais ou profissionais, mas a liberdade de pensamento, aquela que ninguém nos pode tirar, deve regozijar-se com a hipótese de hoje se poder espraiar para fora da cabeça com muito mais honestidade e sem consequências de maior.


Freedom is just another word for nothing left to lose.

Foi com este mote, que celebrei ontem o dia da liberdade, no carro, de janela semi-aberta com o vento e chuviscos na cara, a fumar um cigarro e a cantar o Bobby Mcgee. E no espírito de partilha venho aqui hoje mostrar-vos as cinco músicas que para mim representam Liberdade. Obrigatório ouvir no carro, de janela aberta, a cantar bem alto, com mais ou menos afinação, a caminho de um lugar qualquer. Enjoy!


1 # Me and Bobby Mcgee - Janis Joplin


2 # Filhos da Madrugada - Zeca Afonso
 


3 # How it feels to be free - Nina Simone
(se bem que o feeling good está em exequo)

4 # Odara - Caetano Veloso e Gilberto Gil

5 # Rise - Eddie Vedder



Hasta la victoria siempre!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sexta-feira 13 de Abril de 2012

A partir de hoje, sexta-feira 13 será vista, não mais como dia de azar, mas como dia de imensa alegria. A minha prima caçula nasceu e o mundo ficou um bocadinho melhor!! Por essa razão, mesmo sem muito tempo disponível, quis perpetuar este dia no meu diário de bordo e receber mais esta parte de mim que chegou hoje, do oriente. Quem sabe um dia ela me leia nas entrelinhas deste lugar...

Agora dedico a ti, aos papás, aos avós, às bisavós, tias e primos uma música em forma de canção de embalar que parece que foi feita só para ti.



Bem-vinda ao mundo pequenina!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Amor cão ou quem quer um dos OITO cachorros mais lindos

Ontem fui com a Concha fazer a ecografia e como nunca tinha passado pela experiência de uma gravidez, foi mesmo muito emocionante. Para além de estarmos três pessoas a segurar na Concha para ela não se mexer, entre baba e empurrões, ouvi os batimentos cardíacos dos pequenos que aí vêm. E o Zé não se ficou por menos. Oito cachorro, no mínimo.

A toda a blogosfera em geral, e aos dog lovers em especial: lembram-se quando vos descrevi a minha tentativa falhada de interrupção de cópula canina, lá em casa. Pois é.. Não tínhamos muita esperança de nos safarmos desta sem uma ninhada, mas OITO?!?! A sério? Conclusão: A nossa matilha de 4 vai passar a 12 muito em breve.
Infelizmente, não vivemos numa quinta e por isso não iremos poder ficar com nenhum deles, o que me vai partir o coração. Mas não havendo outra opção, apelo-vos hoje a adoptarem um dos meus netinhos que vêm a caminho.

O pai é o Zé e é um Leão da Rodésia, do mais principesco e meiguinho que pode haver. A mãe é a Concha, filha de uma Dogue de Bordéus (Sushi) e de um Bull Mastiff (Benji) sendo que a Concha puxou ao pai. Parece uma ursinha, é completamente desengonçada e não dá para resistir às pregas que tem no focinho. São os melhores amigos que se podem ter. São protectores, inteligentes e adoram crianças e pessoas em geral.

Depois virei aqui com fotografias dos piquenos e descrições mirabolante de um parto canino. Já tirei férias para me dedicar à função de parteira e o hospital de campanha está quase pronto. Wish me luck!












segunda-feira, 12 de março de 2012

Top 5: Best 1969 Woodstock Songs

Quem gosta de música com certeza já desejou, pelo menos por breves instantes, ter estado em Woodstock, em 1969. I certainly did. Como nasci décadas mais tarde, resta-me ouvir as músicas que fizeram história, ver filme e documentários, ler e oferecer livros sobre o assunto e fazer um post sobre o melhor festival de música de sempre, não só pelos músicos presentes mas pelo sentimento de insurrecção pacífica contra a guerra pela juventude enebriada pela nova liberdade e mudança de costumes, entre outros químicos.

Eram os anos da paz e do amor, da música, do estilo descontraido, das cores, do surf, das carrinhas VW. Infelizmente, grande parte da geração de Woodstock  perdeu-se na euforia do novo mundo, ou na guerra, mas mesmo assim, queria muito ter lá estado. Este foi um festival que acabou por ser gratuito apesar de terem sido pré-vendidos 180 mil entradas. A mudança de local à última hora não permitiu aos organizadores "fortificarem" devidamente as vedações, que foram deitadas por terra dias antes do festival começar, pelas pessoas que chegaram muito antes da data prevista. Era esta a geração de 60. No meu caso, a geração dos "nossos" pais.

Assim, com toda a inveja que tenho por não ter pertencido à geração que derrubava barreiras e acreditava num mundo melhor (começo cada vez mais a acreditar que fosse efeito dos narcóticos por lá distribuidos), deixo-vos com o meu Top 5 de músicas que gostava de ter tido a oportunidade de ouvir, se tivesse estado em  Woodstock, em 1969. Enjoy!

(A ordem desta vez não é de preferência mas de "aparição" no Festival)


1 # Richie Havens - Freedom
(Foi o primeiro concerto e esta música foi inventada no palco, porque precisavam que de mais tempo até à chegada dos músicos seguintes, que estavam presos no trânsito)


2 # Santana - Evil Ways
(No segundo dia de Woodstock)




3 # Janis Joplin - Raise your hand
(A lendária Janis Joplin: Confesso que prefiro a versão desta música que ela canta sem estar tão "extasiada". Mas em Woodstock não se podia estar sóbrio)



4 # The Who - My Generation
(O concerto que fechou a noite do segundo dia)



5 # Jimi Hendrix - Vodoo Child
(At last but definitely not at least Mr. Hendrix)


quarta-feira, 7 de março de 2012

Kony 2012 ou Desta vez está nas nossas mãos


Sabem que foi o Hitler? E Joseph Kony sabem quem é? Este ano é o ano de dar a conhecer ao mundo Josph Kony e este é o meu pequeno contributo.




Joseph Rao Kony é o líder da guerrilha Ugandese, LRA (Lord's Resistance Army), que tem aterrorizado o Uganda com o objectivo de estabelecer e manter um governo teocrático fundado na violência. A sua acção já chegou também a RDC e ao Sudão. E o que é que ele faz?

Raptou mais de 66.000 mil crianças para servirem de soldados.  Milhares foram violados, mortos e mutilados.

Ele é o número 1 dos procurados pelo Tribunal Penal Internacional por actos contra a humanidade.

Esta é a cara dele:




Vivemos num mundo em que um vídeo de alguém a andar de skate no meio da estrada torna uma pessoa famosa em cerca de uma semana. Temos todos os meios à nossa disposição: facebook, blog, e-mail. Façam Like na página da Invisible Children, usem esta imagem da campanha como fotografia de perfil. Não custa nada. Vamos tornar Joseph Kony famoso para que todo o mundo saiba quem ele é e o que anda a fazer. Para que seja obrigatório fazer qualquer coisa! Para obrigarmos os nosso políticos a fazer qualquer coisa. Para parar este homem. Vejam o vídeo, por favor. Invistam um bocadinho do vosso tempo para a construção de um mundo melhor para os nossos filhos.



Bloggers que chegam a muitas mais pessoas do que eu: Partilhem este vídeo, ou a imagem, ou a ideia. É importante que a mensagem passe a muita gente. Façam uma boa acção em cinco minutos. Please!! Vou encher-vos a caixa de e-mail até que publicitem este movimento mundial, até que se torne viral. Obrigada.






quinta-feira, 1 de março de 2012

Das boas acções ou o porquê da minha vida ser desinteressante





Hoje foi dia de recolha de sangue cá no escritório. E apesar de a "aderência" ter sido elevada (ouvi isto hoje de manhã e não resisti) até agora fui a segunda pessoa, em 12 a conseguir dar, efectivamente, 500 ml do meu sangue. O que se passa é que de facto a minha vida é um bocado desinteressante.

Em primeiro lugar, responde-se a um questionário que tem por objectivo aferir dos nossos comportamentos de risco ou outros que impossibilitem a doação. Desde "esteve grávida nos últimos seis meses" a "fez piercings ou acumpunctura". Respondi não a ambas. Depois perguntam se mudámos de parceiro sexual nos últimos seis meses pergunta à qual respondi um orgulhoso e feliz NÃO. Porque já houve tempos em que respondi não porque simplesmente não havia vida sexual(ou amorosa) na minha vida, o que era triste. Penso que esta pergunta bastaria, juntamente com aquela sobre os comportamentos de risco do parceiro. Mas não.

Existe uma pergunta maravilhosa: fez sexo por dinheiro ou a troco de droga nos últimos seis meses? Sendo que já tinham perguntado do parceiro sexual e da verificação da "recepção" intravenosa de drogas, faz esta pergunta algum sentido? Será mera curiosidade do ISP? Aposto que aquela já foi puta... Não percebo. Mas não deixa de ser divertido. Qualquer dia só falta perguntarem: fez sexo por pena nos últimos seis meses? ama mesmo o seu parceiro(a) ou tem medo de ficar sozinho(a)? O mundo está perdido..

Mas se julgam que a minha vida é desinteressante pela monogamia ou ausência de drogas intravenosas estão enganados. Até aqui tudo bem. Depois do questionário segue-se uma consulta médica de "triagem" onde fazem mais umas quantas perguntas, essas sim, responsáveis pela exclusão da grande parte dos meus "colegas". Visitou países onde haja paludismo no último ano? Só aí foram 7 ou 8. A maior parte em trabalho, os outros de férias ou de lua de mel. Foi ao dentista há menos de uma semana? Não pode. Está com faringite, constipado? Assim foram mais dois ou três..

E eu a achar que estava a fazer uma boa acção, tive mais uma vez a constatação fáctica, que vai ficar cicatrizada na pele do meu antebraço, que tenho que começar ter uma vida mais interessante, e tenho de ir para sítios exóticos. Ou isso ou faço um piercing e não mostro a ninguém. É que foi quase, aquela pobre coitada conseguiu dar sangue.. A sério? sim, ela não viaja muito.



Pontuação na lista de boas acções:
Dar sangue: 500 pontos
Tentar dar sangue e ser impedido porque fez férias num sítio exótico: -200 pontos (para a próxima, antes de escolherem o destino de férias lembrem-se disto).


A todos os outros que tenham uma vidinha tão desinteressante como a minha, façam favor de doar sangue, até porque não custa nada, o lanchinho é muita bom e um dia podem precisar.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Das boas e más pessoas

Disclaimer: Tenho moral mas não sou moralista. Sou tolerante com os erros, mas há certas coisas que são para mim inultrapassáveis. Toda a gente erra e eu também sou gente. E apesar de existirem erros inultrapassáveis, penso que todos podem ser perdoados, basta querermos. Nem que as pessoas em questão fiquem "on probation", até termos a certeza que o erro foi sanado. O texto que se segue explica a minha perspectiva do que é ser boa pessoa. Só é melhor que as outras porque é a minha. Caso não concordem, estão no vosso direito, como eu estou no meu.

 
Eu tenho um sistema de pontos e penso que não sou a única. E as pessoas que conheço vão ganhando e perdendo pontos na minha consideração conforme as vou conhecendo melhor e de acordo com as suas acções, background, educação, situação em concreto... há muito a ter em conta. Caso eu já tenha errado da mesma forma reduzo 20% dos pontos negativos. No entanto existem certas atitudes que me fazem riscar certas pessoas da minha  lista emocional de amigos e outras que me fazem querer ser amiga de novas pessoas. As listas que se seguem, explicam melhor a minha lista de pontos:





What not to do:

  • Tratar mal um empregado de restaurante / loja só porque sim: Para mim este ponto divide as boas pessoas das más pessoas, a boa educação da má. Fazer isto à minha frente significa um total de  -1000 pontos. Depois desta subtracção, dificilmente voltarão a cair nas minhas boas graças.
  • Ser racista / xenófobo: Achar que se é melhor que outro por causa de uma coisa tão aleatória como a quantidade de melanina ou religião em que cresceram implica a perda automática de 800 pontos.   -800 pontos
  •  
  • Tratar mal os indefesos: Desde velhinhos, a sem-abrigos, a crianças, arrumadores de carro, animais é para mim intolerável. - 1000 pontos
  •  
  • Não ter a noção: Queixar-se de falta de dinheiro quando se vive uma vida de "luxo", quando se janta fora quotidianamente, se compra toda a nova colecção da Zara ou mesmo da Prada, quando se tem um topo de gama de 3 em 3 anos e a casa paga. Não é que não se possam queixar, mas evitem fazê-lo à frente de pessoas que ganham substancialmente menos. E evitem tratar mal essas mesmas pessoas só por ganharem menos, porque provavelmente apenas não tiveram a sorte de nascer numa família com dinheiro. Sim, porque a trabalhar, é muito difícil de lá chegar. -200 pontos
  •  
  • Viver para as aparências: Não sou contra as pessoas andarem bonitas, arranjadas, e com sempre com a roupa mais trendy que pode haver. Nada mesmo. É bonito de ver e dá vida a qualquer sitio. E já nem tenho o preconceito que as pessoas super arranjadas só podem ser burras porque o tempo que perdem nisso não investem em ler livros. Cresci. Mas o facto de as pessoas acharem que a imagem é o mais importante que pode haver e esquecerem-se que há um mundo de pessoas a viver no limiar da miséria, por exemplo, entristece-me. Isso sim é a futilidade. As boas pessoas fazem as boas roupas and not the other way around. - 500 pontos
  •  
  • Falta de higiene: cabelo oleoso, maus cheiros constantes, casa a cheirar a gato, etc.. - 200 pontos
  •  
  • Cobiçar a mulher / homem do próximo: Dizem que no amor e na guerra vale tudo mas não é bem assim. E quando digo cobiçar leia-se, meter-se à séria ou pelo menos tentar. Se forem meus amigos -100 pontos; se não forem meus amigos mas for amor verdadeiro -100 pontos; se forem ou não meus amigos e se for só para a porcaria - 500 pontos; se tiverem consciência da porcaria que estão a fazer/fizeram e demonstrarem algum remorso -50 pontos; se cobiçarem o meu namorado  - 100000000000000000 (rebentam com a escala e nem que sejam a Madre Teresa farão algum dia parte da minha lista de boas pessoas :D, penso que é justo).
  •  
  • Dar graxa: não se aguenta aquelas pessoas que acabam de repetir o que o professor disse só para terem alguma coisa para dizer -10 pontos
  •  
  • Tentativas Falhadas de Manipulação: não adoram quando as pessoas se acham mais inteligentes que vocês e acham que ninguém percebe o que estão a tentar fazer? não é divertido? Eu acho que sim mas só pela estupidez na tentativa e pelo fundamento (não olhar a meios para atingir os fins) -500 pontos
  •  
  • Ser egoísta / não ajudar / não partilhar: Penso que dá para perceber porquê. -300 pontos
  •  
  • Ser Salazarista: Tenho muitos amigos assim, daqueles que só de ouvir cantar Zeca Afonso começam a passar mal. Como devem imaginar, cada vez que estou com eles canto Zeca Afonso. ;) Mas pronto, o que é que se há-de fazer, eles compensam com outras coisas. - 500 pontos
  •  
  • Estar sempre de mal com a vida: característica principal de pessoa egocêntrica sem problemas a sério. Se repararem, as pessoas que já passaram ou passam por situações graves são as primeiras a sorrir e a levar a vida com ânimo. - 300 pontos

 
What to do:

  • Dar esmola: + 500 pontos

  • Adoptar uma criança: Por quem não possa ter filhos + 500 pontos; Por quem possa ter filhos +1000 pontos; Adopções de crianças com necessidades especiais + 2000 pontos.

  • Fazer voluntariado: + 200 pontos

  • Perdoar: + 200 pontos

  • Ter sobrevivido a uma história de vida difícil: Conforme a dificuldade de história pode verificar-se majoração + 1000 pontos

  • Assumir os erros: + 500 pontos

  • Tratar bem os indefesos: + 500 pontos

  • Parar nas passadeiras: + 50 pontos

  • Deixar passar pessoas à frente na caixa do supermercado, quando estas só tem uma ou duas coisas na mão: + 30 Pontos




Partilhem o vosso sistema de pontos. Estou a esquecer-me de alguma coisa?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Genialidades: Clint Eastwood e Jamie Cullum

Ela gosta dele porque após a leitura de duas frases ele acerta no nome e autor do livro. Ele gosta dela porque após duas notas no piano da banda sonora descobre quem é o realizador do filme.. Ele fica feliz perante a genialidade de Clint Eastwood e ela fica feliz perante a genialidade de Jamie Cullum e ambos sorriem. Clint Eastwood também gosta de Jamie Cullum e fazem uma banda sonora em conjunto, criando uma obra prima que de tão boa se vai repetindo pelos filmes seguintes misturada em dois ou três acordes diferentes, só para não ser igual. E a fotografia e o argumento sempre maravilhosos, cada vez melhores, mas é a música de há dois filmes atrás que nos continua a acompanhar. E desejamos que este génio octogenário nunca morra e que continuemos a ouvir Jamie a cantar enquanto assistimos a mais uma obra prima. O filme de ontem foi o Hereafter, mas podia ter sido outro qualquer dos dele. Todos os óscares seriam poucos diz ele. Ela gosta dele e ele gosta dela e sorriem quando ouvem a música que se segue. Enjoy!



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Dos homens e do casamento



Casamento: União, tendencialmente eterna, firmada através do compromisso, entre duas pessoas (homem-mulher, homem-homem, mulher-mulher), que pretendam constituir uma família, numa comunhão de amor e vida.  

Este é o meu conceito de casamento, independentemente de ser civil ou religioso. O religioso prende-se mais com a validação da união por Deus e perante a comunidade. O civil, mais contratual, centra-se nos efeitos sociais e patrimoniais, efeitos que coexistem no casamento religioso. Mas independente da forma escolhida o mais importante é o compromisso de amor e respeito assumido pela união subjacente, ou pelo menos devia ser.

Toda a gente quer um festa óptima, ninguém nega. Mas o fundamento para esse passo não pode ser a festa, ou o é suposto, é o que esperam de mim, ou é agora ou fico sozinha, entre outros motivos que não o fundamental. Se não se imaginarem o resto da vossa vida com a pessoa que agora está ao vosso lado, não se casem.Tudo bem que existe divórcio, mas os casamentos celebrados de ânimo leve contarão para as estatísticas que deprimem qualquer pessoa séria que esteja a pensar em casar-se e a culpa é de quem se casa só porque é giro.

Normalmente, aplico a máxima sobre a amizade de Vinicius de Moraes  ao amor: os amigos não se fazem, reconhecem-se. E o que é a pessoa amada que não o melhor amigo? Não digo que o amor só aparece quando menos esperarem, e muito menos digo para deixarem de procurar. Procurem até reconhecer em outra pessoa o/a vosso(a) companheiro(a) de viagem. E após o reconhecimento mútuo, dêem graças pela vossa sorte, não se percam nunca e amem para sempre. E amem tudo porque se não amarem tudo não é amor. E sem amor a vida que se repete entre dias iguais e outras complicações é impossível de caminhar.  Sem amor é impossível que um casamento dure a vida toda, a não ser que vivam em continentes diferentes. Sem amor é impossível mudar fraldas ao outro. 

Apesar de acreditar que o casamento deverá ser uma união tendencialmente eterna, tenho como modelo de homem o próprio do Vinicius de Moraes, que casou nove vezes. No entanto, acreditou sempre que era para toda a vida, amando cada uma delas como se fosse a primeira e a última. Sem medo, tudo fez para viver a plenitude do amor.

Muitos meninos que me lêem dão-me, com certeza, razão: muitos homens têm problemas de compromisso e quando se fala em casamento, é vê-los correr na direcção oposta. Por outro lado,  qualquer mulher que caiba no estereótipo de mulher romântica, desde os cinco anos que planeia o seu casamento. Exageros à parte, esta disparidade de sentimentos entre sexos em relação ao mesmo assunto, sempre existiu. E foi preciso fazer 28 anos para descobrir uma estória (o que é um bocado chocante na medida em que o meu cérebro é uma manta de retalhos gigante de factos inúteis fora do contexto quiz), sobre essa mesma dificuldade dos homens, que terá ocorrido no século V, de acordo com Maria Guedes, do blog Stylista:



Segundo a tradição, na Irlanda do século V, Santa Brígida queixou-se a S. Patrício que as mulheres esperavam demasiado tempo para serem pedidas em casamento. Para remediar a situação, S. Patrício resolveu autorizar que as mulheres pedissem os homens em casamento, mas apenas nos dias 29 de Fevereiro, ou seja, de 4 em 4 anos.


O que se retira daqui, para além de também eu ler blogs de moda, é que esta dificuldade / demora dos homens sempre existiu. O que fazer em relação a isso? Será boa ideia aproveitar o dia 29 de Fevereiro e tratar do assunto do pedido, em vez de ficar à espera? O que fazer?

Se o vosso namorado é daqueles que tem medo do compromisso aconselho-vos a não pedir. Não é que eles fossem dizer que não. Provavelmente não o fariam. Mas anos mais tarde, iam sentir que tinham sido pressionados a fazê-lo, esquecendo-se que no momento do casamento também disseram que sim. Este tipo de homem, a casar, precisa de pedir a amada em casamento. Precisa de ponderar cada ponto, pôr em causa cada certeza e nesse processo de decisão apaixonar-se e ganhar coragem para dar esse passo. Se forem vocês a pedir ele vai julgar que foi empurrado. Se der o passo sozinho, terá a certeza que não foi e cada vez que quiser pôr tudo em causa, recordar-se-á desse processo que atravessou e de todas as razões para vos amar.

Por outro lado, se o vosso namorado nasceu para o compromisso, e acham que ainda não vos fez o pedido por falta de dinheiro, por precisar de tempo para organizar uma surpresa em grande ou por outra razão qualquer, não vejo razão para não o fazerem. A tradição não é razão suficiente para fazer esperar o casamento. Arrisquem ou esperem pelo próximo ano bissexto.


*Post dedicado aos nubentes de hoje e às corajosas de 29 de Fevereiro.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Voto de vencido ou We are Nebraska




No dia em que foi a votação e não passou a alteração da lei da adopção por forma a permitir a adopção por casais do mesmo sexo deixo-vos aqui o meu voto de vencido. Se tiverem oportunidade vejam este episódio do American Dad (Season 3 Episode 7) que é uma delícia.

Comecei a manhã com boas notícias: a liberdade de voto estabelecida dentro das bancadas do PS e do PSD. Numa questão como esta, que não é ideológica nem política, mas pessoal, é positivo que cada um o possa votar em consciência. A consciência dos deputados eleitos pela Assembleia da República. por nós eleitos (ou pelo menos por mim que costumo ir votar) decidiu que Portugal ainda não está preparado para essa solução. Tenho pena que ainda sejamos o Nebraska mas a democracia tem destas coisas e sei que um dia, as consciências irão ser outras.

Boa notícia da tarde: houve um deputado do CDS que votou a favor. Quero conhecê-lo e dar-lhe os meus parabéns por saber distinguir as coisas e ter coragem de ter uma opinião diferente dentro do grupo alegadamente mais conservador.

É certo que a crise financeira não é a melhor altura para levar a cabo estas alterações legislativas. Mas estamos em crise há anos e alguma vez tinha de ser o dia. Perder-se-ia menos tempo se a proposta fosse aprovada à primeira, mas pronto.

Ainda vivemos numa sociedade em que a homossexualidade é mal vista, fora do mundo do espectáculo pelo menos. Ninguém o assume, porque não é politicamente correcto, e ninguém fala disso, para não ter de tomar partido, para não ser conotado com uma determinada liberalidade de costumes ou intolerância antiquada, conforme o caso. Se virmos os blogs de hoje, poucos falam sobre  isto. Todos querem ter uma moral maleável conforme o interlocutor. É triste. Mas é assim.

O facto de existirem muitos homossexuais dentro do armário com medo das repercussões sociais e profissionais é prova que a discriminação ainda existe. Existe e não é pouca, infelizmente. Mas, por alguma razão e depois de várias tentativas, o casamento entre casais do mesmo sexo foi consagrado na nossa legislação e tenho esperança que um dia aconteça o mesmo com a adopção. Porque a orientação sexual de uma pessoa não define a sua capacidade de ser um bom pai ou boa mãe. E não ser o melhor para a criança porque vai ser gozada na escola é partir de um pressuposto inadmissível, que é o de não educarmos os nossos filhos para respeitarem os que os rodeiam ou pelo menos, para respeitarem a lei. É tratar a intolerância como um facto consumado.

Mas as crianças são cruéis.. Pois são, porque normalmente aprendem cedo de mais, com os adultos, a rejeitar o que é diferente. Mas todos os gordos, feios, escanzelados, caixa-de-óculos, portadores de aparelhos, sopinhas-de-massa, burros, portadores de piolhos, filhos de pais divorciados, órfãos, betinhos, dreads, riquinhos, Lyonces Victórias, etc, todos são / foram gozados na escola por alguma razão ou sem razão nenhuma se pensarmos melhor. Qual de vocês não foi? E não sobreviveram? Acham que o facto de as crianças serem cruéis seria dissuasor de deixarem de levar os vossos filhos ao oftalmologista para pôr uns óculos? Penso que não. E por que razão será a crueldade das crianças uma boa razão para impedir que um casal do mesmo sexo possa adoptar ou recorrer à inseminação? Porque não é do melhor interesse da criança ser gozada na escola? Não percebo.

Ou será que acham que a homossexualidade se pega.. Deve ser isso.

Sei que um dia vamos evoluir, tal como evoluímos em relação à escravidão, à segregação, aos direitos das mulheres, às mães solteiras, entre outros. Só tenho pena que não tenha sido hoje.

Relativamente à lei da adopção, choca-me que na lei vigente haja a possibilidade de "devolução" da criança adoptada. Alguém me consegue explicar em que terra é que a referida devolução é no melhor interesse de uma criança?

O fim do €uro ou Talvez não seja assim tão disparatado

Be afraid, Be very afraid....

Para quem julgava que eu sofria apenas de ilusões alicerçadas em teorias da conspiração sem qualquer conexão com a realidade (por momentos também duvidei), deixo-vos com um artigo, que a amiga MAG enviou, escrito por Pedro Braz Teixeira, Investigador do NECEP da Universidade Católica. O senhor, apresenta algumas das ideias práticas que já aqui tinham sido apresentadas no texto "O nosso kit de sobrevivência à Bancarrota". Talvez tivesse sido melhor ter tirado o curso de Economia, como os psicotécnicos indicavam. Certamente, teria mais dinheiro para sobreviver à crise. Mas como gostava de escrever, fui para humanidades e agora tenho um blog :s Se eu soubesse o que sei hoje...

Bem, espero que agora levem a sério as recomendações que se seguem. Se me tocarem à campainha a pedir um pacotinho de arroz depois do caldo entornado, mando-vos dar uma volta. E olhem que eu tenho cães grandes. Quem avisa amiga é ;)

 


«Fim do euro, recomendações práticas

A saída do euro pode ocorrer de forma muito caótica, podendo levar ao colapso temporário do sistema de pagamentos e de distribuição.
O risco de saída de Portugal do euro tem associados múltiplos riscos, dos quais gostaria de salientar três: o risco do colapso temporário do sistema de pagamentos, o risco do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos e o risco de perda – definitiva – de valor de inúmeros ativos (depósitos à ordem e a prazo, obrigações, ações e imobiliário, entre outros).
Considero que todos os portugueses devem "subscrever" seguros contra estes riscos, tal como fazem um seguro contra o incêndio da sua própria casa. Quando se compra este seguro, o que nos move não é a expectativa de que a nossa casa sofra um incêndio nos meses seguintes, um acontecimento com uma probabilidade muito baixa, mas sim a perda gigantesca que sofreríamos se a nossa habitação ardesse.
Quais são as consequências imediatas de Portugal sair do euro? A nova moeda portuguesa (o luso?) sofreria uma desvalorização face ao euro de, pelo menos, 20%. Todos os depósitos bancários seriam imediatamente transformados em lusos, perdendo, pelo menos, 20% em valor. Todos os depósitos ficariam imediatamente indisponíveis durante algum tempo (dias? semanas?) e não haveria notas e moedas de lusos, porque o nosso governo e o Banco de Portugal não consideram necessário estarmos preparados para essa eventualidade.
O mais provável é que a saída do euro fosse anunciada numa sexta-feira à tarde, havendo apenas o fim de semana para tratar da mudança de moeda. Logo, na sexta-feira os bancos retirariam todas as notas de euros das máquinas de Multibanco e quem não tivesse euros em casa ou na carteira ficaria sem qualquer meio de pagamento.
Durante algumas semanas (ou mais tempo) teríamos um colapso do sistema de pagamentos e, provavelmente, também um corte nos fornecimentos. As mercearias e os supermercados ficariam incapazes de se reabastecer, devido às dificuldades associadas à troca de moeda.
Estes "seguros" de que falo, contra este cenário catastrófico, não podem ser comprados em nenhuma companhia de seguros, mas podem ser construídos por todos os portugueses, estando ao alcance de todos, adaptados à sua realidade pessoal.
O que recomendo é algo muito simples que – todos – podem fazer. Ter em casa dinheiro vivo num montante da ordem de um mês de rendimento e a despensa cheia para um mês. Esta ideia de um mês de prevenção é indicativa e pode ser adaptada à realidade de cada família.
Não recomendo que façam isso de forma abrupta, mas lentamente e também em função das notícias que forem saindo. De cada vez que levantarem dinheiro, levantem um pouco mais que de costume e guardem a diferença. De cada vez que fizerem compras tragam mais alguns produtos para a despensa de reserva. Aconselho que procurem produtos com fim de validade em 2013 ou posterior, mas, nos casos em que isso não seja possível, vão gastando os produtos de reserva e trocando-os por outros com validade mais tardia. Desta forma, sem qualquer rutura, vão construindo calmamente os vossos seguros contra o fim do euro.
Quanto custará este seguro? Pouquíssimo. Em relação ao dinheiro de reserva, o custo é deixarem de receber os juros de depósito à ordem, que ou são nulos ou são baixíssimos. Em relação aos produtos na despensa de reserva, é dinheiro empatado, que também deixa de render juros insignificantes.
Quais são os benefícios deste seguro? Se o euro acabar em 2012, como prevejo, o dinheiro em casa não se desvaloriza, mas o dinheiro no banco perderá, no mínimo, 20% do seu valor. Além disso terá o benefício de poder fazer pagamentos no período de transição, que se prevê extremamente caótico. A despensa também pode prevenir contra qualquer provável rutura de fornecimentos, garantindo a alimentação essencial no período terrível de transição entre moedas. Parece-me que o benefício de não passar fome é significativo.
E se, por um inverosímil acaso, a crise do euro se resolver em 2012 e chegarmos a 2013 com o euro mais seguro do que nunca? Nesse caso – altamente improvável – a resposta não podia ser mais simples: basta depositar no banco o dinheiro que tem em casa e ir gastando os produtos na despensa à medida das suas necessidades
(Negritos, sublinhados e tamanho de letra por Miss Jones)